Não existe dor de amor. Nem coração partido.
Existe ilusão.
Existe luxúria.
Existe imaturidade.
Existe egoísmo.
Existe materialismo.
Existe desinteresse.
Existem prioridades.
Existe falta de reciprocidade.
Falta de atitude, falta de coragem.
E existe também o achismo errado de que um outro determinado coração fosse a metade do seu.
Mas no fim das contas, o que existe são ilusões que a gente mesmo alimenta. O que existe são erros humanos, não a ausência do Amor.
E seria muito egocentrismo e prepotência achar que o amor não existe quando na realidade se pensa assim tão somente porque ainda não o reconheceu ou o aprendeu.
É como ser daltônico e afirmar que não existe a cor verde, e, isso, apenas pois você não consegue enxergar.
Mas, neste planeta cheio de água e azul, muitas das coisas atreladas ao que nos proporciona e possibilita a vida, são verdes.
É.
Acaba que tudo se trata dos olhos de quem vê.
O verde está por aí.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
O melhor nem sempre é dar o seu melhor.
Muitas pessoas não sabem receber afeto.
Ou educação.
Ou imparcialidade.
Ou visões que priorizem causas, e não pessoas.
Ou uma intenção só.
E a gente, gente, sempre tenta fazer o nosso melhor.
Dar nosso melhor.
Oferecer para aqueles do círculo de convívio nossa face mais tranquila, leve, discreta, bem humorada, gentil, altruísta, brilhante, sensata, lúcida.
E, as vezes, aquele, que for o receptor dessa face, não sabe receber.
Não compreende a sinceridade da transparência do emissor.
Ou acha que, receber, apenas receber, reconhecer, torna ele responsável de ser de tal forma também.
Ou, acha que receber não se trata de receber, mas trata-se de ter que aprender a ceder por essa pessoa, como chantagem, barganha.
Ou, ainda acha que isso é a pessoa "esfregando no rosto dela o quanto ele é melhor e o quanto ele sabe que ele é melhor", como se a pessoa emissora formulasse uma personalidade em prol de ofender. É, tem gente - receptor - assim.
É como se, receber o melhor de alguém, dado gratuitamente e sem quaisquer compromisso, soasse como proposta de débito.
O ser humano já seria melhor se soubesse receber bondade.
Mas, tampouco sabe dar ela para os demais.
O mundo só é ruim diante dos olhos daqueles que não confiam nas próprias intenções para com as pessoas.
Pois, quando você toma para si, com naturalidade e por livre escolha, o dever de ser ético, coerente, confiável, fraternal, responsável e empático, o mundo é cor de rosa.
Pois, o mundo sempre será diferente perante os olhos de quem vê, e, quando você respeita o mundo, o mundo parece receber isso, e te respeitar também.
Mas, essa teoria da qual gosto de observar, possui uma margem falha.
Em um aspecto, esta mesma linha de pensamento se contradiz...
Pois, se o mundo é como o enxergamos, logo, como somos, quem não tiver dentro de si - nem por si mesmo - o respeito, por exemplo, este não vai respeitar nem o mais puro sentimento de respeito diante dele, sendo emitido por uma outra pessoa.
E isso só sugere apenas uma coisa, para aqueles que gostam de oferecer a própria face mais brilhante: reconhecer - com aceitação - o mundo dos outros, antes de tocá-lo com o nosso.
Cada um carrega em si um Universo.
E mostrar, um pouco ou muito, do nosso a alguém que não o entenda, soa como imposição.
Mas, claro, isso não significa ter que deixar de viver, de Ser o Universo que se é.
O que isso traz, no fim das contas, é a sugestão de conduzir nossas interações com prudência.
Universos são preciosos, e mostrar quem você realmente é para quem não gosta nem de si mesmo, é como jogar pérolas a porcos, que estão tão acostumados a se depararem só com a tal da lavagem - resto dos outros.
Diferente do que muitas pessoas falam, o Amor é o sentimento mais rejeitado no nosso mundo cheio de universos despreparados para recebê-lo e aprendê-lo.
Ser simples dá muito mais trabalho que qualquer outra coisa na existência, e, para aqueles incompreendidos, que já tem um pouco de simplicidade dentro de si, a lição é selecionar com quem Ser, aplicar, essa simplicidade.
As vezes, você ama, mas compreender, acreditar, ou acatar essa simplicidade, está além dos limites do ser amado.
E, se você ama, você preserva. Nem todos merecem - nem todos querem - aprender que existem pessoas que vivem uma realidade de vida sem máscaras.
Uma realidade onde pessoas estão bem com quem são e com as verdades da própria vida.
Que sabem se perdoar.
Que estão bem com suas falhas.
Que estão abraçando aprendizados.
Que, mesmo tendo bens materiais, estão desapegadas a eles.
Que, mesmo tendo desafios, se dispõe a adquirir sabedoria para enfrenta-los com calma, sem desesperos ou egoísmos.
Que são simpáticas, hospitaleiras, que tem o coração verdadeiramente aberto.
Que tem pessoas sem preços, sem suborno, existe estrutura, base, princípios.
Que essas pessoas são da forma que são sem fardos, que elas são felizes.
Quantas amizades durariam se não houvesse mais fofoca? Frivolidade? Difamação? Competição? Status? Conveniência? Oportunismo? Dificuldade de auto perdão? Clubes sociais? Necessidade de aprovação social?
A base dos laços, amizades, relacionamentos, é a identificação. As pessoas, pra se unirem, precisam identificar-se com seus próximos para estar próxima a eles.
Nem sempre, o nosso melhor, nossa face mais brilhante, é o melhor que podemos dar para as pessoas que a gente ama, o Amor respeita, e, se é Amor, de fato, ele não respeita apenas a o objeto de afeição, mas seus limites. E, as vezes, respeitar limites, inclui abdicar de soluções e coisas boas que se poderia expor, sugerir ou fazer.
