domingo, 15 de novembro de 2015

As guerras no mundo acontecem pois ainda existem na mente e no coração das pessoas. Quando as guerras interiores de cada um se apaziguarem, o mundo vai viver, não de perfeição, mas de boa vontade, de amor.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Pessoas Camaleão

Já li algumas vezes que no fim das contas, somos os nossos momentos. E, o que são nossos momentos além de o que escolhemos fazer com o tempo que a gente tem?
É por isso que, ao final de um longo namoro, amizade, ou qualquer tipo de união, mesmo de fins dramáticos, sentimos tanta saudade – pode admitir, ás vezes você sente falta do drama também.
Isso acontece pois você dedicou atenção, tempo, para aquele alguém, seu tempo. 
Porém – peço licença para mudar o foco do qual parti  percebi esses dias o como as pessoas julgam umas às outras em sua totalidade por um ou dois momentos que presenciam, mas ninguém é, por exemplo, aquela moça agitada das festas ou aquele cara tranquilo da sala de aula. Claro que tem aquelas pessoas que são mais engraçadas, extrovertidas, que, quando a gente olha, já pensa festa, pois a postura da pessoa nos remete a esse evento, ou ele é muito sério, dedicado nos estudos e nos remete a responsabilidade. E, quando chega a festa de formatura, é com ela que vão falar, ou, quando chegam as provas de recuperação, recorrem a ele, cada um mostra pela sua conduta quais são e onde se aplicam suas utilidades, e atrai as pessoa com isso – mas isso não invalida que ele seja a alma da festa quando estiver se sentindo a vontade, e ela, que seja uma dos primeiras na turma quando estiver determinada a ser. 

Acredito muito na validade e no benefício em ser uma Pessoa Camaleão, daquelas que agem de acordo com o ambiente em que estão – não estou falando em agir como todos que estão num mesmo local que você ou perder a própria identidade – fazer o que cabe fazer naquela ocasião, reconhecer onde você está. 
E isso não é não ser você mesmo, não é criar uma persona, isso é maturidade. Mas maturidade exige autoconhecimento, se você reconhece o ambiente, mas não conhece você, é natural que você seja imprevisível até pra você mesmo. É por isso que você é a pessoa que mais se conhece no mundo, você é a única pessoa que esteve presente em todos os seus momentos, você esteve no seu primeiro beijo, primeiro dia de aula, primeira discussão fora de casa, esteve com os amigos no colégio, no shopping, numa cidade nova, no primeiro gole da primeira cerveja, na primeira vez. Foi sempre você quem esteve lá, protagonizando sua vida, sabendo como você agiu, como se sentiu, com quem sentiu, o que deixou de fazer, o que hesitou fazer mas achou melhor deixar pra lá – ou se arrependeu da sua falta de coragem depois. 

Cada um é sua maior testemunha, mesmo que seja romântico que alguém diga que nos conhece mais que nós mesmos, isso não é possível. O que faz a gente se apaixonar, é o que alguém mostra de si para o mundo, mas o que a pessoa realmente é, ela, inconsciente e até involuntariamente, mostra só com convivência, com tempo. Aos poucos a gente observa o que ela expressa em cada momento, e isso une peças, que podem formar a imagem de uma pessoa linda, doce, sincera, ou de alguém orgulhoso, confuso e mesquinho. Cada ser tem o seu tamanho...

Saber qual postura adotar de acordo com o que propicia um ambiente é quebrar o tabu de rótulos também, é surpreender as pessoas, você mostra que não é só a pessoa daquele dia, naquele outro ambiente, daquele instante.
Ser Pessoa Camaleão é saber que aquilo que você enxerga de alguém é só um pedacinho do universo que ela é, pois, quando você reconhece isso, é por você ter conhecimento sobre si mesmo e por não ser mais alguém simplório, mas simples. Contudo, a honestidade com si mesmo é essencial, ninguém tem ideia do mar de sentimentos, capacidades e histórias que é se estiver sempre olhando, se comparando e culpando o outro, isso é só mentir pra si mesmo. 



segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Viva sua vida para você

Quando ouvimos ou lemos a frase da qual se intitula esse texto, já nos vem a cabeça associações com libertinagem, exageros e até egoísmo "viva sua vida pra você, não escute a opinião de ninguém, o que importa é só o que você pensa, só se vive uma vez, não ceda por ninguém, a vida é sua e você faz o que você gosta e quer etc" porém, observando algumas atitudes de conduta, acabei enxergando e dando outro sentido para essa oração.
Há um frase que li esses dias por aí que diz "Se eles te respeitam, respeite eles, se eles não te respeitam, respeite eles. Pois você representa a si mesmo, e não os outros", e, a partir do momento em que, por exemplo, você se importa em ser gentil com os demais, independente de com quem, mas sim por ter valor pra você agir com gentileza, você está vivendo pra você, aliás, quando é assim, o que te motiva a agir não é a expectativa da recíproca.
As pessoas têm a reação natural de justificar suas falhas pelas falhas dos outros, mas só faz isso quem ainda não tem dentro de si prioridades e valores de como e de quem ser. 
Pois, a partir do instante que você é educado até com aquela pessoa mais rude, opressora, impositora ou ranzinza, significa que isso, educação, já está dentro de você como princípio.
Pois você não faz pensando na pessoa a quem dirige sua ação, você faz pensando de onde ela partiu, e, se você é uma pessoa bondosa, é bondade que vai partir de você, pois a atitude é o fruto, mas você é a árvore. É você e somente você quem escolhe ser uma mangueira, de frutas doces e casca macia, ou uma jaqueira, de frutas pesadas, com a casca de aparência e aspecto espinhoso.
Quando você não tem suas prioridades e valores em si, você não é, você está. Por exemplo, quando alguém com quem você tem semelhanças está por perto, você é agradável, bem humorado. Mas quando alguém cujas ideias divergem um pouco das suas está ao seu lado, você se fecha, se torna ríspido, arrogante. Logo, você não é alguém bem humorado, você estava – é claro que existem momentos na vida onde sentimentos não rotineiros também cabem, mas esse é outro ponto.
Bom, nós sabemos que é muito fácil ser monge no mosteiro, mas aquele que depende das circunstâncias de um ambiente para ser algo, na verdade ainda não sabe quem é.
Acredito que caiba a cada um de nós procurar pelo autoconhecimento de forma honesta e gentil conosco mesmos, se o panorama mundial ainda possui violência, infelicidade e falta de empatia e solidariedade é porque ainda existem muitos homens e mulheres vivendo cheios de incertezas, que não sabem com o que realmente concordam ou não, e, dessa forma, não agem contra o mal, que não é nada mais nada menos que a ausência de pessoas praticando o bem.

