domingo, 14 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Na varanda ela via o rio, a quadra grande de futebol, os muitos prédios, árvores que pareciam decorar a rua, com as copas altas e cheias. Numa rua que subia, formava-se uma pequena fileira ondulada de luzinhas redondas. Vento que soprava devagar, fazendo carinho nas bochechas. Era quase um quadro.
Parecia que de madrugada os dias dela voltavam devagarzinho em sua cabeça, trazendo um extra de detalhes não percebidos nos momentos, na hora, em que ela os viveu.
Você não merece alguém que te olha e fala "desgruda". – E, então os detalhes, olhares e dizeres daquela tarde vieram como uma onda quebrando, chegando sem avisar, deixando ela imersa dentro dessa memória, a fazendo formar uma opinião sobre aquilo.
Pelo contrário, você merece alguém que enrosque os braços no seu pescoço, olhe no seu olho e diga "chega mais". Carinho, o que realmente é carinho, esse afeto simples e sincero, não é pra todo mundo. Eu até ia te dizer que todo mundo merece, mas mérito, ao meu ver, tem a ver com o interesse de alguém em te dar isso e com a sua postura em receber. Só pessoais legais tem isso. Não falo de gente que é popular, ou qualquer adjetivo semelhante, mas sim pessoas que são mesmo legais, as com o coração bom e com interesse no que há além do frívolo, como as relações que só existem por sua base serem o entretenimento e não as pessoas em si (que não são, na verdade, realmente relações).
E, na minha ótica otimista de mundo a maioria das pessoas são ou tem uma tendência a serem legais. Mas, mesmo que sendo uma maioria, não é todo mundo. E só por não ter a tendência, mas sim ser legal, você já não é todo mundo.
Saiu do lado de fora, foi ao banheiro e escovou os dentes.
– Uau, que dia.
E ela nem estava falando de hoje.
Parecia que de madrugada os dias dela voltavam devagarzinho em sua cabeça, trazendo um extra de detalhes não percebidos nos momentos, na hora, em que ela os viveu.
Você não merece alguém que te olha e fala "desgruda". – E, então os detalhes, olhares e dizeres daquela tarde vieram como uma onda quebrando, chegando sem avisar, deixando ela imersa dentro dessa memória, a fazendo formar uma opinião sobre aquilo.
Pelo contrário, você merece alguém que enrosque os braços no seu pescoço, olhe no seu olho e diga "chega mais". Carinho, o que realmente é carinho, esse afeto simples e sincero, não é pra todo mundo. Eu até ia te dizer que todo mundo merece, mas mérito, ao meu ver, tem a ver com o interesse de alguém em te dar isso e com a sua postura em receber. Só pessoais legais tem isso. Não falo de gente que é popular, ou qualquer adjetivo semelhante, mas sim pessoas que são mesmo legais, as com o coração bom e com interesse no que há além do frívolo, como as relações que só existem por sua base serem o entretenimento e não as pessoas em si (que não são, na verdade, realmente relações).
E, na minha ótica otimista de mundo a maioria das pessoas são ou tem uma tendência a serem legais. Mas, mesmo que sendo uma maioria, não é todo mundo. E só por não ter a tendência, mas sim ser legal, você já não é todo mundo.
Saiu do lado de fora, foi ao banheiro e escovou os dentes.
– Uau, que dia.
E ela nem estava falando de hoje.
Fred Elboni / Ele sempre fica com as gostosas
"Se a gente consegue respeitar o momento das pessoas, a gente consegue respeitar as pessoas, porque as pessoas são momentos, entendeu? As vezes eu sou chato, as vezes eu to bêbado, ás vezes eu to alegre, ás vezes eu to ranzinza, e você não pode compreender o meu todo por aquele instante, então é entender as fases que as pessoas estão passando na vida, isso é compreender as pessoas e ver que todo mundo é essa metamorfose aí"
"Se a gente consegue respeitar o momento das pessoas, a gente consegue respeitar as pessoas, porque as pessoas são momentos, entendeu? As vezes eu sou chato, as vezes eu to bêbado, ás vezes eu to alegre, ás vezes eu to ranzinza, e você não pode compreender o meu todo por aquele instante, então é entender as fases que as pessoas estão passando na vida, isso é compreender as pessoas e ver que todo mundo é essa metamorfose aí"
Feliz natal, para todos.
As propagandas de chester, peru, chocotones e panetones estão começando a aparecer aqui ou ali. No final do ano que, em sua maior parte, já foi. Já as propagandas de cosméticos, brinquedos e de shoppings, estão com um vermelho e um dourado a mais. Ambas, todas as citadas, tem em comum entre elas as famílias felizes – o pai, a mãe, um menino e uma menina, geralmente crianças – caminhando. Em outras, estão todos a mesa, avós, supostos tios e primos, rindo e conversando. Está citado em Anna Karenina que Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira.
E, na verdade, discordo. Acho que cada um é feliz a sua maneira também. Mas sim, isso, ser feliz a sua maneira, é a minoria, a maioria fica feliz com o que, na ótica comum de mundo, seria suficiente ou agradável a qualquer pessoa, satisfatório.
Um marido que trabalha no escritório de advocacia, uma esposa agradável, dois filhos, um cachorro, o carro do ano.
Não, não discordo que isso seja de fato agradável, mas por uma vida toda? Meu Deus, como acho isso morno, arrisco dizer que até reprimido. Faz tão bem sempre estar fazendo algo novo, mesmo que seja só mudar a rota pro trabalho um dia ou outro, aprender uma arte marcial, uma receita nova, ir pela primeira vez naquela cantina italiana que abriu ali na esquina e você olha por dois segundos quando volta pra casa, viajar pra um lugar onde as pessoas vivem de um jeito diferente de nós. A gente merece isso.
A vida tem muito mais pra fazer, conhecer, ver e ser do que estar nesse constante protótipo de propaganda de margarina.
Passividade não é uma vida leve, pode ser só uma camuflagem pra se manter na própria zona de conforto ousando dizer que isso é tranquilidade, plenitude.
Mas, como eu disse, isso agrada, talvez por toda uma vida, a maioria.
Feliz natal, famílias infelizes, e felizes, a sua maneira.
E, na verdade, discordo. Acho que cada um é feliz a sua maneira também. Mas sim, isso, ser feliz a sua maneira, é a minoria, a maioria fica feliz com o que, na ótica comum de mundo, seria suficiente ou agradável a qualquer pessoa, satisfatório.
Um marido que trabalha no escritório de advocacia, uma esposa agradável, dois filhos, um cachorro, o carro do ano.
Não, não discordo que isso seja de fato agradável, mas por uma vida toda? Meu Deus, como acho isso morno, arrisco dizer que até reprimido. Faz tão bem sempre estar fazendo algo novo, mesmo que seja só mudar a rota pro trabalho um dia ou outro, aprender uma arte marcial, uma receita nova, ir pela primeira vez naquela cantina italiana que abriu ali na esquina e você olha por dois segundos quando volta pra casa, viajar pra um lugar onde as pessoas vivem de um jeito diferente de nós. A gente merece isso.
A vida tem muito mais pra fazer, conhecer, ver e ser do que estar nesse constante protótipo de propaganda de margarina.
Passividade não é uma vida leve, pode ser só uma camuflagem pra se manter na própria zona de conforto ousando dizer que isso é tranquilidade, plenitude.
Mas, como eu disse, isso agrada, talvez por toda uma vida, a maioria.
Feliz natal, famílias infelizes, e felizes, a sua maneira.
domingo, 7 de dezembro de 2014
sábado, 6 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
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