Porque, no fundo, cada um sabe o caminho para buscar a solução para seus problemas, aflições ou dúvidas - hesitações. E, se esse um, realmente não quisesse mais seu problema, dúvida ou aflição, ele não o teria mais.
Então, quando a gente ama... As vezes a melhor conduta será o silêncio e um olhar, um sorriso.
As vezes, as pessoas querem falar - mas não fazer, não ouvir.
Falar, reclamar.
Apenas.
Do quanto tudo é injusto, ruim, errado e caótico.
Já falei nesse texto sobre a parte que vemos as coisas como somos?
Ou educação.
Ou imparcialidade.
Ou visões que priorizem causas, e não pessoas.
Ou uma intenção só.
E a gente, gente, sempre tenta fazer o nosso melhor.
Dar nosso melhor.
Oferecer para aqueles do círculo de convívio nossa face mais tranquila, leve, discreta, bem humorada, gentil, altruísta, brilhante, sensata, lúcida.
E, as vezes, aquele, que for o receptor dessa face, não sabe receber.
Não compreende a sinceridade da transparência do emissor.
Ou acha que, receber, apenas receber, reconhecer, torna ele responsável de ser de tal forma também.
Ou, acha que receber não se trata de receber, mas trata-se de ter que aprender a ceder por essa pessoa, como chantagem, barganha.
Ou, ainda acha que isso é a pessoa "esfregando no rosto dela o quanto ele é melhor e o quanto ele sabe que ele é melhor", como se a pessoa emissora formulasse uma personalidade em prol de ofender. É, tem gente - receptor - assim.
É como se, receber o melhor de alguém, dado gratuitamente e sem quaisquer compromisso, soasse como proposta de débito.
O ser humano já seria melhor se soubesse receber bondade.
Mas, tampouco sabe dar ela para os demais.
O mundo só é ruim diante dos olhos daqueles que não confiam nas próprias intenções para com as pessoas.
Pois, quando você toma para si, com naturalidade e por livre escolha, o dever de ser ético, coerente, confiável, fraternal, responsável e empático, o mundo é cor de rosa.
Pois, o mundo sempre será diferente perante os olhos de quem vê, e, quando você respeita o mundo, o mundo parece receber isso, e te respeitar também.
Mas, essa teoria da qual gosto de observar, possui uma margem falha.
Em um aspecto, esta mesma linha de pensamento se contradiz...
Pois, se o mundo é como o enxergamos, logo, como somos, quem não tiver dentro de si - nem por si mesmo - o respeito, por exemplo, este não vai respeitar nem o mais puro sentimento de respeito diante dele, sendo emitido por uma outra pessoa.
E isso só sugere apenas uma coisa, para aqueles que gostam de oferecer a própria face mais brilhante: reconhecer - com aceitação - o mundo dos outros, antes de tocá-lo com o nosso.
Cada um carrega em si um Universo.
E mostrar, um pouco ou muito, do nosso a alguém que não o entenda, soa como imposição.
Mas, claro, isso não significa ter que deixar de viver, de Ser o Universo que se é.
O que isso traz, no fim das contas, é a sugestão de conduzir nossas interações com prudência.
Universos são preciosos, e mostrar quem você realmente é para quem não gosta nem de si mesmo, é como jogar pérolas a porcos, que estão tão acostumados a se depararem só com a tal da lavagem - resto dos outros.
Diferente do que muitas pessoas falam, o Amor é o sentimento mais rejeitado no nosso mundo cheio de universos despreparados para recebê-lo e aprendê-lo.
Ser simples dá muito mais trabalho que qualquer outra coisa na existência, e, para aqueles incompreendidos, que já tem um pouco de simplicidade dentro de si, a lição é selecionar com quem Ser, aplicar, essa simplicidade.
As vezes, você ama, mas compreender, acreditar, ou acatar essa simplicidade, está além dos limites do ser amado.
E, se você ama, você preserva. Nem todos merecem - nem todos querem - aprender que existem pessoas que vivem uma realidade de vida sem máscaras.
Uma realidade onde pessoas estão bem com quem são e com as verdades da própria vida.
Que sabem se perdoar.
Que estão bem com suas falhas.
Que estão abraçando aprendizados.
Que, mesmo tendo bens materiais, estão desapegadas a eles.
Que, mesmo tendo desafios, se dispõe a adquirir sabedoria para enfrenta-los com calma, sem desesperos ou egoísmos.
Que são simpáticas, hospitaleiras, que tem o coração verdadeiramente aberto.
Que tem pessoas sem preços, sem suborno, existe estrutura, base, princípios.
Que essas pessoas são da forma que são sem fardos, que elas são felizes.
Quantas amizades durariam se não houvesse mais fofoca? Frivolidade? Difamação? Competição? Status? Conveniência? Oportunismo? Dificuldade de auto perdão? Clubes sociais? Necessidade de aprovação social?
A base dos laços, amizades, relacionamentos, é a identificação. As pessoas, pra se unirem, precisam identificar-se com seus próximos para estar próxima a eles.
Nem sempre, o nosso melhor, nossa face mais brilhante, é o melhor que podemos dar para as pessoas que a gente ama, o Amor respeita, e, se é Amor, de fato, ele não respeita apenas a o objeto de afeição, mas seus limites. E, as vezes, respeitar limites, inclui abdicar de soluções e coisas boas que se poderia expor, sugerir ou fazer.
Porque, no fundo, cada um sabe o caminho para buscar a solução para seus problemas, aflições ou dúvidas - hesitações. E, se esse um, realmente não quisesse mais seu problema, dúvida ou aflição, ele não o teria mais.