sábado, 26 de setembro de 2015

Autoridade não precisa ser negatividade

Ultimamente percebi que as pessoas associam muito autoridade, chefia ou liderança com ser um carrasco com os demais, com dizer "não" só por má vontade, quando, ter dado uma resposta positiva podia melhorar o dia de alguém – e o seu, aliás, faz bem pra nós mesmos fazer bem para os outros, todo mundo conhece a alegria da leveza inocente e sincera de trocar um sorriso na rua com um estranho, quem dirá a alegria de poder dar uma mão pra outra pessoa no trabalho, por exemplo. 

Pois é. É como se, estar numa posição privilegiada fosse sinônimo de pisar em quem ainda não chegou onde você está. Não precisa ser assim, ninguém vai tomar o seu lugar por você, quando couber, ser gentil de vez em quando. 
A partir do momento que você tem o poder de decisão, a única diferença entre ter uma atitude negativa – ser ranzinza, rude, ou demasiado pessimista – e ser leve, razoável imparcialmente e positivo é a reação das pessoas e o impacto de seu veredicto no dia ou até na vida delas, depende do quanto alguma situação vai ter importância pra essa pessoa. Você continua sendo uma autoridade quando diz sim para as pessoas, pois, como falado anteriormente, o que te torna uma autoridade é o peso da palavra, da sua opinião e logo, o seu poder de decisão, de escolha, como determinante.

E, mesmo assim, está cheio de bobo por aí – gente medrosa – se achando muito soberbo e se sentindo muito satisfeito com sua postura astuta, dentro da própria ignorância de que, ter poder, é não ter coração. 
Até parece que eles não sentem falta de alguém pra dividir as tardes de domingo...

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

As coisas grandes são as pequenas.

As pessoas acham importante ser grandioso, fazer grandes coisas, conhecer muitas pessoas, viajar para muitos lugares e ter uma carreira fantástica e admirável, e se importam tão desesperadamente, com tanta pressa e tanta urgência, que esquecem o quanto é grandioso pôr atenção nas coisas que a gente chama de pequeno, aquilo do dia a dia, aquilo que é sutil.

Como você é grandioso se não for constituído de vários pequenos feitos, atitudes e passos? Como quer ser grandioso – glorioso – se não dá glórias (não estamos falando de frequentar quaisquer lugar religioso ou seguir quaisquer religião, apenas de agradecer, sem alardes, sozinho, sincero, pra você mesmo, de coração) por acordar saudável todos os dias, por saber que vai fazer três refeições, que têm água limpa e tratada disponível para beber, para tomar banho? Pense no quão simples isso é e no quanto é imenso esse privilégio. 

Como quer fazer grandes coisas se nem abre a porta quando – por exemplo  uma gestante, desconhecida, passa por você andando com dificuldade, com sacolas e exames nas mãos? Se, quando pergunta pro seu filho como foi o dia dele, quando ele começa a contar, você se dispersa completamente e o interrompe falando sobre algo completamente aleatório, paralelo, ao assunto? Ou você nem pergunta? 
Como quer grandes conquistas, se nem agradece a sua esposa ou marido pelo trabalho de cuidar da casa e fazer o jantar, educar os filhos de vocês na sua ausência (e fazer tudo isso, enquanto pode estar trabalhando fora também) e por cuidar do jardim?
Como você quer ser um herói se nem o é na sua própria história, se não é bom nem pra você mesmo?

Bom, conhecer muitas pessoas é o que você quer? Isso é bonito, você já conhece a si mesmo? Conhece seus pais, seus irmãos? Sabe quem eles são? Sabe o que os faz felizes? Quando sabe, se importa em descer do salto por coisas bobas, sabe ceder, por quem está com você? Sabe conviver em harmonia, conviver bem, com quem não é como você? Ou melhor, sabe conviver bem com quem age de maneira semelhante a sua?
Sabe  o que, verdadeiramente, te faz rir, ou te faz feliz, e o que você faz na sua vida, não por amor ou espontaneidade, mas sim pra impressionar pessoas que, na maioria das vezes, você na verdade nem gosta? 
Estar entre bastante gente não é conhecê-los, você passou toda a vida com você e a cada dia  e, ainda, somente se, prestar atenção a si, ao que pensa, faz e ao que sente, e, somente, se for honesto com você quando o fizer descobre algo novo, ou até antigo, sobre si mesmo, e se conhece um pouco mais. Isso é conhecer alguém, começar com você. Parece bizarro, não? Geralmente a gente foge disso.
Se, depois de ter consciência disso, você ainda quer conhecer muitas pessoas, então você realmente o quer. Isso é uma atitude legal, e corajosa. Boa sorte.

