sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Lauryn Hill / Doop Wop (That Thing)
A frivolidade das pessoas é comum demais, depois de ouvir uma frasesinha ensaiada, clichê e dita só pra manter uma pose, uma máscara, você a esquece. Gente que é sempre assim não vive na memória de ninguém com algum significado.
A sinceridade me diverte, ela faz pessoas e momentos genuínos.

O tempo e os presentes que ele traz.

É frustrante esperar passar por alguma experiência pra poder escrever sobre ela, realmente entender o assunto, pior é ainda saber que a oportunidade de têla é trazida naturalmente, pelo tempo não exclusivamente por vontade própria.
Não posso escrever sobre o amor de homem para mulher, nem sobre paixões cegas, sobre escritórios de jornalismo, o dia a dia de um editor de moda, sobre como é dormir abraçando um labrador, qual prato gostoso sei fazer com facilidade, sobre meus países favoritos, o interior da França, sobre como sinto falta da época que morava com os meus pais, quais músicas mais gosto de tocar no violão, se já dormi com alguém num colchão da água, se eu aproveitei o momento ou caí na risada, se é legal.
Não posso escrever sobre uma mochilada pela Europa com o meu amor, sobre quando me senti quando percebi que aquele cara era o cara. Sobre ter ido pra Disney com minha irmã caçula. Sobre uma viagem pro litoral com os amigos, sobre um acampamento no lago num fim de semana, sobre como aprendi a surfar, sobre como envelheci e e quis aprender a velejar quando minhas pernas não me deixassem mais estar sobre uma prancha, sobre a beleza da neve sobre as montanhas do Canadá, sobre uma noite em meio a uma plateia de um show de MPB, sobre como gosto, ou não, de dirigir uma caminhonete, ou se prefiro motos, se prefiro câmbio manual ou automático. Também não posso falar sobre o desfile das escolas de samba no Rio, do cheiro das ondas da praia de Ipanema, sobre saber dançar tango, ou falar sobre ter um gosto para vinhos.
Não posso.
Ainda.
Doçura não invalida malícia. É tudo uma questão de conveniência, o agir é uma questão de contexto.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Dei banho naquela pequena, como todos os dias, e, a pedidos dela, a vesti com um vestido bonito aquela tarde. Quente, no nosso país tropical, interior de São Paulo, o quarto invadido pelo sol pedia um ventilador, ligado. De chupeta e um cobertorzinho, que naquele calor era inconveniente como pizza sem Coca-Cola, ela encostou o rosto na borda da cama, só me deixando ver metade do seu rostinho juvenil. Séria, ela me olhava quieta, mandei um beijo. Naquele meio rosto, vi olhos apertadinhos e uma ruga descendo ao lado do nariz.
Ela era linda, adormeceu.
Jorge Vercillo / Coisas que eu sei

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Quem você é, e em que profissão se vê