Então, quando a gente ama... As vezes a melhor conduta será o silêncio e um olhar, um sorriso.
As vezes, as pessoas querem falar - mas não fazer, não ouvir.
Falar, reclamar.
Apenas.
Do quanto tudo é injusto, ruim, errado e caótico.
Já falei nesse texto sobre a parte que vemos as coisas como somos?
domingo, 4 de dezembro de 2016
O contexto gentil que a morte traz
Muitos, todos aqueles por quem a morte passou por perto, tem uma realidade mais gentil.
Um pai ou mãe de um corajoso coração que acabou morrendo cedo demais.
Um avô que foi como um pai para aquele neto cujos pais se foram em algum acidente.
Uma tia que, junto com seu irmão, cuidou, fazendo o melhor que pôde, da sua sobrinha órfã de mãe.
Uma irmã prestativa e carinhosa que se foi durante um procedimento cirúrgico.
Uma avó, de ar suave e acolhedor, que não pôde ver o neto se formar.
De fato...
A morte e todo seu contexto é bastante gentil, ela ativa em nós o sentimento de reconhecer a fragilidade da vida, o quanto ela é preciosa e momentânea.
A ideia de pensar em quem devia ser aquele cara que participou do processo de te dar a vida, e te acompanhou até o momento que a vida lhe permitiu é hospitaleira, bonita.
Ver amigos antigos comentando a respeito da índole boa e delicada de quem foi a nossa mãe...
Ouvir parentes contando situações familiares dosadas de grande senso de humor sobre aquele pai, e sentindo falta dos motivos bobos de discussão.
Quando é lembrança não se sente a convivência, não se sentem os bobos incômodos, só se sente amor.
Aliás, foi tão passageiro.
A vida já não traz essa sutileza.
A morte, por outro lado, preserva as coisas, e conserva amores.
Pois, até então, nós, só humanos, acreditamos que não se escolhe partir, e é nostalgicamente bonito reconhecer a grandiosidade de algo Maior sobre nós e nossos caminhos, além de nossas vontades pessoais, que são, muitas vezes, triviais.
A morte traz um sentimento geral e incontestável de sensibilidade, de um lampejo de fé.
Ela soa muito mais agradável comparada a um pai ou mãe vivos que não são presentes com os seus filhos, ou que negaram se dedicar a construção do amor um para com o outro.
A morte soa muito mais leve, comparada a uma mãe vaidosa, fútil e desinteressada.
A morte soa mais calma, que um dia a dia com um pai estressado, de condutas violentas e camaleônicas, como um político, que é um alguém diferente dependendo da companhia.
É muito mais natural alguém ter vontade de abraçar a história de alguém cujos pais, irmãos, avós, faleceram, que ter proximidade com alguém de pais, camufladamente ou não, hipócritas, soberbos, negligentes, irmãos que difamam-se ou ridicularizam-se publicamente, avós que contam dias recheados de inventadas situações negativas, por necessidade de atenção, autoafirmação, ou qualquer motivo egoísta e efêmero.
É claro, a história não tem carisma, grandes atos ou pessoas admiráveis. E, se no meio de tudo isso, existir um alguém admirável, você não vai querer olhar de perto e pensar por si mesmo para reconhecê-lo, ou tê-lo como amigo.
A gente tem dificuldade de ter coragem para acreditar em exceções. Ou apenas reconhecer que aquele avô, mãe, pai ou irmão do fulano, não é exatamente o que a gente queria acreditar que fosse, aliás, a história dele era boa, as versões, apenas dele, que você ouviu sobre seu caminho, foram bem elaboradas, várias salpicadas de vitimismo e falso heroísmo.
Mas, na morte é permitida a redenção, a confiança e a crença.
E também a coragem, que anjo (ou demônio) vai rir e te repelir, olhar torto, excluir de algum clubinho ou grupo social se você admitir, nas suas palavras e conduta, o que sente e pensa? Você não está mais no mundo dos homens para ser algo ofensivo e ruim assumir suas diferenças na adversidade, sua real face e identidade. Porém, nessas circunstâncias, ser quem você é, na sua mente e coração, já não é mais coragem, claro.
Enquanto que, na vida, é necessário ser forte, ser porto seguro de si, trabalhar.
E ser dócil apenas quando se sabe que não vai ser desprezada ou ridicularizada sua doçura.
É, que coisa, não? Seres humanos, de capacidade de serem tão conscientes do que é realmente relevante, por alguns instantes, sabem ignorar suas ciências pessoais quando não lhes cabe, ou falta-lhes coragem. E alguém consciente leva uma bofetada por isso.
A vida não traz gentileza, pois, enquanto você ainda está vivo, ainda pode melhorar, crescer, ser, ainda está acessível para você todas as outras vidas e pessoas que você precisa tocar, cuidar.
Gosto de acreditar que a vida e a morte, diferente do que muitos pensam, não são pólos opostos, ambas são portas, para caminhos de evolução em formas e níveis físicos e dimensionais distintos.
Mas são apenas portas.
Bom, mas não diga isso para aqueles que estão vivos apenas para esta vida, você pode ser visto como louco.
Assuntos do coração, é necessário dividir com aqueles que já estão acordados para a morte, é disso que se trata a verdadeira vida.
Aqueles que compreendem a morte, compreendem as finalidades para as quais estamos hoje aqui.
Eles compreendem que a gentileza e a doçura, características de coração aberto, acabam sendo a única coisa que importa.
Não na carreira, mas na vida humana.
Aquela que traz calor para o peito.
E o emana para outros peitos, também.
Um pai ou mãe de um corajoso coração que acabou morrendo cedo demais.
Um avô que foi como um pai para aquele neto cujos pais se foram em algum acidente.
Uma tia que, junto com seu irmão, cuidou, fazendo o melhor que pôde, da sua sobrinha órfã de mãe.