Quer conhecer muitos lugares, viajar pra Europa, pra Oceania, que incrível! É bonito mesmo querer ver o mundo, outras culturas, realidades, outros cotidianos, outra paisagem... 
Mas você conhece a sua? Se não conhece, como está com a ilusão que vai saber admirar o que vai ver lá fora? Você vai comparar – não com desmerecimento, mas apenas comparar  a quê?
Você nem viu o quadro novo na recepção do seu escritório, nem viu que há uma rampa para deficientes no prédio, nunca entrou na piscina do seu condomínio, estava muito mau humorado pra ver que os botões de flores da árvore ao lado daquele semáforo pelo qual você passa todos os dias, abriram. E quer viajar o quanto puder. O que você espera ver lá fora, na cidade vizinha, no litoral ou do outro lado do mundo, se seus olhos estão fechados em qualquer lugar? 

Você quer uma carreira fantástica. Quer ser admirado, aplaudido, tudo bem, aplauso geralmente está associado com vitórias mesmo. Não pela vaidade, mas pela conquista, e pelo trabalho por trás da conquista.
Que lindo objetivo, você quer crescer como pessoa. Apenas lembre do equilíbrio, de tanto querer ganhar a vida, esteja atento pra não acabar perdendo-a. 
Concordo que ainda faz algum sentido que faça parte de fases da vida, não ter vida. Ser vestibulando, por exemplo. Você está com pressa, tem certeza do curso que quer, não liga em debater sobre como o sistema funciona, apenas se encaixa a ele e pronto, você está na faculdade, seus pais estão orgulhosos, ufa, você passou, vai ser alguém na vida, agora pode descansar, olhar o azul do céu, sorrir enquanto sente o cheiro do almoço de domingo sendo preparado, que fome, está quase pronto. 

Parece dramático falar assim, não? Pois é, tudo que é falado desse jeito, aberto, que tenha a ver com sentimentos acaba parecendo assim hoje, a gente não está acostumado a falar dessas coisas. 
Da vida, de família, de nós.

As coisas grandes são as que, por algum motivo bobo – inventado por gente com prioridades egoístas até com si mesmos, por gente que não se permite  chamamos, hoje, de pequenas. Aliás, são elas que são incomuns de se fazer, no fim das contas, elas é que são desafios.

Ser uma pessoa verdadeiramente grandiosa, está em ter coragem para dar existência, importância, a essas pequenas coisas, está em se dispôr a dedicar-se fazê-las bem. Só alguém grande vê beleza onde quase ninguém vê, a gente já sabe que vemos as coisas não como são, mas como somos, quanto maiores formos nas coisas pequenas, maior vai ser o nosso mundo, que, na realidade, é tão pequeno.



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O Bobo, o Palhaço e o Malabarista.

Moravam, numa casa engraçada, três artistas circenses. Eles gostavam de jazz, comida italiana, filmes nacionais, praia, chinelos de dedo e de receber outros amigos artistas em seu lar, nas tardes de domingo. Eram esses artistas, o Bobo, o Palhaço e o Malabarista. E eles eram assim:
O Bobo vivia perguntando o porquê de os problemas que os outros dois tinham em suas vidas existirem em suas vidas, exigindo soluções imediatas, lógicas, claras – com tom condenatório, exigia respostas sobre as questões de coração e vida dos demais, enquanto ele vivia fugindo de estar diante da busca das próprias – ele tinha medo de ser Ser Humano, o Bobo não gostava quando alguém demonstrava que o enxergava com o coração ou lhe dava atenção, ele ainda estava aprendendo a reagir a simplicidade, bondade, gentileza, a uma intenção só. De alguma forma, isso o deixava constrangido e ele procurava repelir essas coisas. Já o Palhaço, estava sempre com alguma piadinha, o que podia incomodar os mau humorados, mas estava sempre procurando ver o ridículo de cada situação para rir um pouquinho dela e solucionar a vida com mais humor – era o que ele reconhecia de amor.
Mas esse Palhaço... Ah! Se importava tanto com seus dois amigos, que nem dava espaço e tempo pra que eles mesmos pudessem se importar com as próprias vidas, estava sempre ali, beirando a margem de seus dias, espreitando algo para dizer, sem filtro algum. E, adivinhe o pior? O fazia com toda a boa intenção! O Palhaço os punia, abrindo as portas dos quartos de manhã, como quem diz que não há tempo a perder, quando, na realidade, não havia tempo sendo perdido se existe a veracidade no que diz que cada um tem seu próprio tempo. Ah! Aquele amigo Palhaço, ele não entendia mesmo... 
Os três eram pessoas perfeitamente imperfeitas, cada um tinha os seus pecados. O que os fazia divergir era que, enquanto o Bobo e o Palhaço ficavam questionando e tentando impor mudança ao que viam como defeitos em seus companheiros, o Malabarista ficava calado. É que ele já agia de outra forma, tentava entender os outros dois e ser carinhoso com ambos, mas quase nunca dava certo.
O Palhaço, por vezes, aceitava seu carinho sincero e sutil, mas o Bobo... Ah, o Bobo só ficava fazendo o que sabia de melhor, se fazer de bobo!
O Malabarista tinha compreensão que a autocrítica pode ser muito dura e que não é todo mundo que se aceita de coração – e de peito aberto, pra quem quiser ouvir  o que, naquele momento, realmente é.
O pecado do Malabarista era querer ser malabarista, as pessoas sempre interferiam achando que podiam julgar com exatidão  ah, e claro, com, também, toda a razão do mundo  estarem certas sobre ele estar errando muito com si mesmo ou não estar sendo o que deveria ser. Oras bolas, dizer pra outra pessoa além de para a figura no espelho que ele vive sua vida errado... Era o tipo de prepotência que o Malabarista achava engraçada! Como esbravejar com uma pessoa que não tem olhos pra própria vida ou pra quem – naquele momento, e realmente – é?
Oh céus! Só não sendo um pouco palhaço pra não rir disso...





