Não existe dor de amor. Nem coração partido.
Existe ilusão.
Existe luxúria.
Existe imaturidade.
Existe egoísmo.
Existe materialismo.
Existe desinteresse.
Existem prioridades.
Existe falta de reciprocidade.
Falta de atitude, falta de coragem.
E existe também o achismo errado de que um outro determinado coração fosse a metade do seu.
Mas no fim das contas, o que existe são ilusões que a gente mesmo alimenta. O que existe são erros humanos, não a ausência do Amor.
E seria muito egocentrismo e prepotência achar que o amor não existe quando na realidade se pensa assim tão somente porque ainda não o reconheceu ou o aprendeu.
É como ser daltônico e afirmar que não existe a cor verde, e, isso, apenas pois você não consegue enxergar.
Mas, neste planeta cheio de água e azul, muitas das coisas atreladas ao que nos proporciona e possibilita a vida, são verdes.
É.
Acaba que tudo se trata dos olhos de quem vê.
O verde está por aí.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
O melhor nem sempre é dar o seu melhor.
Muitas pessoas não sabem receber afeto.
Ou educação.
Ou imparcialidade.
Ou visões que priorizem causas, e não pessoas.
Ou uma intenção só.
E a gente, gente, sempre tenta fazer o nosso melhor.
Dar nosso melhor.
Oferecer para aqueles do círculo de convívio nossa face mais tranquila, leve, discreta, bem humorada, gentil, altruísta, brilhante, sensata, lúcida.
E, as vezes, aquele, que for o receptor dessa face, não sabe receber.
Não compreende a sinceridade da transparência do emissor.
Ou acha que, receber, apenas receber, reconhecer, torna ele responsável de ser de tal forma também.
Ou, acha que receber não se trata de receber, mas trata-se de ter que aprender a ceder por essa pessoa, como chantagem, barganha.
Ou, ainda acha que isso é a pessoa "esfregando no rosto dela o quanto ele é melhor e o quanto ele sabe que ele é melhor", como se a pessoa emissora formulasse uma personalidade em prol de ofender. É, tem gente - receptor - assim.
É como se, receber o melhor de alguém, dado gratuitamente e sem quaisquer compromisso, soasse como proposta de débito.
O ser humano já seria melhor se soubesse receber bondade.
Mas, tampouco sabe dar ela para os demais.
O mundo só é ruim diante dos olhos daqueles que não confiam nas próprias intenções para com as pessoas.
Pois, quando você toma para si, com naturalidade e por livre escolha, o dever de ser ético, coerente, confiável, fraternal, responsável e empático, o mundo é cor de rosa.
Pois, o mundo sempre será diferente perante os olhos de quem vê, e, quando você respeita o mundo, o mundo parece receber isso, e te respeitar também.
Mas, essa teoria da qual gosto de observar, possui uma margem falha.
Em um aspecto, esta mesma linha de pensamento se contradiz...
Pois, se o mundo é como o enxergamos, logo, como somos, quem não tiver dentro de si - nem por si mesmo - o respeito, por exemplo, este não vai respeitar nem o mais puro sentimento de respeito diante dele, sendo emitido por uma outra pessoa.
E isso só sugere apenas uma coisa, para aqueles que gostam de oferecer a própria face mais brilhante: reconhecer - com aceitação - o mundo dos outros, antes de tocá-lo com o nosso.
Cada um carrega em si um Universo.
E mostrar, um pouco ou muito, do nosso a alguém que não o entenda, soa como imposição.
Mas, claro, isso não significa ter que deixar de viver, de Ser o Universo que se é.
O que isso traz, no fim das contas, é a sugestão de conduzir nossas interações com prudência.
Universos são preciosos, e mostrar quem você realmente é para quem não gosta nem de si mesmo, é como jogar pérolas a porcos, que estão tão acostumados a se depararem só com a tal da lavagem - resto dos outros.
Diferente do que muitas pessoas falam, o Amor é o sentimento mais rejeitado no nosso mundo cheio de universos despreparados para recebê-lo e aprendê-lo.
Ser simples dá muito mais trabalho que qualquer outra coisa na existência, e, para aqueles incompreendidos, que já tem um pouco de simplicidade dentro de si, a lição é selecionar com quem Ser, aplicar, essa simplicidade.
As vezes, você ama, mas compreender, acreditar, ou acatar essa simplicidade, está além dos limites do ser amado.