Uma irmã prestativa e carinhosa que se foi durante um procedimento cirúrgico.
Uma avó, de ar suave e acolhedor, que não pôde ver o neto se formar.
De fato...
A morte e todo seu contexto é bastante gentil, ela ativa em nós o sentimento de reconhecer a fragilidade da vida, o quanto ela é preciosa e momentânea.
A ideia de pensar em quem devia ser aquele cara que participou do processo de te dar a vida, e te acompanhou até o momento que a vida lhe permitiu é hospitaleira, bonita.
Ver amigos antigos comentando a respeito da índole boa e delicada de quem foi a nossa mãe...
Ouvir parentes contando situações familiares dosadas de grande senso de humor sobre aquele pai, e sentindo falta dos motivos bobos de discussão.
Quando é lembrança não se sente a convivência, não se sentem os bobos incômodos, só se sente amor.
Aliás, foi tão passageiro.
A vida já não traz essa sutileza.
A morte, por outro lado, preserva as coisas, e conserva amores.
Pois, até então, nós, só humanos, acreditamos que não se escolhe partir, e é nostalgicamente bonito reconhecer a grandiosidade de algo Maior sobre nós e nossos caminhos, além de nossas vontades pessoais, que são, muitas vezes, triviais.
A morte traz um sentimento geral e incontestável de sensibilidade, de um lampejo de fé.
Ela soa muito mais agradável comparada a um pai ou mãe vivos que não são presentes com os seus filhos, ou que negaram se dedicar a construção do amor um para com o outro.
A morte soa muito mais leve, comparada a uma mãe vaidosa, fútil e desinteressada.
A morte soa mais calma, que um dia a dia com um pai estressado, de condutas violentas e camaleônicas, como um político, que é um alguém diferente dependendo da companhia.
É muito mais natural alguém ter vontade de abraçar a história de alguém cujos pais, irmãos, avós, faleceram, que ter proximidade com alguém de pais, camufladamente ou não, hipócritas, soberbos, negligentes, irmãos que difamam-se ou ridicularizam-se publicamente, avós que contam dias recheados de inventadas situações negativas, por necessidade de atenção, autoafirmação, ou qualquer motivo egoísta e efêmero.
É claro, a história não tem carisma, grandes atos ou pessoas admiráveis. E, se no meio de tudo isso, existir um alguém admirável, você não vai querer olhar de perto e pensar por si mesmo para reconhecê-lo, ou tê-lo como amigo.
A gente tem dificuldade de ter coragem para acreditar em exceções. Ou apenas reconhecer que aquele avô, mãe, pai ou irmão do fulano, não é exatamente o que a gente queria acreditar que fosse, aliás, a história dele era boa, as versões, apenas dele, que você ouviu sobre seu caminho, foram bem elaboradas, várias salpicadas de vitimismo e falso heroísmo.
Mas, na morte é permitida a redenção, a confiança e a crença.
E também a coragem, que anjo (ou demônio) vai rir e te repelir, olhar torto, excluir de algum clubinho ou grupo social se você admitir, nas suas palavras e conduta, o que sente e pensa? Você não está mais no mundo dos homens para ser algo ofensivo e ruim assumir suas diferenças na adversidade, sua real face e identidade. Porém, nessas circunstâncias, ser quem você é, na sua mente e coração, já não é mais coragem, claro.
Enquanto que, na vida, é necessário ser forte, ser porto seguro de si, trabalhar.
E ser dócil apenas quando se sabe que não vai ser desprezada ou ridicularizada sua doçura.
É, que coisa, não? Seres humanos, de capacidade de serem tão conscientes do que é realmente relevante, por alguns instantes, sabem ignorar suas ciências pessoais quando não lhes cabe, ou falta-lhes coragem. E alguém consciente leva uma bofetada por isso.
A vida não traz gentileza, pois, enquanto você ainda está vivo, ainda pode melhorar, crescer, ser, ainda está acessível para você todas as outras vidas e pessoas que você precisa tocar, cuidar.
Gosto de acreditar que a vida e a morte, diferente do que muitos pensam, não são pólos opostos, ambas são portas, para caminhos de evolução em formas e níveis físicos e dimensionais distintos.
Mas são apenas portas.
Bom, mas não diga isso para aqueles que estão vivos apenas para esta vida, você pode ser visto como louco.
Assuntos do coração, é necessário dividir com aqueles que já estão acordados para a morte, é disso que se trata a verdadeira vida.
Aqueles que compreendem a morte, compreendem as finalidades para as quais estamos hoje aqui.
Eles compreendem que a gentileza e a doçura, características de coração aberto, acabam sendo a única coisa que importa.
Não na carreira, mas na vida humana.
Aquela que traz calor para o peito.
E o emana para outros peitos, também.
terça-feira, 29 de novembro de 2016
"Eu olhei ao gigantesco terri que estava sentado junto a mim, e que tinha um perfume estranho, parecido ao de um osso em um zoológico que visitei uma vez, mas tratei de ver mais além dessa massa de músculos, dentes e pelos que me causava um temor instintivo. Fiz um pequeno esforço para olhá-lo de outra forma, como se ele fosse um bom amigo meu, e o consegui por uns segundos. Então senti que seu odor não era desagradável, e me lembrei de um querido cãozinho que tive faz muito tempo. Ele captou algo, porque se voltou para mim entregando-me todo seu afeto em um olhar luminoso e em sorriso muito suave, dando-me um delicado e carinhoso apertão na bochecha. Então compreendi uma vez mais que o amor supera todas as barreira externas e ilusórias que dividem os seres."
- Trecho de um pedacinho do terceiro livro de Ami, o menino das estrelas.