quarta-feira, 16 de setembro de 2015

As pessoas quase nunca sabem as respostas das perguntas que fazem sobre a própria vida, intimar alguém a responder as delas parece patético, não?

domingo, 13 de setembro de 2015

Metáfora de amores e cappuccinos

Com o cappuccino quente nas mãos, numa tarde  de ar monótomo e tranquilo  em que estava chovendo, lembrei daquela noite, em que, deitados na sua cama, no escuro, a gente olhava um pro outro.
Lembro que você sorriu pra mim, e, lembro também, quando sorriu, mantive a mesma feição   calma e séria  mesmo já tendo te devolvido e dado tantos sorrisos, naquele instante daquele dia, continuei só te olhando.
Passou um tempo. Depois de todos esses anos, três, sozinha num quarto há quase uma milha do primeiro cara que me acompanhou pelas ruas de mãos dadas, imersa na lembrança, me peguei sorrindo pra parede.          
Finalmente sorri pra você de volta.
Estava morto, gelado, pálido  o amor morreu, deixei ele partir. Estava aquele coração, que batia por você, desmantelado, e, bem, isso não era mais ruim. 
Coração esse, morto, pois só vivia e bailava voraz e alegremente no passado, onde ele começou a bater com mais carinho quando pensava em você.                                                                          
E estava morto pois, agora, se sentia saudade. Mas só saudade, não havia o que me indignava e fazia espernear, como criança mimada. É que não havia mais nada que se precisasse aceitar ou que se queria nas mãos. Mais precisamente, nos braços.
Minhas lembranças onde seu olhar, beijo, e cheiro se fazem presentes, podiam descansar em paz agora.
Enrolada, no cobertor fino e macio sobre a própria cama, olhei a xícara, que tinha pouco menos que um bom gole, e que, mesmo quase vazia, ainda se mantinha quentinha.
É, olhei o objeto entre minhas mãos, ele me era familiar a uma história que tive com certo alguém.
Na xícara quase não tinha mais o que beber, eu não tinha mais nada pra degustar, ou só tirar, dali.    
Sem nenhuma prova de que existiu um cappuccino la dentro senão as sutis marcas de espuma na borda, finalmente criei coragem pra esvaziar completamente aquela antiga xícara, e tomar o singelo último gole, gole pequenininho  mas gole que, mesmo pequenininho, ainda existia pra beber.
Era a despedida serena e sincera que faltava pra fazer, aquela que você só tem que admitir pra si mesmo.
Em um instante seguinte, virando o rosto pro espelho em frente a cama, me flagrei com um acessório a mais – bom, eu pelo menos não costumo achar que ele faz falta no meu dia a dia – um fino bigode branco. Olhei o espelho. Me olhei.
Sorri de volta, e dessa vez foi pra mim.

terça-feira, 8 de setembro de 2015


Banda do Mar - Dia Clarear

Pais e filhos

Estava um dia calmo, ensolarado, com cheiro de chuva e pouco movimento na rua.
Sentada no restaurante, lá pelas 11:30h, diante do próprio prato, ela almoçava sozinha.
Ergueu o olhar para o que estava ao seu redor, viu muitos pais com seus filhos e filhas.
Em algumas mesas, só as mães com seus pequenos, em outras, só os pais, em, ainda outras mais, toda a família dos três ou quatro indivíduos – o clã todo reunido.
Viu um menininho fazendo caretas para a mãe, enquanto essa retribuía a brincadeira, dando risada.
Observando eles, assim de longe, começou a pensar no quanto é importante ser mãe ou pai.
Importante, pois é. A tendência – não regra – é crescer e endurecer, ter um filho traz toda a brincadeira, pureza e alegrias simples de volta.
Sim, responsabilidade e maturidade, com certeza, mas com leveza, doçura, meiguice. 
A ingenuidade aparece de volta.
Traz pros pais infância, adolescência, jovialidade – juventude. Mas por uma outra ótica, deixando os pais, claro, em outro papel diante dessas fases. 
Dessa relação, sei sobre a parte de ser filho, no meu caso, filha. É um pouco mais complicado que ser ou ter filho, isso sei também.
Quantas vezes não ouvi meus pais me comparando a eles mesmos quando tinham a minha idade... 
Ser pai deve fazer a gente aprender tudo de novo sobre algumas coisas da vida, mas dessa vez – como pais  com mais sabedoria, compreensão e amor. Os olhos devem ser mesmo outros.
Segundo a sociedade, o que não inclui só o lado de fora de casa, os pais são as pessoas que mais nos amam no mundo. 
Quando eles dão um conselho errôneo ou fazem algum comentário precipitado – qualquer fala que em algum momento não caiba – sério, eles realmente tentaram acertar. 
A gente, filho, julga muito os nossos pais. 
Mesmo não admitindo – as vezes nem pra nós mesmos – temos em nossos pais uma figura tão forte de heróis, onipotentes e pessoas incríveis, dessas de se admirar, que quando eles erram e se mostram humanos como a gente, ficamos surpresos, e as vezes até nos negamos em acreditar na – natural – existência da falha.                             
"Não, não é possível, a mãe fez isso por mal..."
"Ah o pai não ia fazer isso por falta de atenção, ele não liga!"
Se a gente soubesse o que é ser pai quando somos filhos, íamos compreendê-los muito mais. O problema nas relações de pais e filhos (desconsiderando e deixando de abordar tipos e diferenças de personalidades e outras divergências quaisquer, como um pai liberal ter um filho conservador ou vice versa, por exemplo) geralmente é esse, os pais sabem o que é ser filho ou filha, mas não param pra pensar que, além de não precisar ser igual pra nós ao que era ser filho pra eles, nós não temos vivência alguma de o que é ser responsável pela vida, criação e formação de alguém. 
Nós, filhos, não sabemos como é trabalhoso, pois independente dos muitos prós que existem, ser mãe ou pai ainda é ser responsável por uma vida, ainda é amar incondicionalmente. 
E amar incondicionalmente é se importar de todo o coração. Para quem é pai, isso não deve ser leve quando seu filho não passa por momentos bons. 
Nós, tanto pais quanto filhos  seres humanos  somos tão egoístas que tudo que não compreendemos com obviedade nos repele, fazendo-nos enxergar a pior das intenções onde existe a melhor. Mal compreendida, mas a melhor. Quanto mais a gente entender que cada um vai manifestar um mesmo sentimento de maneiras diferentes, cada um com sua forma, mais vamos ver como existe amor no mundo, e dentro de casa. 