E, se você ama, você preserva. Nem todos merecem - nem todos querem - aprender que existem pessoas que vivem uma realidade de vida sem máscaras.
Uma realidade onde pessoas estão bem com quem são e com as verdades da própria vida.
Que sabem se perdoar.
Que estão bem com suas falhas.
Que estão abraçando aprendizados.
Que, mesmo tendo bens materiais, estão desapegadas a eles.
Que, mesmo tendo desafios, se dispõe a adquirir sabedoria para enfrenta-los com calma, sem desesperos ou egoísmos.
Que são simpáticas, hospitaleiras, que tem o coração verdadeiramente aberto.
Que tem pessoas sem preços, sem suborno, existe estrutura, base, princípios.
Que essas pessoas são da forma que são sem fardos, que elas são felizes.
Quantas amizades durariam se não houvesse mais fofoca? Frivolidade? Difamação? Competição? Status? Conveniência? Oportunismo? Dificuldade de auto perdão? Clubes sociais? Necessidade de aprovação social?
A base dos laços, amizades, relacionamentos, é a identificação. As pessoas, pra se unirem, precisam identificar-se com seus próximos para estar próxima a eles.
Nem sempre, o nosso melhor, nossa face mais brilhante, é o melhor que podemos dar para as pessoas que a gente ama, o Amor respeita, e, se é Amor, de fato, ele não respeita apenas a o objeto de afeição, mas seus limites. E, as vezes, respeitar limites, inclui abdicar de soluções e coisas boas que se poderia expor, sugerir ou fazer.
Porque, no fundo, cada um sabe o caminho para buscar a solução para seus problemas, aflições ou dúvidas - hesitações. E, se esse um, realmente não quisesse mais seu problema, dúvida ou aflição, ele não o teria mais.
Então, quando a gente ama... As vezes a melhor conduta será o silêncio e um olhar, um sorriso.
As vezes, as pessoas querem falar - mas não fazer, não ouvir.
Falar, reclamar.
Apenas.
Do quanto tudo é injusto, ruim, errado e caótico.
Já falei nesse texto sobre a parte que vemos as coisas como somos?
Ou educação.
Ou imparcialidade.
Ou visões que priorizem causas, e não pessoas.
Ou uma intenção só.
E a gente, gente, sempre tenta fazer o nosso melhor.
Dar nosso melhor.
Oferecer para aqueles do círculo de convívio nossa face mais tranquila, leve, discreta, bem humorada, gentil, altruísta, brilhante, sensata, lúcida.
E, as vezes, aquele, que for o receptor dessa face, não sabe receber.
Não compreende a sinceridade da transparência do emissor.
Ou acha que, receber, apenas receber, reconhecer, torna ele responsável de ser de tal forma também.
Ou, acha que receber não se trata de receber, mas trata-se de ter que aprender a ceder por essa pessoa, como chantagem, barganha.
Ou, ainda acha que isso é a pessoa "esfregando no rosto dela o quanto ele é melhor e o quanto ele sabe que ele é melhor", como se a pessoa emissora formulasse uma personalidade em prol de ofender. É, tem gente - receptor - assim.
É como se, receber o melhor de alguém, dado gratuitamente e sem quaisquer compromisso, soasse como proposta de débito.
O ser humano já seria melhor se soubesse receber bondade.
Mas, tampouco sabe dar ela para os demais.
O mundo só é ruim diante dos olhos daqueles que não confiam nas próprias intenções para com as pessoas.
Pois, quando você toma para si, com naturalidade e por livre escolha, o dever de ser ético, coerente, confiável, fraternal, responsável e empático, o mundo é cor de rosa.
Pois, o mundo sempre será diferente perante os olhos de quem vê, e, quando você respeita o mundo, o mundo parece receber isso, e te respeitar também.
Mas, essa teoria da qual gosto de observar, possui uma margem falha.
Em um aspecto, esta mesma linha de pensamento se contradiz...
Pois, se o mundo é como o enxergamos, logo, como somos, quem não tiver dentro de si - nem por si mesmo - o respeito, por exemplo, este não vai respeitar nem o mais puro sentimento de respeito diante dele, sendo emitido por uma outra pessoa.
E isso só sugere apenas uma coisa, para aqueles que gostam de oferecer a própria face mais brilhante: reconhecer - com aceitação - o mundo dos outros, antes de tocá-lo com o nosso.
Cada um carrega em si um Universo.
E mostrar, um pouco ou muito, do nosso a alguém que não o entenda, soa como imposição.