- Trecho de um pedacinho do terceiro livro de Ami, o menino das estrelas.
domingo, 13 de novembro de 2016
Liberdade é altruísmo
Olhou aqueles prédios, sobrados e casas, tão bem construídos, arquitetados e modernos, tão bem cercados. Cercados pois ainda existia alguém que cometia sequestros, agressões, homicídios e furtos. Cercados pois não era todo mundo que alimentava-se bem todos os dias. Cercados pois não era todo mundo que tinha oportunidade acadêmica de ir construir seu lugar, materialmente falando, vitorioso na vida. Cercados pois negro não é gente, é bandido. Cercados pois pobre não presta, não merece atenção. Cercados pois muitos pais e mães por aí andavam não agindo como pais, e acabavam com filhos que não sabiam agir como filhos e como muitas outras coisas. Cercados pois quem quer vai atrás do seu, meritocracia igual pra circunstâncias distintas. É, injusto, mas é o tal do “mas é assim mesmo, né?”, é o tal do conforme-se, é o tal do não se importe, não lute, não sinta empatia. Você não é gente, você é um número para os índices de pesquisas demográficas do governo.
É, os lares estavam cercados por altos e estéticos muros e portões. Mas se todos tivessem relevância um para o outro, como uma grande família planetária, se não houvesse quem passasse fome, frio, negligência, abandono ou solidão, não haveria egoísmo, não haveria medo - não haveria portões. Ninguém precisaria tirar nada que fosse de pessoa nenhuma, todos teriam, porque todos seriam importantes. O mundo evolui e modifica-se apenas com atitudes de seres humanos. E ser alguém humano não é fácil, de fato, é compreendível ver aqueles que não tem coragem, fé ou compaixão. Por que tem que ser de verdade, tem que ser transparente, tem que acreditar nas possibilidades do tamanho que o Universo tem, tem que enxergar naturalmente a função e importância da existência de cada indivíduo, e tem que lembrar que há um Coração batendo no seu peito, pra ser humano. Pois quando você enxerga a existência do próprio Coração, compreende que aquele cara ali da praça também têm um, que precisa evoluir e aprender o Amor como você. Mas quem quer sair por aí sendo mal interpretado ou criticado por pensar no bem comum, na sensatez e no Amor fraternal sem a necessidade de reciprocidade, não é? É tão mais cômodo pensar apenas naqueles de seu âmbito pessoal (ás vezes nem isso) e naquela realidade vivida apenas dentro das paredes da própria casa. É tão mais cômodo desconfiar, dizer que tais coisas relacionadas a evolução e Bondade não existem, dizer que não dá pra abraçar o mundo… Quando no fim das contas, nem se trata de abraçar o mundo, mas sim de sê-lo, se trata apenas de adquirir, não uma ingênua, mas uma madura consciência social.
Mas a gente acha que isso é perca de tempo e deve dar trabalho demais.
O que é bobeira.
No fim das contas só se trata de dizer, e mostrar, para seus familiares que você os ama. No fim das contas só se trata de dispor seu tempo por quem você pode ser útil mesmo sem ter coisa alguma em troca além da satisfação de ter tornado mais ativa e acessível sua utilidade e doação. No fim das contas só se trata de não menosprezar ninguém. No fim das contas só se trata de não se achar tão magnífico, inteligente, único e importante demais pra bater um papo com aquela pessoa na sua turma que veio de outra cidade. É quando, ao todo, só se trata de aceitar e gostar de si mesmo sem eufemismos, ilusões ou prepotências e alardes.
Quando no fim das contas só se trata de amar.
Amar.
Sorriu torto, olhando a parede branca. Que lástima. Ainda há quem prefira agir como um número de índices de IDH.
Ainda saía nas ruas e enxergava muros e portões.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Universo de quem? (crítica resposta)
Nova Igreja Universal de Curitiba vai custar quase 500 milhões
Usar esse dinheiro para utilidade pública e bem comum não, né? Uma pessoa que realmente compreendeu um pouco, não precisa nem ser muito, nem tudo, um pouco, do que Cristo foi, não faria NUNCA uso desse dinheiro para a construção de um templo de idolatria a Deus, principalmente enquanto estamos nas atuais circunstâncias, onde ainda há pessoas carentes de oportunidade acadêmica, nutrição, atendimento médico, e de qualidade, entre outros muitos direitos que não tem sido para todos como se diz ser na teoria constitucional. Mas sim, deveria ser para AJUDAR, E SER ÚTIL, para seus próximos. A finalidade de toda essa verba, se fosse direcionada a quem precisa, já teria feito o estômago de muitas famílias pararem de roncar, da mesma forma que poderia ser utilizada para a construção, e funcionamento, de creches, hospitais, colégios ou qualquer demais instituição de funcionalidade para a formação e sobrevivência humana. Parabéns pela hipocrisia e pela afirmação incontestável de desinteresse social, humanitário e das FUNDAMENTAIS causas altruístas, que foi o que Cristo mais se dedicou a mostrar e ensinar. A situação descrita na matéria é coisa que nenhum de vocês faria se tivessem entendido um mínimo de o que é fazer algo na vida além de pensar em si mesmo e nas pessoas de seus âmbitos pessoais, e defender interesses que beneficiam e englobam a realidade apenas de vocês. Vocês realmente acham, acreditam, que Deus precisa ver gente construindo templos em nome dele e afirmando louvor?? Qual o tamanho de um Deus que precisa disso? Antes de pensar na possibilidade de orientar o próprio caminho de vida de acordo com alguma religião as pessoas precisam ter o que comer, e comer bem, estudar em colégios que ofereçam segurança, seriedade, responsabilidade, senso crítico, conteúdo, as pessoas precisam ser atendidas nos hospitais públicos e quando forem atendidas, serem atendidas BEM, com um profissional consciente, devidamente orientado e formado, as pessoas precisam de meios de transporte público que atendam critérios de organização e de rotas, e que estejam na quantidade proporcional aos passageiros que dependem dele para sua locomoção pessoal, acadêmica e profissional. Como alguém vai conseguir orar sentindo fome? Pensando na avó que faleceu numa fila de SUS? Preocupado com os filhos que só conseguiram vaga no colégio que é também ponto de droga? Preocupado com o bebê que ficou aos cuidados da vizinha pois não teve vaga ou renda financeira suficiente para que ele estivesse numa creche ou colégio? Trabalhando em dois empregos pra sustentar a família pois não teve as mínimas oportunidades para ter uma formação que oferecesse ao menos um trabalho onde sua jornada diária permitisse que ele curtisse e acompanhasse a vida cotidiana dentro de casa?
