Eu sinto muito, que tenham dito pra você que não existia fada dos dentes ou papai noel.
Eu sinto muito, que você tenha ouvido alguém dizer que você nunca seria alguém com essas notas no colégio e que você não tenha entendido a necessidade de lutar contra isso.
Eu sinto muito, que você tenha tido um lar separado em dois.
E, sinto muito, que você tenha se sentido desnorteado quando isso aconteceu.
Eu sinto muito, que você não leia nenhuma poesia durante seus dias.
Ou que você simplesmente não saiba entendê-las.
Eu sinto muito, que você só conheça a cidade onde nasceu e ainda mora.
E, sinto muito, que você não sinta por não abrir seus horizontes.
Eu sinto muito, que você tenha acredito que está nessa vida sozinho.
Eu sinto muito, que você não se permita ter com quem contar.
Sinto muito, que você não tenha aprendido a chorar.
Eu sinto muito, que você tenha medo de ser você mesmo.
E, que na verdade, nem saiba que não o é mais, por já ter esquecido você.
Eu sinto muito, que você só tenha escolhido as parceiras rasas de peculiaridades e alma.
E, sinto muito, que você aceite que você mesmo seja tão frívolo.
Eu sinto muito, por todas as cambalhotas que você não deu na cama dos seus pais.
Sinto muito que você não tenha tido vontade de dá-las.
E, sinto muito, que você nunca tenha se dado bem com seu irmão.
Sinto, que você não teve nem o próprio irmão pra chamar de irmão.
E que não quis fazer nada pra mudar isso.
Eu sinto muito, que você nunca tenha ficado com as solas dos pés pretinho por ter brincado descalço uma tarde inteira.
Sinto muito que seus pais nunca tenham te ensinado a leveza que é deitar na grama e ver formatos de coisas da Terra nas nuvens lá no céu.
Por toda uma vida anestesiada de sentimentos e simplicidades, caro desconhecido de si mesmo, eu sinto muito.