Mas, claro, isso não significa ter que deixar de viver, de Ser o Universo que se é.
O que isso traz, no fim das contas, é a sugestão de conduzir nossas interações com prudência.
Universos são preciosos, e mostrar quem você realmente é para quem não gosta nem de si mesmo, é como jogar pérolas a porcos, que estão tão acostumados a se depararem só com a tal da lavagem - resto dos outros.
Diferente do que muitas pessoas falam, o Amor é o sentimento mais rejeitado no nosso mundo cheio de universos despreparados para recebê-lo e aprendê-lo.
Ser simples dá muito mais trabalho que qualquer outra coisa na existência, e, para aqueles incompreendidos, que já tem um pouco de simplicidade dentro de si, a lição é selecionar com quem Ser, aplicar, essa simplicidade.
As vezes, você ama, mas compreender, acreditar, ou acatar essa simplicidade, está além dos limites do ser amado.
E, se você ama, você preserva. Nem todos merecem - nem todos querem - aprender que existem pessoas que vivem uma realidade de vida sem máscaras.
Uma realidade onde pessoas estão bem com quem são e com as verdades da própria vida.
Que sabem se perdoar.
Que estão bem com suas falhas.
Que estão abraçando aprendizados.
Que, mesmo tendo bens materiais, estão desapegadas a eles.
Que, mesmo tendo desafios, se dispõe a adquirir sabedoria para enfrenta-los com calma, sem desesperos ou egoísmos.
Que são simpáticas, hospitaleiras, que tem o coração verdadeiramente aberto.
Que tem pessoas sem preços, sem suborno, existe estrutura, base, princípios.
Que essas pessoas são da forma que são sem fardos, que elas são felizes.
Quantas amizades durariam se não houvesse mais fofoca? Frivolidade? Difamação? Competição? Status? Conveniência? Oportunismo? Dificuldade de auto perdão? Clubes sociais? Necessidade de aprovação social?
A base dos laços, amizades, relacionamentos, é a identificação. As pessoas, pra se unirem, precisam identificar-se com seus próximos para estar próxima a eles.
Nem sempre, o nosso melhor, nossa face mais brilhante, é o melhor que podemos dar para as pessoas que a gente ama, o Amor respeita, e, se é Amor, de fato, ele não respeita apenas a o objeto de afeição, mas seus limites. E, as vezes, respeitar limites, inclui abdicar de soluções e coisas boas que se poderia expor, sugerir ou fazer.
Porque, no fundo, cada um sabe o caminho para buscar a solução para seus problemas, aflições ou dúvidas - hesitações. E, se esse um, realmente não quisesse mais seu problema, dúvida ou aflição, ele não o teria mais.
Então, quando a gente ama... As vezes a melhor conduta será o silêncio e um olhar, um sorriso.
As vezes, as pessoas querem falar - mas não fazer, não ouvir.
Falar, reclamar.
Apenas.
Do quanto tudo é injusto, ruim, errado e caótico.
Já falei nesse texto sobre a parte que vemos as coisas como somos?
domingo, 4 de dezembro de 2016
O contexto gentil que a morte traz
Muitos, todos aqueles por quem a morte passou por perto, tem uma realidade mais gentil.
Um pai ou mãe de um corajoso coração que acabou morrendo cedo demais.
Um avô que foi como um pai para aquele neto cujos pais se foram em algum acidente.
Uma tia que, junto com seu irmão, cuidou, fazendo o melhor que pôde, da sua sobrinha órfã de mãe.
Uma irmã prestativa e carinhosa que se foi durante um procedimento cirúrgico.
Uma avó, de ar suave e acolhedor, que não pôde ver o neto se formar.
De fato...
A morte e todo seu contexto é bastante gentil, ela ativa em nós o sentimento de reconhecer a fragilidade da vida, o quanto ela é preciosa e momentânea.
A ideia de pensar em quem devia ser aquele cara que participou do processo de te dar a vida, e te acompanhou até o momento que a vida lhe permitiu é hospitaleira, bonita.
Ver amigos antigos comentando a respeito da índole boa e delicada de quem foi a nossa mãe...
Ouvir parentes contando situações familiares dosadas de grande senso de humor sobre aquele pai, e sentindo falta dos motivos bobos de discussão.
Quando é lembrança não se sente a convivência, não se sentem os bobos incômodos, só se sente amor.
Aliás, foi tão passageiro.
A vida já não traz essa sutileza.