Nessas horas, que a gente fala de assuntos do coração, é um privilégio ter – pois os bons estão vivos ainda, mesmo depois de mortos, pois, eternizar-se, é uma questão de viver com amor – artistas que entendem de amor, se a gente parar pra ouvir com atenção, eles começam a ajudar a gente a entender também.

Legião Urbana – Pais e filhos
Você me diz que seus pais não entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você,
O que você vai ser quando você crescer.






domingo, 30 de agosto de 2015


Zedd - I Want You To Know ft. Selena Gomez

Ninguém nasce burro ou inteligente, mas sim com o livre arbítrio de escolher quem e o que é e quer ser. (para um mundo melhor, falta vontade, não recursos I)

Burrice não é questão de capacidade – capacidade é limitação, e quem se limita ou ilimita, bom, é cada um, quando escolhe permanecer raso sobre um assunto ou dedicar-se a pesquisa e entendimento do objeto ou conteúdo estudado – é questão de saber ser ignorante e ignorar a sua própria ignorância, sem fazer questão alguma de conhecer algo, mesmo aquilo que te desagrada.

O ser humano só odeia, detesta e repudia aquilo que desconhece (é claro que você pode, por exemplo, conhecer o que é violência e repudiá-la, mas estamos em outro contexto) e só ama, admira e se aprofunda no que conhece, temos preguiça do conhecimento e de admitir a existência da diversidade. 
Diversidade aliás, que não é inválida por ter uma natureza que diverge da nossa – da minha, da sua, em forma de agir, pensar, ser. O mundo também é mais bonito com aquilo, com isso, com aquele cara ali, que não é parecido com você.

Quantas vezes você vê numa roda de amigos alguém soltando um comentário racista, homofóbico, e aí um deles interfere dizendo que tem um amigo ou familiar que se encaixa no alvo de preconceito do comentário e, em seguida, o autor deste se desculpa? Pois é, a gente já viu essa história varias vezes. A gente só tem empatia com o que, de alguma forma, está próximo de nós – ou entendemos estar próximo, pois sempre está, mas nós fazemos nossas classificações e criamos as distâncias. 

Nacionalidade, regionalidade, hereditariedade, origem étnica (a tal aparência de olhos puxados, cor etc), idade, profissão, cultura, status social, vestimentas, orientação sexual entre outros são as determinantes dessa distância  que existe por que nós a inventamos e colocamos lá. São apenas pretextos para que aquela pessoa – que não se encaixa dentro do que é semelhante a nós mesmos – não mereça nosso tempo ou respeito. 
Aliás, quem é aquele fulano ali, mesmo? 
No fim das contas é um pretexto pra ser medíocre e tentar justificar que o desprezo pelos demais é aceitável se "as circunstâncias o pedirem" 

Ela é garçonete, a outra é stripper, é claro que eu não vou respeitar uma dessas aí! 

Ah, ele é pedreiro, o irmão caminhoneiro, esses nem gente são, esses caras nem sabem o que é trabalhar...

Mas quem cria circunstâncias e dá importância a elas o suficiente para que haja, entre as pessoas, a – nesse contexto  distância? 

Além disso, a história deles é diferente da sua, como foi a infância deles? Como é a família? Como foi a formação acadêmica, a época no colégio? Eles tiverem o que você teve? Uma mãe carinhosa, um pai honesto e com disciplina no trabalho, roupas novas, limpas, um quarto cheio de brinquedos, amigos, pais com uma vida social saudável, pessoas livres de vícios na família, dois carros na garagem, uma boa educação, esporte presente na vida, avós próximos, pais associados a um clube de campo... Enfim, uma vida propícia ao sucesso. 
(Sim, somente propícia, pois assim como filhos de uma empregada doméstica, de uma stripper ou caminhoneiro podem vir a se tornar adultos bem sucedidos, médicos, atores, advogados, engenheiros, o que for... Filhos de adultos bem sucedidos também podem vir a se tornar pedreiros, caminhoneiros ou garçonetes. A questão é as circunstâncias serem favoráveis a isso ou não, mas o que cada um se torna, sempre é, conscientemente ou não, escolha de si mesmo)

Mas e quando você passa a ter consciência que aquele negro, gay, lésbica, ou pessoa pobre que passa ali na rua, como um desconhecido pra você, é amado por alguém? Também tem uma família, amigos, células, um corpo e mente que precisa ser nutridos e cuidados, fome, sede, necessidades básicas, uma história, sentimentos, existência, importância. As pessoas costumam dizer que não respeitam, não confiam um mínimo e não sorriem para desconhecidos pois tais nunca fizeram nada para eles, ora pois, e não é por isso mesmo que é muito mais natural dar um sorriso, respeitar e dar um pouco de credibilidade? Ele nunca te fez nada.