Ela tinha pensado em ser aeromoça. Aviões, ver o mundo todo... Ia ser incrível. Mas po, viajaria demais né? Se ela se apaixonasse viveria com o peito pesado de saudade, seria presa por uma falsa liberdade que é a sensação que viajar pra qualquer lugar daria.
Ela tinha pensado em Direito e, uau, ela seria uma excelente advogada, mas ela não tinha estômago pra certas coisas como hipocrisia, gente desinteressada na própria profissão mesmo quando ter interesse mudaria realmente a vida de um réu, por exemplo. Detestava hipocrisia e corrupção.
Ela pensou em biologia também, com intenção de pesquisar e lecionar. Caramba, adorava biologia, e viver todos os dias no EM seria jovial e animado, ela ficaria feliz em ensinar. Mas... Ter aula em lugares diferentes, o que na profissão é algo bom, a deixaria incomodada, pelos trajetos de estar sempre indo aos mesmos lugares pra lá e pra cá todo dia, ela podia estar tanto certa quanto errada a respeito dessa impressão, mas, parecia muita rotina.
Pensou em atuar, nossa ela admirava intensa e sinceramente uma peça de teatro, saindo de tal sempre alegre e muito revigorada. Mas, no fim das contas, não tem jeito: ser uma atriz de sucesso tinha tudo a ver com estar na mídia. Além de que, ela achava as personagens das novelas patéticas e clichês, não se interessaria pela maioria delas. E, saber interpretar fora da tela seria necessário, era uma puxação de saco sem fim, fora os contratos com a TV que passariam a possuir ela, cada publicidade, viagem, sendo aprovada ou não por eles. Só quem ficava nos bastidores sabia a maçã podre que, em partes, era esse mundo que parecia tão completamente glamouroso pra quem via de fora.
Pensou em moda, passou um grande tempo matutando a ideia na cabeça, ela amava óculos, sapatos, chapéus, casacos e lingeries. Sempre achou que moda tinha tudo a ver com psicologia, era expansiva e influente. Como sempre desenhara, não teria dificuldades e tinha um bom senso de estilo. Adorava ler Vogue e assistia os desfiles da VSFS com um reconhecimento do que era aquela marca e do quão trabalhoso, grande e fantástico era esse negócio. Mas... Lidar sempre com uma competição de egos e marcas, não eram as circunstâncias mais atraentes.
E, caramba, o que ela faria com o gosto que tinha por escrever, por fatos do cotidiano e por pessoas?
No fim das contas, a questão não era que o problema era alguma das profissão anteriores, mas sim que elas só não preenchiam o que era prioridade dela: levar sua ótica de mundo para as pessoas.
Não que ela fosse melhor que alguém, mas começara a notar que muitas vezes seu jeito de lidar com as coisas ajudava alguns amigos, vira e mexe.
Ela ia ser jornalista. Ela amava causas sociais, era apaixonada pela quebra de tabus e misticismos. Foi a primeira profissão que pensou sem ver algum contra relevante. A profissão abria um bom leque, e entre as opções que esse leque oferecia, podia trabalhar com edição de moda caso desejasse. Ela poderia criar raízes em algum lugar, o fundamento de sua profissão seriam pessoas, fatos sociais e mundiais, veracidade. O que seria do mundo sem pessoas interessadas na verdade? E não uma versão que favorecesse ou atrapalhasse alguém, apenas a verdade, o que ela era.  Ela era apaixonada por isso.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

As pessoas não sabem se interessar umas pelas outras – muito menos fraternalmente. E poucas sabem ser receptivas a isso.

O "tanto faz" é bem vindo para evitar que demos ênfase e muita relevância ao que é pequeno, mas apenas para isso.

Ás vezes eu achava que devia querer menos. Menos das pessoas (não no sentido de exigir, mas de imaginar que a maioria delas não vivam a maior parte do tempo no piloto automático) e menos da vida. Menos surpresas e menos abraços apertados e carinhosos. Drinks menos bons. Dar menos importância a se expressar através das roupas e sapatos. Menos risadas no dia a dia, menos riso frouxo. Menos. Mas, infelizmente ou não, gosto muito de eu mesma pra querer realmente fazer isso, e acho que o exagero de certas coisas, como abraços aleatórios, são sua medida certa.
Só a pessoa forte assume sua fragilidade.

Ter sempre, inteira e exclusivamente momentos agradáveis não é ter uma amizade

Não me interesso em amizade alguma por puxa saquismo.
Acho que se alguém me critica, antes de tudo procuro entender a intenção da pessoa em me dizer aquilo, após isso, me deixo comigo mesma refletindo, pra me olhar no espelho – tentar enxergar o que eu fiz, porquê fiz. Aliás, se algum amigo te critica é porque te quer sendo o melhor que você pode ser. Quem se incomodaria com alguém que tem carinho por você a esse ponto? Carinho não é apenas isso, eu sei bem. Mas é uma das maneiras mais sutis e sinceras de você ver que alguém se importa com quem você é.
Já dizia Lord Henry no livro O Retrato de Dorian Gray, que é muito fácil ser sempre gentil e agradável com aqueles com que somos indiferentes.

A irrelevância da generalização dos gêneros

Não concordo com a cultura, pelo menos a brasileira, de que homem que é homem não chora (e, se chora, sua masculinidade fica diminuída e o choro é motivo de vergonha), de que não pode cozinhar por não ser feito pra isso, de que mulher não manja de volante, que se transar com quem quiser é vagabunda, entre outros tantos (ignorantes) paradigmas que a gente vê, vira e mexe, por aí. Mas, se eu concordasse com esses termos, diria que sou um pouco (um pouco muito) homenzinho ás vezes.
Não quero brigar com a minha amiga se ela pegou o carinha na festa que eu queria ficar mas não me deu bola, por exemplo. Pelo contrário, vou comemorar com ela isso, não foi dessa vez pra mim mas foi pra ela.
E não vou achar nunca que um cara chorar, é ser viadinho. De novo, muito pelo contrário. Admitir o choro é coisa de gente segura. Só o inseguro tem receio de demonstrar ter sentimentos, como qualquer pessoa. E, sobre caras bonitos na balada, acho que existem causas mais relevantes pelas quais lutar e discutir.