A morte, por outro lado, preserva as coisas, e conserva amores.
Pois, até então, nós, só humanos, acreditamos que não se escolhe partir, e é nostalgicamente bonito reconhecer a grandiosidade de algo Maior sobre nós e nossos caminhos, além de nossas vontades pessoais, que são, muitas vezes, triviais.
A morte traz um sentimento geral e incontestável de sensibilidade, de um lampejo de fé.
Ela soa muito mais agradável comparada a um pai ou mãe vivos que não são presentes com os seus filhos, ou que negaram se dedicar a construção do amor um para com o outro.
A morte soa muito mais leve, comparada a uma mãe vaidosa, fútil e desinteressada.
A morte soa mais calma, que um dia a dia com um pai estressado, de condutas violentas e camaleônicas, como um político, que é um alguém diferente dependendo da companhia.
É muito mais natural alguém ter vontade de abraçar a história de alguém cujos pais, irmãos, avós, faleceram, que ter proximidade com alguém de pais, camufladamente ou não, hipócritas, soberbos, negligentes, irmãos que difamam-se ou ridicularizam-se publicamente, avós que contam dias recheados de inventadas situações negativas, por necessidade de atenção, autoafirmação, ou qualquer motivo egoísta e efêmero.
É claro, a história não tem carisma, grandes atos ou pessoas admiráveis. E, se no meio de tudo isso, existir um alguém admirável, você não vai querer olhar de perto e pensar por si mesmo para reconhecê-lo, ou tê-lo como amigo.
A gente tem dificuldade de ter coragem para acreditar em exceções. Ou apenas reconhecer que aquele avô, mãe, pai ou irmão do fulano, não é exatamente o que a gente queria acreditar que fosse, aliás, a história dele era boa, as versões, apenas dele, que você ouviu sobre seu caminho, foram bem elaboradas, várias salpicadas de vitimismo e falso heroísmo.
Mas, na morte é permitida a redenção, a confiança e a crença.
E também a coragem, que anjo (ou demônio) vai rir e te repelir, olhar torto, excluir de algum clubinho ou grupo social se você admitir, nas suas palavras e conduta, o que sente e pensa? Você não está mais no mundo dos homens para ser algo ofensivo e ruim assumir suas diferenças na adversidade, sua real face e identidade. Porém, nessas circunstâncias, ser quem você é, na sua mente e coração, já não é mais coragem, claro.
Enquanto que, na vida, é necessário ser forte, ser porto seguro de si, trabalhar.
E ser dócil apenas quando se sabe que não vai ser desprezada ou ridicularizada sua doçura.
É, que coisa, não? Seres humanos, de capacidade de serem tão conscientes do que é realmente relevante, por alguns instantes, sabem ignorar suas ciências pessoais quando não lhes cabe, ou falta-lhes coragem. E alguém consciente leva uma bofetada por isso.
A vida não traz gentileza, pois, enquanto você ainda está vivo, ainda pode melhorar, crescer, ser, ainda está acessível para você todas as outras vidas e pessoas que você precisa tocar, cuidar.
Gosto de acreditar que a vida e a morte, diferente do que muitos pensam, não são pólos opostos, ambas são portas, para caminhos de evolução em formas e níveis físicos e dimensionais distintos.
Mas são apenas portas.
Bom, mas não diga isso para aqueles que estão vivos apenas para esta vida, você pode ser visto como louco.
Assuntos do coração, é necessário dividir com aqueles que já estão acordados para a morte, é disso que se trata a verdadeira vida.
Aqueles que compreendem a morte, compreendem as finalidades para as quais estamos hoje aqui.
Eles compreendem que a gentileza e a doçura, características de coração aberto, acabam sendo a única coisa que importa.
Não na carreira, mas na vida humana.
Aquela que traz calor para o peito.
E o emana para outros peitos, também.
Um pai ou mãe de um corajoso coração que acabou morrendo cedo demais.
Um avô que foi como um pai para aquele neto cujos pais se foram em algum acidente.
Uma tia que, junto com seu irmão, cuidou, fazendo o melhor que pôde, da sua sobrinha órfã de mãe.
Uma irmã prestativa e carinhosa que se foi durante um procedimento cirúrgico.
Uma avó, de ar suave e acolhedor, que não pôde ver o neto se formar.
De fato...
A morte e todo seu contexto é bastante gentil, ela ativa em nós o sentimento de reconhecer a fragilidade da vida, o quanto ela é preciosa e momentânea.