Não estamos falando de imprudência (quando citei a credibilidade para com desconhecidos), não há aqui uma sugestão de estupidez, mas sim de não ter tantas cascas com as pessoas a nossa volta no nosso cotidiano – os colegas de trabalho, de faculdade, de colégio, quem passa por você no dia a dia – nós não sabemos quem são aquelas pessoas, a única certeza é que eles existem, que alguém sente saudade deles, que alguém dá gargalhadas quando eles conversam, que eles tem seus gostos, desgostos, desejos, filmes favoritos, bandas e músicas prediletas, que tem suas preferências culinárias, que, como você, não acham agradável estar num metrô ou ônibus saturado de gente, que, mesmo podendo levar uma vida saudável, tem um fraco por chocolate, que ele quer chegar em casa e se esticar gostosamente no sofá no fim do dia – que ele tem vulnerabilidade e carinho dentro de si, que é um ser humano igual você, igual eu, igual seus pais. 
(Assim como os alvos daqueles amores platônicos também são pessoas cheias de características admiráveis e falhas)

Sério, igualzinho, eu sei que as vezes – as vezes, até muitas vezes – parece que não.

Os gostos do outro, como a afinidade com gêneros específicos de cinema ou o paladar gastronômico, não tem que ser nadinha como os seus pra serem bons, pra serem válidos, pra serem especiais. Pra ele é, então é. Você não tem que concordar, não existe uma verdade absoluta, por exemplo, sobre qual é a melhor banda. Melhor no que? Um vai achar importante que o grupo musical tenha músicas com boas letras, outro, que tenha boa melodia, outro, bons videoclipes, mais um outro, que tenha um bom figurino e coreografias nos shows. O aspecto que te chama atenção é diferente do que chama a atenção do outro, cada um tem e faz suas prioridades.

E não cabe a ninguém querer impor as suas – prioridades e importâncias – isso é burrice. Se você está impondo, é por achar que precisa impor, e se precisa impor, é porque há algo que diverge, há diferença entre você e a pessoa a qual você está impondo, se há diferença, ela não é como você – a atitude de se impor já deixa incontestável que você reconhece a existência da diferença – nessas horas, o que mais caberia como conduta inteligente, sábia, seria reconhecer a individualidade (não individualismo) desse outro, e não ter a ignorância de, enquanto reconhecendo essa individualidade, estar impondo a sua, fazer isso é ignorar sua própria ignorância sobre aquele outro, em outras palavras, está querendo que o que engloba sua esfera de vida – suas verdades, sentimentos, história, formação como pessoa, preferências etc – sobreponha o que engloba a dele, essa atitude afirma que a sua tem uma importância maior, só por ser a sua. Além de burrice, isso expõe egoísmo. 

O mundo já seria muito melhor que o que conhecemos hoje, só por não ser tão duro, se reconhecêssemos a importância que o outro, a diferença, as diversidades e peculiaridades tem. 

O mundo não é duro, cruel, frio e calculista. O meio é produto do homem, não o contrário. Isso induz a concluir que as pessoas sejam duras, cruéis, frias e calculistas, mas não, não são. Esses são tipos de persona adotada pelos covardes e inseguros – não estamos sendo pejorativos aqui  pessoas que preferem se manter rasas ao invés de mergulhar e se submergir dentro de si mesmos, fingindo não ter interesse, ou a existência de mais sobre quem eles são além do que parecem ou pensam ser, quando na verdade, o fazem por medo do que vão encontrar, sabem que ampliar a consciência, e acordar para si, dói, ainda mais eles, que tem muito do que sentir remorso. 

A bondade vem com o despertar da consciência, é por isso que apenas pessoas fortes – não por nascerem assim ou terem sido  incentivadas a ser, mas por terem escolhido ser – são boas, bondosas. 

Mas, usando o termo anterior, como sua esfera vai ser respeitada e reconhecida se você mesmo não souber o que a engloba? Para respeitar, reconhecer a importância e a existência do outro, temos que admitir a nossa existência e importância e respeitar quem somos e almejamos ser, logo, somos apresentados à possibilidade e oportunidade de autoconhecimento.

Bondade é um dos caminhos do Amor, e Amor não é pra gente fraca, ele é cheio de altruísmo.
Amor é o sentimento mais nobre, e ele está ao alcance de absolutamente todos – todos que o querem ao seu alcance e no seu caminho – cabe a cada um, ao longo de sua estrada, escolher se quer, ou não, ser nobre de coração.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Vida simples - viva o agora, o que você vai fazer hoje?

Combatendo a Ansiedade (Professor e biólogo Paulo Jubilut)

Abordando, de uma maneira interativa e com ampla perspectiva, primeiramente a ansiedade (da qual, inclusive, ele falou muito bem, com propriedade e clareza), tal assunto - ansiedade - acabou estando ligado a diversas circunstancias externas e vários outros fatores (fatores esses, que temos poder de conduzir, como alimentação, sono, atividade física, pensamentos a longo prazo, pessimistas etc, excelente vídeo),  falou dos padrões impostos pra nós, sociedade ocidental e oriental, a rotina acelerada e atropelada que fomos criados para ter como normal, quebra de paradigmas, falou da natureza do ser humano, que envolve amor, calma, gentileza, afeto e contato realmente com a natureza em si, enfim, não falou pouco mas falou bonito - o professor cita também a pratica da Yoga, muito show.
Mas, bom, essa é minha interpretação e recepção do que foi falado nesse link ai em cima, talvez você até enxergue mais coisas.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Silencie o mundo lá fora, inclusive o de casa.

"Esquenta é programa de gente alienada", "Plim Plim, alienação, a gente vê por aqui", "Pff, sertanejo é coisa de gente burra mesmo", "Olha o cara querendo dar uma de cult ouvindo Caetano", "PT é coisa de pobre e idealista comunista né", "PSDB é um monte de coxinha alienado","Ah, a minha vó só assiste novela, alienada demais", "não, não me considero alienado, eu leio e estudo muito pra isso, alienação pra mim é ignorância" etc, etc, etc.

