terça-feira, 24 de março de 2015

A dor e o (gostoso) frio na barriga que é cair na real

Na sala ampla, o ar condicionado era necessário na sala cheia de gente, gente que observava os cinco indivíduos sentados no tablado, todos providos de um olhar ansioso e ainda assim calmo.
Estavam lá, os cinco universitários, cada um dizendo um pouco da sua época de vestibulando, do processo de escolha, dos conflitos internos, da alegria imensa pela aprovação.
Entre eles, uma menina morena que usava rabo de cavalo chamava a atenção de Aline  a alta de óculos de grau morena que era aluna da mesma universidade e curso que ela almejava. Ela estava onde Aline queria estar, ir até ela mais tarde podia render um papo interessante.
Após os aplausos e sorrisos, dada a finalização da breve experiência que cada qual contou, foi até aquela menina.
Ela era simpática porém bastante séria, focada, foi falando sobre o ambiente da faculdade, algumas matérias da grade e as opções de especialização.
Aline adorou a troca de ideias com aquela pessoa tão genuinamente culta, com opiniões inteligentes e convicções bem pensadas, ela tinha uma atmosfera diferente, cheia de vida, mas que mescla legal de personalidade recatada. 
E apesar de ter apreciado tanto ter conhecido aquela pessoa, Aline nunca se sentiu tão insegura.
A gente sai do colégio franzino, não sabe nada do mundo e é pego de surpresa quando percebe a verdade disso, de não saber mesmo nada de nada, ou saber pouquinho demais, de ver que o que você achava ser tudo, na verdade era só uma parte.
Uau, que mundo enorme pra mim, que sou só eu. 
Aquilo que, quando ela pensava fazia seus olhos brilharem, realmente não era qualquer faculdade ou qualquer curso...

"Fodeu."
Pensou a vestibulanda, com o coração vibrante.

terça-feira, 10 de março de 2015

Você sabe que realmente ama seus pais, alguma tia, prima, irmão, sobrinho ou avós quando você os amaria mesmo se eles não o fossem.
Quando você se dá bem com alguém pela pessoa que esse alguém é, parentesco não é necessário pra existir um laço.

domingo, 8 de março de 2015

Ser guerreiro está relacionado com se vencer, não com ser alguém que só passa por sofrimento.

Não faz sentido dizer que uma pessoa é guerreira associando isso com sofrimento, com uma pessoa que só enfrenta obstáculos o tempo todo na vida e isso nunca muda, mas mesmo assim ela está lá respirando, de pé, como falam. Mas da parte de estar de pé sem fazer nada, estar parado, reclamando ou culpando os outros pelas atitudes que ele mesmo não teve, esses mesmos que se dizem guerreiros, não falam. 
Ser alguém guerreiro tem a ver com sucesso, não fracasso.
Uma pessoa guerreira sai da zona de conforto, ela muda, cresce espiritualmente, financeiramente.
Guerreira é a pessoa que mesmo com condições desfavoráveis, se dedica a formação acadêmica, a uma carreira, para sua família. Ela não espera um milagre do céu, ela sabe que quem faz milagres na própria vida é ela.
Guerreiro não se vitimiza, nem diz que é guerreiro, pra ele os esforços que faz na vida são o mínimo que ele poderia estar fazendo, aliás, só assim vai ter uma vida de acordo com o que o agrada, sua dedicação é proporcional aos seus desejos.
Guerreiro não escandaliza suas dores, muito menos no intuito de comover os demais, ele sabe que suas tristezas são suas e sabe com quem dividir isso, o que é diferente de jogar suas dores mundo afora esperando que os outros sintam pena. pena? Está tudo bem, não há motivos pra alguém sentir isso por mim.
A pessoa guerreira sabe que na palheta de cores da vida, o cinza também faz parte, ela entende com naturalidade que tristezas, desentendimentos, dias de trabalho mais duros entre tantas outras coisas normais que acontecem quando você está vivo, são absolutamente parte dessa brincadeira que é viver. 
O guerreiro toma suas atitudes sabendo do que vem depois, ele não negligencia suas consequências, mas as aceita com disposição, nem responsabiliza segundos e terceiros pelo que ele próprio fez, pois ele toma decisões com consciência.

Ser guerreiro não é ser prisioneiro da própria falta de atitude e ainda continuar com o coração batendo, usar esse termo para a pessoa que desempenha essa postura é uma ilusão imensa, ele não chega nem perto do que é ser alguém que batalha pelo que quer.

E essa batalha, antes que seja associada com alguma interação, é apenas com si mesmo. A pessoa batalhadora trava guerras com ela mesma na hora de escolher ler a revista de fofocas ou o livro que cai no vestibular, que escolhe se vai levantar da cama dentro do horário ou se vai se atrasar, que decide se vai manter a calma numa situação de discussão ou vai ter uma postura rude, se vai tomar um refri ou um suco natural, de repente um chá verde gelado, se vai cumprir a disciplina que se propôs com a academia.
Pessoa guerreira é essa, que briga com si mesma todos os dias exigindo ser mais útil, mais bem humorada, mais dedicada no trabalho, mais atenciosa com a família, mais controlada com os gastos bobos, mais estudiosa, mais culta, mais paciente, mais consciente, mais aberta a fazer coisas novas e conhecer pessoas diferentes do que ela é. O que quer que seja o objetivo e a vontade de ser.

Depois disso, digo com carinho que ser chamado de GUERREIRO, é um elogio e tanto. Mas devemos começar a enxergar quem são as pessoas que merecem (mérito não têm a relação com nada além de essa pessoa agir, ou não, como guerreira) ouvi-los, pois essa palavra tão bonita, assim como muitas coisas que banalizamos, está sendo falado sem o seu valor.






quinta-feira, 5 de março de 2015

Se você não procura falar com aquele alguém que mexe com você, a(o) dona(o) daquele rosto que você pensa antes de dormir, é você quem está partindo o seu próprio coração.
O mesmo vale pra nós, meninas.
 

Sem o livre arbítrio, a doçura é ingênuidade ou falta de escolha.

Não me admiro com doçura, sinceridade, generosidade, empatia, gentileza, senso de humor, coração leve e diálogos sem fofocas quando alguém possui essas características por idade ser criança, jovem , ou por não conhecer outra maneira de ser. Não me admiro com o pobre que age de maneira humildade.
Mas me encanta quando me deparo com alguém que já conhece a arrogância, as atitudes legais feitas por segundas intenções (que aí, na verdade não são realmente as atitudes legais, o que a pessoa faz é só pela espera de um retorno pra ela, no fim das contas é uma das maneiras de alguém ser egoísta), o esnobismo, oportunismo, a falsidade e a frieza, a apatia com pessoas e situações que não a envolvem diretamente, entre outras coisas de adulto, e ainda sim seja alguém legal, essa é a pessoa verdadeiramente bacana.
Ela optou por ser, mesmo sabendo que não é o único caminho, mas ainda assim, é o que ela viu valer a pena, foi o que deixou o seu semblante o seu cotidiano mais alegre.
Abençoados, esses tais.