A ideia de pensar em quem devia ser aquele cara que participou do processo de te dar a vida, e te acompanhou até o momento que a vida lhe permitiu é hospitaleira, bonita.
Ver amigos antigos comentando a respeito da índole boa e delicada de quem foi a nossa mãe...
Ouvir parentes contando situações familiares dosadas de grande senso de humor sobre aquele pai, e sentindo falta dos motivos bobos de discussão.
Quando é lembrança não se sente a convivência, não se sentem os bobos incômodos, só se sente amor.
Aliás, foi tão passageiro.
A vida já não traz essa sutileza.
A morte, por outro lado, preserva as coisas, e conserva amores.
Pois, até então, nós, só humanos, acreditamos que não se escolhe partir, e é nostalgicamente bonito reconhecer a grandiosidade de algo Maior sobre nós e nossos caminhos, além de nossas vontades pessoais, que são, muitas vezes, triviais.
A morte traz um sentimento geral e incontestável de sensibilidade, de um lampejo de fé.
Ela soa muito mais agradável comparada a um pai ou mãe vivos que não são presentes com os seus filhos, ou que negaram se dedicar a construção do amor um para com o outro.
A morte soa muito mais leve, comparada a uma mãe vaidosa, fútil e desinteressada.
A morte soa mais calma, que um dia a dia com um pai estressado, de condutas violentas e camaleônicas, como um político, que é um alguém diferente dependendo da companhia.
É muito mais natural alguém ter vontade de abraçar a história de alguém cujos pais, irmãos, avós, faleceram, que ter proximidade com alguém de pais, camufladamente ou não, hipócritas, soberbos, negligentes, irmãos que difamam-se ou ridicularizam-se publicamente, avós que contam dias recheados de inventadas situações negativas, por necessidade de atenção, autoafirmação, ou qualquer motivo egoísta e efêmero.
É claro, a história não tem carisma, grandes atos ou pessoas admiráveis. E, se no meio de tudo isso, existir um alguém admirável, você não vai querer olhar de perto e pensar por si mesmo para reconhecê-lo, ou tê-lo como amigo.
A gente tem dificuldade de ter coragem para acreditar em exceções. Ou apenas reconhecer que aquele avô, mãe, pai ou irmão do fulano, não é exatamente o que a gente queria acreditar que fosse, aliás, a história dele era boa, as versões, apenas dele, que você ouviu sobre seu caminho, foram bem elaboradas, várias salpicadas de vitimismo e falso heroísmo.
Mas, na morte é permitida a redenção, a confiança e a crença.
E também a coragem, que anjo (ou demônio) vai rir e te repelir, olhar torto, excluir de algum clubinho ou grupo social se você admitir, nas suas palavras e conduta, o que sente e pensa? Você não está mais no mundo dos homens para ser algo ofensivo e ruim assumir suas diferenças na adversidade, sua real face e identidade. Porém, nessas circunstâncias, ser quem você é, na sua mente e coração, já não é mais coragem, claro.
Enquanto que, na vida, é necessário ser forte, ser porto seguro de si, trabalhar.
E ser dócil apenas quando se sabe que não vai ser desprezada ou ridicularizada sua doçura.
É, que coisa, não? Seres humanos, de capacidade de serem tão conscientes do que é realmente relevante, por alguns instantes, sabem ignorar suas ciências pessoais quando não lhes cabe, ou falta-lhes coragem. E alguém consciente leva uma bofetada por isso.
A vida não traz gentileza, pois, enquanto você ainda está vivo, ainda pode melhorar, crescer, ser, ainda está acessível para você todas as outras vidas e pessoas que você precisa tocar, cuidar.
Gosto de acreditar que a vida e a morte, diferente do que muitos pensam, não são pólos opostos, ambas são portas, para caminhos de evolução em formas e níveis físicos e dimensionais distintos.
Mas são apenas portas.
Bom, mas não diga isso para aqueles que estão vivos apenas para esta vida, você pode ser visto como louco.
Assuntos do coração, é necessário dividir com aqueles que já estão acordados para a morte, é disso que se trata a verdadeira vida.
Aqueles que compreendem a morte, compreendem as finalidades para as quais estamos hoje aqui.
Eles compreendem que a gentileza e a doçura, características de coração aberto, acabam sendo a única coisa que importa.
Não na carreira, mas na vida humana.
Aquela que traz calor para o peito.
E o emana para outros peitos, também.
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