Das várias e diversas polêmicas com que nos deparamos no nosso cotidiano, vemos muito sendo falado a respeito de alienação, vemos debates e definições dos muitos conceitos que os diferentes grupos sociais têm de o que ela seja, aqui vai o – nem certo, nem melhor, nem errado  meu.
Não ser alienado não é dar atenção, audiência e repercussão para o que é contra o que é clichê, para o que não é popular ou até mesmo o que fala diretamente sobre a oposição ao que chamamos de alienação. Mesmo assim, quando você faz isso, está sob a influência de uma ideologia – está alienado está incluído numa massa que compartilha um pensamento que é, em muito, semelhante, está escolhendo ir pro preto ou pro branco, pra um dos extremos.

Não ser alienado é passar tempo com si mesmo sozinho.

Vamos supor que ser alienado, favorável a tudo que é visto como clichê, seja estar num lado que vamos chamar de branco, e que estar de acordo com as ideologias contra a alienação e o comum clichê seja estar do lado preto.
Einstein já dizia que, quanto mais tempo o indivíduo passasse por si, menos provável seria que ele se deixasse levar pela sociedade. Einstein foi Einstein, sabia que havia, de fato, um motivo para que o que chamam de solidão não fosse algo ruim, na verdade, pelo contrário.
Não ser alienado é habitar a área cinzenta de pensamento, aquela que precisa de um pouquinho do preto e do branco para ser o que é – cinza.

Não ser alienado é passar seu tempo em silêncio, não com essa TV ligada 24h no canal que passa aquele programa sátiro ou sensacionalista criticando o governo, ou naquele canal onde você vê programas que debatem e apoiam ferozmente o feminismo. Não é ouvir bandas alternativas e MPB que quase ninguém conhece ou ouve.

Não ser alienado é passar um pouco do seu tempo em silêncio – as vezes nem naqueles minutos antes de dormir as pessoas o fazem.

Você já tentou fazer isso? Já imaginou qual ia ser o barulho da sua mente se você silenciasse a TV, o celular, o rádio e o seu MP3? O que ia vir na sua cabeça quando você não estivesse perto dos pais, amigos, familiares e colegas de trabalho com quem você se importa em conviver bem e até mesmo agradar? O que você realmente pensaria se não tivesse que se preocupar em evitar um conflito, discussão ou divergência com alguém do seu círculo de convívio? Quem ia ser você se você não tivesse medo de não se identificar com um grupo?

Vez ou outra, silencie o mundo lá fora, que inclui também o lado de dentro da sua casa, vai ficar surpreso com o que você tem a (te) dizer.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Ano de mudança. De cidade, estado estado mental também – de casa, de gente com quem conviver dentro de casa, de início de pré vestibular, de saudade de quem ficou por lá mesmo na cidade que ela deixava pra trás. 
Em meio a ciência que ela tinha de sua necessidade de adaptação dali pra frente, o único pedido que fez sinceramente pros anjos lá no céu foi por um amigo – um ombro, um confidente, bastava, só um – pois é.
Ficou surpresa quando, no seu novo lar, ao passar do tempo, esse amigo – mais brincalhão, franco e leal – por quem pediu, acabou sendo o seu pai.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O crescimento só é real quando você não deixa de ser quem é, mesmo sendo cada dia mais consciente do que ontem.

Sua comoção com o que é grandioso – seu reconhecimento de pessoas que, em vida, foram fantásticas e bondosas para com os demais de nada vale se na sua própria vida você não aplica nem os pequenos passos.
O mesmo serve se você admira pessoas que foram, ou são, grandiosas apenas materialmente um grande empresário ou uma figura pública de bastante influência, popular.
Esteja atento a estar dando os pequenos passos, a ordem na qual crescemos é sempre respectiva e razoável – há uma razão para (mesmo que ás vezes tenhamos pressa ou não a compreendamos).
Comece, por você, a dar importância para as grandes conquistas – palpáveis ou não  tenha interesse em um dia poder afirmar que você é alguém que admiraria, tenha a consciência tranquila a respeito de fazer o seu papel, a sua parte, nos meios em que você interage. E mantenha seu coração leve, não se vanglorie, isso é perca de energia, tempo e utilidade.
Mas, eis o fundamental, não se force a agir com uma determinada postura motivado pela admiração que nutre por ela, e nem a busque por almejar aplausos, a conduta de cada um resulta em bons frutos (bons no sentido de serem certeiros de acordo com o que cada um deseja como reação) quando serve como uma roupa do tamanho certo, respeite seu próprio tempo, mesmo que pra você ele pareça devagar – em relação a primeira situação, por exemplo, uma atitude boa sem espontaneidade e naturalidade perde sua essência, seu efeito e sua finalidade.
Seja sempre você mesmo, mas nunca perca o interesse em ser diferente do que foi há algum tempo atrás.
Crescer é isso.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

O outro lado da moeda, que existe e geralmente ninguém vê.

