Harmonia não é amor.
Mesmo que seja fácil confundi-los, caso você ainda não tenha sentido seu coração sendo tocado pelo que havia, e vivia, no peito de outra pessoa.
É que, é com esse toque, que incontestavelmente, você sente a distinção entre sentir harmonia, e sentir amor.
A harmonia, mesmo quando sentindo-a, você ainda sabe descrever.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Amêndoas e flor de hibisco
Geralmente as pessoas começam como amigas, e terminam como namorado e namorada.
Ou lembrança - como meros conhecidos.
Ou noivos.
Ou parceiros no trabalho.
Ou colegas de happy hour.
Ou integrantes de um mesmo curso de culinária.
Ou como irmãos.
Ou vizinhos.
Ou o amor da vida vida um do outro - acontece.
Já eles, tinham começado como namorados, e terminado como amigos.
Porém, verdadeiramente amigos.
Eles se apoiavam, se ouviam, se observavam, conviviam.
Dividiam a mesa - sempre posta com aquele jogo americano.
Dividiam o pão também.
A torrada com requeijão no meio da tarde.
O chá gelado - era sempre ele quem o fazia.
As corridas ou caminhadas pela manhã.
As noites de filmes acompanhadas de cappuccino.
Dividiam o netflix.
O sentimento de empatia um pelo outro.
Em resumo, dividiam a reciprocidade de boa vontade.
Exceto a entrega do coração, eles entregavam muito um ao outro.
Respeito, bondade, sabedorias pessoais, cuidado, atenção, riso.
Isso era muito, sem dúvidas - e, mesmo sendo muito, era o suficiente.
Não excedia ao que sentia-se ser natural, espontâneo, entre os dois.
Era leve, pois a amizade era sincera e honesta para com os sentimentos de ambos.
E, mesmo tendo sido tão pouco tempo como namorados, parecia terem sido vários anos.
Ela percebeu quando as décadas acabaram, foi naquela noite, de uma só cama com dois cobertores.
Parecia que ela testemunhava a aceitação bonita de um final, enquanto ela o olhava segurando suas mãos perto do rosto dele enquanto dormia, sentindo o cheiro do creme que ela gostava de passar nas mãos antes de dormir.
Foi na mesma noite em que ela viu que tudo que ela sentia, no seu papel de namorada, cabia numa caixinha de macarons, onde ela notou estarem guardadas cartas e mimos com os quais ela o havia presenteado.
E era esse o problema da tentativa de namoro. Tudo cabia numa caixinha de doces.
Se era amor, não devia ter tamanho.
Ou lembrança - como meros conhecidos.
Ou noivos.
Ou parceiros no trabalho.
Ou colegas de happy hour.
Ou integrantes de um mesmo curso de culinária.
Ou como irmãos.
Ou vizinhos.
Ou o amor da vida vida um do outro - acontece.
Já eles, tinham começado como namorados, e terminado como amigos.
Porém, verdadeiramente amigos.
Eles se apoiavam, se ouviam, se observavam, conviviam.
Dividiam a mesa - sempre posta com aquele jogo americano.
Dividiam o pão também.
A torrada com requeijão no meio da tarde.
O chá gelado - era sempre ele quem o fazia.
As corridas ou caminhadas pela manhã.
As noites de filmes acompanhadas de cappuccino.
Dividiam o netflix.
O sentimento de empatia um pelo outro.
Em resumo, dividiam a reciprocidade de boa vontade.
Exceto a entrega do coração, eles entregavam muito um ao outro.
Respeito, bondade, sabedorias pessoais, cuidado, atenção, riso.
Isso era muito, sem dúvidas - e, mesmo sendo muito, era o suficiente.
Não excedia ao que sentia-se ser natural, espontâneo, entre os dois.
Era leve, pois a amizade era sincera e honesta para com os sentimentos de ambos.
E, mesmo tendo sido tão pouco tempo como namorados, parecia terem sido vários anos.
Ela percebeu quando as décadas acabaram, foi naquela noite, de uma só cama com dois cobertores.
Parecia que ela testemunhava a aceitação bonita de um final, enquanto ela o olhava segurando suas mãos perto do rosto dele enquanto dormia, sentindo o cheiro do creme que ela gostava de passar nas mãos antes de dormir.
Foi na mesma noite em que ela viu que tudo que ela sentia, no seu papel de namorada, cabia numa caixinha de macarons, onde ela notou estarem guardadas cartas e mimos com os quais ela o havia presenteado.
E era esse o problema da tentativa de namoro. Tudo cabia numa caixinha de doces.
Se era amor, não devia ter tamanho.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Tentativa de fuga
Tentei fugir.
Do que eu considero arte.
Do delicado.
Do sutil.
Do gentil.
Do olhar doce para com o mundo.
E para com os outros.
Da alegria ao interagir com uma criança.
Da leveza que sentia em andar sem sapatos ou meias nos pés.
De andar nua – de maquiagem, de autoafirmação, de medo de ter carinho por gente nova (por mais gente).
Tentei fugir do belo.
Da admiração silenciosa – anônima – por estranhos que tinham atitudes e gestos bonitos.
Da literatura.
Da arte de lápis e papel, da arte de tinta e tela.
E daquela que era deleite para os meus ouvidos e coração.
Do meu radar que reconhecia algum sentimento em todos os lugares pra onde eu olhava.
E da breve meditação seguida de apreciação, ao reconhecê-lo.
Tentei fugir da ânsia por viajar sem compromisso pelos lugares mais distintos daqueles em que eu vivi ou vivia.
Mas meus olhos sempre brilhavam quando eu me via diante de fotos de Santorini.
Tentei também, fugir da emoção que sentia ao sentar numa poltrona vermelha de teatro.
E da – grande – possibilidade de choro ao fechar das cortinas.
E, sob as estrelas, sentada na cama, ao lado do corpo que guardava a alma daquele por quem meu coração batia, pensando em tudo do qual eu tentava fugir, me peguei escrevendo poesia, enquanto minha outra mão se ocupava com um cafuné.
Amar é natural.
Do que eu considero arte.
Do delicado.
Do sutil.
Do gentil.
Do olhar doce para com o mundo.
E para com os outros.
Da alegria ao interagir com uma criança.
Da leveza que sentia em andar sem sapatos ou meias nos pés.
De andar nua – de maquiagem, de autoafirmação, de medo de ter carinho por gente nova (por mais gente).
Tentei fugir do belo.
Da admiração silenciosa – anônima – por estranhos que tinham atitudes e gestos bonitos.
Da literatura.
Da arte de lápis e papel, da arte de tinta e tela.
E daquela que era deleite para os meus ouvidos e coração.
Do meu radar que reconhecia algum sentimento em todos os lugares pra onde eu olhava.
E da breve meditação seguida de apreciação, ao reconhecê-lo.
Tentei fugir da ânsia por viajar sem compromisso pelos lugares mais distintos daqueles em que eu vivi ou vivia.
Mas meus olhos sempre brilhavam quando eu me via diante de fotos de Santorini.
Tentei também, fugir da emoção que sentia ao sentar numa poltrona vermelha de teatro.
E da – grande – possibilidade de choro ao fechar das cortinas.
E, sob as estrelas, sentada na cama, ao lado do corpo que guardava a alma daquele por quem meu coração batia, pensando em tudo do qual eu tentava fugir, me peguei escrevendo poesia, enquanto minha outra mão se ocupava com um cafuné.
Amar é natural.
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