Não faz sentido dizer que uma pessoa é guerreira associando isso com sofrimento, com uma pessoa que só enfrenta obstáculos o tempo todo na vida e isso nunca muda, mas mesmo assim ela está lá respirando, de pé, como falam. Mas da parte de estar de pé sem fazer nada, estar parado, reclamando ou culpando os outros pelas atitudes que ele mesmo não teve, esses mesmos que se dizem guerreiros, não falam.
Ser alguém guerreiro tem a ver com sucesso, não fracasso.
Uma pessoa guerreira sai da zona de conforto, ela muda, cresce — espiritualmente, financeiramente.
Guerreira é a pessoa que mesmo com condições desfavoráveis, se dedica a formação acadêmica, a uma carreira, para sua família. Ela não espera um milagre do céu, ela sabe que quem faz milagres na própria vida é ela.
Guerreiro não se vitimiza, nem diz que é guerreiro, pra ele os esforços que faz na vida são o mínimo que ele poderia estar fazendo, aliás, só assim vai ter uma vida de acordo com o que o agrada, sua dedicação é proporcional aos seus desejos.
Guerreiro não escandaliza suas dores, muito menos no intuito de comover os demais, ele sabe que suas tristezas são suas e sabe com quem dividir isso, o que é diferente de jogar suas dores mundo afora esperando que os outros sintam pena. — pena? Está tudo bem, não há motivos pra alguém sentir isso por mim.
A pessoa guerreira sabe que na palheta de cores da vida, o cinza também faz parte, ela entende com naturalidade que tristezas, desentendimentos, dias de trabalho mais duros entre tantas outras coisas normais que acontecem quando você está vivo, são absolutamente parte dessa brincadeira que é viver.
O guerreiro toma suas atitudes sabendo do que vem depois, ele não negligencia suas consequências, mas as aceita com disposição, nem responsabiliza segundos e terceiros pelo que ele próprio fez, pois ele toma decisões com consciência.
Ser guerreiro não é ser prisioneiro da própria falta de atitude e ainda continuar com o coração batendo, usar esse termo para a pessoa que desempenha essa postura é uma ilusão imensa, ele não chega nem perto do que é ser alguém que batalha pelo que quer.
E essa batalha, antes que seja associada com alguma interação, é apenas com si mesmo. A pessoa batalhadora trava guerras com ela mesma na hora de escolher ler a revista de fofocas ou o livro que cai no vestibular, que escolhe se vai levantar da cama dentro do horário ou se vai se atrasar, que decide se vai manter a calma numa situação de discussão ou vai ter uma postura rude, se vai tomar um refri ou um suco natural, de repente um chá verde gelado, se vai cumprir a disciplina que se propôs com a academia.
Pessoa guerreira é essa, que briga com si mesma todos os dias exigindo ser mais útil, mais bem humorada, mais dedicada no trabalho, mais atenciosa com a família, mais controlada com os gastos bobos, mais estudiosa, mais culta, mais paciente, mais consciente, mais aberta a fazer coisas novas e conhecer pessoas diferentes do que ela é. O que quer que seja o objetivo e a vontade de ser.
Depois disso, digo com carinho que ser chamado de GUERREIRO, é um elogio e tanto. Mas devemos começar a enxergar quem são as pessoas que merecem (mérito não têm a relação com nada além de essa pessoa agir, ou não, como guerreira) ouvi-los, pois essa palavra tão bonita, assim como muitas coisas que banalizamos, está sendo falado sem o seu valor.
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