Vez ou outra vemos por aí tal frase que nos diz que nos preocupamos tanto com besteiras que esquecemos de nos importar com que é importante, relevante.
Pois é... As vezes podemos confundir o que faz a vida valer a pena (ou até esquecer de pensar nisso), o que vai trazer bons frutos, com o que é inteligente usarmos nossa energia e nosso tempo.
Mas a gente esquece de falar do outro lado da moeda – lado esquecido, mas não menos considerável de quem vive em prol só do que é importante e relevante, e esquece de fazer bobeira de vez em quando, esquece das besteiras, das risadas sem motivo, de aprender com os erros ao invés de ficar sempre na área segura de não fazer nada novo, de não se levar a sério, dos desabafos dos amigos, das festas juninas e julinas do colégio ou da faculdade, dos palavrões e xingamentos falados entre risos – o famoso rir pra não chorar – de comer um brigadeirão, um fast food, de se sujar com a comida e não se constranger com isso, mas fazer piada.
É, esqueceram de falar do outro lado da moeda, que é tão grave quanto o só ocupar seu tempo se preocupando com besteira. 
No segundo trailer oficial do novo filme baseado no livro de John Green, Cidades de Papel, dá pra ver claramente essa situação, onde se trata de falar sobre esse outro lado, essa forma de agir que ninguém critica, vê problema ou risco (representada pelo personagem Quentin) e do choque entre os dois extremos desses estereótipos, Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman.
Cidades de Papel | Segundo Trailer Oficial Dublado | HD 
E é mesmo mais fácil ser assim, não se conhecer, não viver experiências que não estão entre o que está dentro de um comportamento e conduta exemplares, ser o queridinho.
Não, calma, não estou dizendo que é ruim ser assim, como dizem, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, existem seus ganhos com isso, faculdade em seguida da formação no colégio, postura propícia pra um bom relacionamento com os pais, elogios dos familiares sobre os planos pro futuro – aquele clichê tapinha nas costas nas festas de fim de ano – saber a alegria tranquila que é passar um sábado em casa com os amigos comendo pizza e vendo filmes ou jogando videogame, ter a consciência geralmente limpa por só fazer algo com a certeza e exatidão do acerto, nunca estar em um clima ruim com alguém, ter um ótimo raciocínio lógico – você gosta de palavras cruzadas e matemática – se sair, poder ir a qualquer lugar pois não se preocupa em evitar uma ex namorada. É, é claro que tem vantagens, estabilidade costuma gerar esses aspectos favoráveis.
Não defendo ou apoio a libertinagem, ela é uma prisão tão real como andar sempre na linha, mas a liberdade sim, ela é fantástica, e está atrelada com respeito a si próprio, ao seu tempo, ao que não é violência contra você contra seu corpo e quem você é ao que te faz verdadeiramente bem, ou só ao que te traz mais conhecimento e mais bagagem cultural, histórias que vão valer a pena contar.
E é o fato de o mundo ser tão grande pra nós que me estranha essa ideologia, esse viver em prol só do que é importante e relevante, viver sempre assim, com essa ausência de avidez por novidades, pessoas, lugares, receitas, filmes, mudanças de hábitos, e achar que isso é tudo, é limitar uma vida toda. Limitar-se a só saber falar disso e daquilo, a só se interessar pelo que você sempre se interessou, a achar que há algo errado com você e a sua vida por não namorar, a não conhecer religiões de outras culturas, a só ver beleza no que tem glamour, a não ler biografias, só ver possibilidades onde elas são óbvias – como uma entrevista de emprego, uma audição, um vestibular a falta de ciência de que você é um cidadão do mundo, e não da sua cidade ou bairro, ou país.
Tudo isso te faz perder muito, e você nem faz ideia, aliás, como de costume, está ocupado demais pra pensar em besteira agora.

terça-feira, 9 de junho de 2015

We can be heroes, just for one day

Olhou pela janela – nessas horas era uma vantagem morar no sexto andar aquelas luzes lá longe, estranhamente alinhadas de uma maneira aleatória que caiu tão bem, que vista.
A cabeça transbordava com mil pensamentos, os ouvidos ficavam atentos ao silêncio do começo da noite, a mão estava coçando, o corpo inquieto, sentiu um tremor dentro de si mesma, ela queria agir. Queria ser ela. Com tudo incluso – é, tudo incluso, incluindo o empenho nos estudos. Não era muito a cara dela, mas era fundamental pra dali um ou dois anos, ela estar onde queria, fazia parte do ser ela
Que merda, agora tudo que ela queria era estar enroscada com algum cara cheiroso – é, primeiro vem o cheiro, depois a beleza – por aí, estar dirigindo noite adentro num carro carismático – podia ser um fusca, uma caminhonete antiga com um bom motor pra ver lugares que pouca gente conhecia, viajar pra cidade natal e chamar uns amigos pela janela do quarto, partir pra um grande salão com música alta e rostos desconhecidos com quem dançar. Viajar de novo, juntar todo mundo, encontrar uma casa grande, com piscina, fazer uma festa pra comemorar o quanto eles podiam agir estupidamente aquela noite.
Todo mundo tem vontade de não ser quem é as vezes. 
Não ter a idade que tem, nem os deveres, o pouco dinheiro, morar na cidade, bairro, estado, que mora.
E isso não tem nada a ver com não amar a vida, ou ser insatisfeito com o cotidiano, com como as coisas vão indo. Querer esses momentos intensos sem motivo algum não tem a ver com rebeldia, nem com fuga. 
Fuga seria não admitir esse desejo. E, chega mais... Vou sussurrar pra você... Querer isso de vez em quando não tem problema algum.
Tem tudo a ver com ser jovem. 
Com querer um amor adolescente que dure pra sempre.
Com acreditar em pra sempre.
Com rir de si mesmo.
Com confiar com facilidade nas pessoas.
Com não julgar os outros pelos seus momentos.
Com querer que seus amigos estejam sempre por perto.
Com desejar que o colégio nunca acabe.
Com saber que vai sentir falta de morar com os pais, mesmo as vezes não gostando de receber tanto cuidado e atenção.
Com pensar que, você, garoto, do lado da menina mais bonita da sala, pode acreditar que você pode ser imortal.
Com se sentir bem, mesmo no ambiente menos a sua cara, porque você tem aquele amigo do lado, se sentindo igual – mal, se estivesse sozinho (mas ele pode contar com você).
Tem tudo a ver com um dia de folga de quem você é hoje, de onde está, de quantos anos tem. 
Tem tudo a ver com um dia longe de você, e ainda sendo você mesmo.
Tem tudo a ver com se sentir infinito.