SEJAM ÚTEIS AOS SEUS PRÓXIMOS, COMEÇANDO COM SUAS FAMÍLIAS, pois fazendo isso, de forma sincera e com boa vontade, já é muito, vocês não precisam se autoafirmar como pessoas de fé dispondo essa quantia toda de dinheiro viu, Deus não deve ser o tipo de Ser que se impressiona com poder monetário. Sejam um pouco mais corajosos e se disponham a ver qual é a utilidade de vocês quando não há dinheiro na mão. Podem ter certeza que isso tem mais valor. E é naturalmente mais difícil também. O que você, como indivíduo, irmão, amigo, filho, pai, vizinho, profissional, marido, ser humano, tem pra dar de bom quando sua doação não é material?
E que fique claro que essa crítica não traz nenhuma apologia religiosa e não é direcionada aos crentes e frequentadores dessa igreja, como de nenhuma igreja, reconheço que não apenas essa, mas igrejas em geral, ajudam muitas pessoas e que são também de eficiência política, pois há índices e pesquisas que trazem a evidência de que se diminui a criminalidade nas regiões onde elas, as igrejas, aparecem, portando, existe utilidade para a segurança pública. Não tenho intenção de criticar a fé pessoal de pessoa alguma, minha intenção é criticar a condução da administração do dinheiro que a igreja dispõe, e não a igreja, nem seus fiéis. (mas, de coração, se você tem interesse em adquirir uma vida espiritual mais rica, reflita. É essa a conduta e o exemplo que você quer ter pra seguir? Será que é só esse o caminho que você tem pra escolher? Se você, que estiver lendo, por acaso for fiel da Igreja Universal, eu não sugiro nem te convido, com esse texto, a deixá-la. Com essa leitura, eu te convido a refletir e levar essa crítica - que acredite, tem uma intenção só, e construtiva - para seus amigos, e pra você mesmo. Não desejo o fim de igreja alguma, desejo fidelidade, de forma prática e real, ao que as igrejas se propuseram a ser, um local de homens melhores, e de bem, e não tenho visto isso, tenho visto marketing, condenação às diferenças e personalização. Como achar que se tem autoridade para personalizar algo que não é humano, mas Divino? Essa forma de mente coletiva evita a entrada de sentimentos como integração, unidade, bem comum, objetivo comum, apoio às diferenças de pensamento - que nos fazem ser úteis em várias áreas profissionais e pessoais - que são de imensa importância, tolerância, confiança...)
Especificamente neste caso, a crítica é para os seus administradores, e para a hipocrisia e o egoísmo absurdo de ter esse valor na mão e usar para os fins mais irrelevantes e desnecessários perante as N realidades que estão diante de nós todos os dias que tem necessidades MUITO maiores, que construir um local luxuoso de culto. Vocês tem coragem de cultuar o quê, sabendo que conseguiram esse local pois ignoraram pessoas, irmãos, que vocês poderiam ter ajudado exponencialmente? Quantas dores, carências e desigualdades foram ignoradas pra esse templo de consolação ser construído? A que preço? E, por fim, isso ainda vale a pena pra vocês, essa ideologia separatista de investir tanto, e em algo que prega apenas uma linha de crença religiosa? Se houvesse realmente interesse em um mundo mais bondoso e com pessoas mais honestas, a verba teria sido disponibilizada para instituições diversas, pois vocês reconheceriam que tem um objetivo em comum. Mas como reconhecer isso, quando muito provavelmente, nem se sabe do que se tratam as demais religiões? Nisso, pergunto... Porque a sua é melhor e merece mais investimento? Como você sabe? Você sabe que faz bem pra você, de repente pra sua família. Mas não existe só o dia a dia, os sentimentos, a história, e a necessidade de vocês. Igreja Universal? Universal, de que tamanho? Universo de quem?
Religião, verdadeiramente, religião, reconhece que TODAS as instituições que se dizem religiosas são galhos de uma mesma árvore. Buda não era budista, Cristo, não era cristão, eles eram apenas mestres que ensinavam, cada um de sua forma, e cada um com a sua história, uma mesma coisa: AMOR.
Não se trata de qual instituição religiosa, do nome, do título dela, se trata de defender e acreditar em PRINCÍPIOS.
PRINCÍPIOS ESSES, QUE COM ESSE TIPO DE ATITUDE, VOCÊS DISTORCEM E DÃO UM EXEMPLO HORRÍVEL PARA AQUELES QUE TEM EM VOCÊS REFERÊNCIAS DE ESPIRITUALIDADE, FÉ E EXEMPLO DE SER HUMANO.
PARA VOCÊS, LÍDERES E ADMINISTRADORES DA IGREJA UNIVERSAL DE CURITIBA, EU DIGO, DAR ESSE DESTINO PARA O DINHEIRO QUE VOCÊS TINHAM, TEM, NA MÃO, FOI ERRAR FEIO. CONHECIMENTO E PODER EXIGEM RESPONSABILIDADE, SAIBAM LIDAR MELHOR, FAZENDO JUS, COM MÉRITO, COM AS RESPONSABILIDADES QUE VOCÊS CONQUISTARAM.
Bondade, humildade, Amor, objetividade, cooperatividade, espiritualidade também englobam em si senso de dever, sensatez, lucidez e real fibra moral, seriedade, no que merece uma postura adulta, e isso merecia, e merece.
As pessoas não precisam de dogmas de uma fé muito distante e maior que elas, discursos, supostas esperanças ou uma igreja com uma estrutura que as deslumbre, as pessoas precisam de coerência!! Coerência de si mesmas, e de seus orientadores e pessoas que se colocam para os demais como exemplos.
(obs: antes de receios com a possibilidade de uma suposta falta de imparcialidade minha por seguir algo, não sigo religião nenhuma, pois pra mim religião é nada mais nada menos que algo que sua origem etimológica de religare significa, algo que religa, reconecta, o indivíduo com o Divino. Dessa forma, posso dizer que, pra mim, de forma pessoal, Amizade é uma religião, assim como ética, compaixão, altruísmo, objetividade, calma, transparência... Não vejo religião como algo necessariamente associado a instituição religiosa, e tenho afinidade com várias, pois não acho que religião ser associado com uma instituição seja algo ruim de forma nenhuma, pelo contrário. Mas, na minha vida, e apenas pra mim, religião são atitudes que me fazem sentir integrada com algo Maior.)
Usar esse dinheiro para utilidade pública e bem comum não, né? Uma pessoa que realmente compreendeu um pouco, não precisa nem ser muito, nem tudo, um pouco, do que Cristo foi, não faria NUNCA uso desse dinheiro para a construção de um templo de idolatria a Deus, principalmente enquanto estamos nas atuais circunstâncias, onde ainda há pessoas carentes de oportunidade acadêmica, nutrição, atendimento médico, e de qualidade, entre outros muitos direitos que não tem sido para todos como se diz ser na teoria constitucional. Mas sim, deveria ser para AJUDAR, E SER ÚTIL, para seus próximos. A finalidade de toda essa verba, se fosse direcionada a quem precisa, já teria feito o estômago de muitas famílias pararem de roncar, da mesma forma que poderia ser utilizada para a construção, e funcionamento, de creches, hospitais, colégios ou qualquer demais instituição de funcionalidade para a formação e sobrevivência humana. Parabéns pela hipocrisia e pela afirmação incontestável de desinteresse social, humanitário e das FUNDAMENTAIS causas altruístas, que foi o que Cristo mais se dedicou a mostrar e ensinar. A situação descrita na matéria é coisa que nenhum de vocês faria se tivessem entendido um mínimo de o que é fazer algo na vida além de pensar em si mesmo e nas pessoas de seus âmbitos pessoais, e defender interesses que beneficiam e englobam a realidade apenas de vocês. Vocês realmente acham, acreditam, que Deus precisa ver gente construindo templos em nome dele e afirmando louvor?? Qual o tamanho de um Deus que precisa disso? Antes de pensar na possibilidade de orientar o próprio caminho de vida de acordo com alguma religião as pessoas precisam ter o que comer, e comer bem, estudar em colégios que ofereçam segurança, seriedade, responsabilidade, senso crítico, conteúdo, as pessoas precisam ser atendidas nos hospitais públicos e quando forem atendidas, serem atendidas BEM, com um profissional consciente, devidamente orientado e formado, as pessoas precisam de meios de transporte público que atendam critérios de organização e de rotas, e que estejam na quantidade proporcional aos passageiros que dependem dele para sua locomoção pessoal, acadêmica e profissional. Como alguém vai conseguir orar sentindo fome? Pensando na avó que faleceu numa fila de SUS? Preocupado com os filhos que só conseguiram vaga no colégio que é também ponto de droga? Preocupado com o bebê que ficou aos cuidados da vizinha pois não teve vaga ou renda financeira suficiente para que ele estivesse numa creche ou colégio? Trabalhando em dois empregos pra sustentar a família pois não teve as mínimas oportunidades para ter uma formação que oferecesse ao menos um trabalho onde sua jornada diária permitisse que ele curtisse e acompanhasse a vida cotidiana dentro de casa?
SEJAM ÚTEIS AOS SEUS PRÓXIMOS, COMEÇANDO COM SUAS FAMÍLIAS, pois fazendo isso, de forma sincera e com boa vontade, já é muito, vocês não precisam se autoafirmar como pessoas de fé dispondo essa quantia toda de dinheiro viu, Deus não deve ser o tipo de Ser que se impressiona com poder monetário. Sejam um pouco mais corajosos e se disponham a ver qual é a utilidade de vocês quando não há dinheiro na mão. Podem ter certeza que isso tem mais valor. E é naturalmente mais difícil também. O que você, como indivíduo, irmão, amigo, filho, pai, vizinho, profissional, marido, ser humano, tem pra dar de bom quando sua doação não é material?
E que fique claro que essa crítica não traz nenhuma apologia religiosa e não é direcionada aos crentes e frequentadores dessa igreja, como de nenhuma igreja, reconheço que não apenas essa, mas igrejas em geral, ajudam muitas pessoas e que são também de eficiência política, pois há índices e pesquisas que trazem a evidência de que se diminui a criminalidade nas regiões onde elas, as igrejas, aparecem, portando, existe utilidade para a segurança pública. Não tenho intenção de criticar a fé pessoal de pessoa alguma, minha intenção é criticar a condução da administração do dinheiro que a igreja dispõe, e não a igreja, nem seus fiéis. (mas, de coração, se você tem interesse em adquirir uma vida espiritual mais rica, reflita. É essa a conduta e o exemplo que você quer ter pra seguir? Será que é só esse o caminho que você tem pra escolher? Se você, que estiver lendo, por acaso for fiel da Igreja Universal, eu não sugiro nem te convido, com esse texto, a deixá-la. Com essa leitura, eu te convido a refletir e levar essa crítica - que acredite, tem uma intenção só, e construtiva - para seus amigos, e pra você mesmo. Não desejo o fim de igreja alguma, desejo fidelidade, de forma prática e real, ao que as igrejas se propuseram a ser, um local de homens melhores, e de bem, e não tenho visto isso, tenho visto marketing, condenação às diferenças e personalização. Como achar que se tem autoridade para personalizar algo que não é humano, mas Divino? Essa forma de mente coletiva evita a entrada de sentimentos como integração, unidade, bem comum, objetivo comum, apoio às diferenças de pensamento - que nos fazem ser úteis em várias áreas profissionais e pessoais - que são de imensa importância, tolerância, confiança...)
Especificamente neste caso, a crítica é para os seus administradores, e para a hipocrisia e o egoísmo absurdo de ter esse valor na mão e usar para os fins mais irrelevantes e desnecessários perante as N realidades que estão diante de nós todos os dias que tem necessidades MUITO maiores, que construir um local luxuoso de culto. Vocês tem coragem de cultuar o quê, sabendo que conseguiram esse local pois ignoraram pessoas, irmãos, que vocês poderiam ter ajudado exponencialmente? Quantas dores, carências e desigualdades foram ignoradas pra esse templo de consolação ser construído? A que preço? E, por fim, isso ainda vale a pena pra vocês, essa ideologia separatista de investir tanto, e em algo que prega apenas uma linha de crença religiosa? Se houvesse realmente interesse em um mundo mais bondoso e com pessoas mais honestas, a verba teria sido disponibilizada para instituições diversas, pois vocês reconheceriam que tem um objetivo em comum. Mas como reconhecer isso, quando muito provavelmente, nem se sabe do que se tratam as demais religiões? Nisso, pergunto... Porque a sua é melhor e merece mais investimento? Como você sabe? Você sabe que faz bem pra você, de repente pra sua família. Mas não existe só o dia a dia, os sentimentos, a história, e a necessidade de vocês. Igreja Universal? Universal, de que tamanho? Universo de quem?
Religião, verdadeiramente, religião, reconhece que TODAS as instituições que se dizem religiosas são galhos de uma mesma árvore. Buda não era budista, Cristo, não era cristão, eles eram apenas mestres que ensinavam, cada um de sua forma, e cada um com a sua história, uma mesma coisa: AMOR.
Não se trata de qual instituição religiosa, do nome, do título dela, se trata de defender e acreditar em PRINCÍPIOS.
PRINCÍPIOS ESSES, QUE COM ESSE TIPO DE ATITUDE, VOCÊS DISTORCEM E DÃO UM EXEMPLO HORRÍVEL PARA AQUELES QUE TEM EM VOCÊS REFERÊNCIAS DE ESPIRITUALIDADE, FÉ E EXEMPLO DE SER HUMANO.
PARA VOCÊS, LÍDERES E ADMINISTRADORES DA IGREJA UNIVERSAL DE CURITIBA, EU DIGO, DAR ESSE DESTINO PARA O DINHEIRO QUE VOCÊS TINHAM, TEM, NA MÃO, FOI ERRAR FEIO. CONHECIMENTO E PODER EXIGEM RESPONSABILIDADE, SAIBAM LIDAR MELHOR, FAZENDO JUS, COM MÉRITO, COM AS RESPONSABILIDADES QUE VOCÊS CONQUISTARAM.
Bondade, humildade, Amor, objetividade, cooperatividade, espiritualidade também englobam em si senso de dever, sensatez, lucidez e real fibra moral, seriedade, no que merece uma postura adulta, e isso merecia, e merece.
As pessoas não precisam de dogmas de uma fé muito distante e maior que elas, discursos, supostas esperanças ou uma igreja com uma estrutura que as deslumbre, as pessoas precisam de coerência!! Coerência de si mesmas, e de seus orientadores e pessoas que se colocam para os demais como exemplos.
(obs: antes de receios com a possibilidade de uma suposta falta de imparcialidade minha por seguir algo, não sigo religião nenhuma, pois pra mim religião é nada mais nada menos que algo que sua origem etimológica de religare significa, algo que religa, reconecta, o indivíduo com o Divino. Dessa forma, posso dizer que, pra mim, de forma pessoal, Amizade é uma religião, assim como ética, compaixão, altruísmo, objetividade, calma, transparência... Não vejo religião como algo necessariamente associado a instituição religiosa, e tenho afinidade com várias, pois não acho que religião ser associado com uma instituição seja algo ruim de forma nenhuma, pelo contrário. Mas, na minha vida, e apenas pra mim, religião são atitudes que me fazem sentir integrada com algo Maior.)
Bagagem
Viajou por alguns cantos por aí, carregando algumas coisas.
Nas mãos, levava malas e um travesseiro.
No peito, amizades, algumas saudades, e objetivos - sonhos, como dizem.
Na mente, boas intenções.
Na memória, momentos - que revivia quando achava que ainda precisava aprender algo com eles. E, "eles", incluía também os bons momentos.
No coração, bom, no coração, depois de conhecê-lo em uma de suas viagens, ela ainda o levava.
E ainda levaria por um bom tempo.
Aliás, não são todos os dias que nós, nessa vida - como apenas humanos, sempre tão seguros de nós mesmos e da ordem lógica, afetiva e criativamente tão pobre, das coisas e do mundo - recebemos o privilégio de sentir Amor e Lealdade de uma forma tão forte, livre, sem posse, sem ciúme, e, ainda assim profunda e sincera, (e irracional?) por alguém.
Ela tinha coragem de Sentir, e depois da viagem - de várias viagens, mas daquela, principalmente, em um mês de verão, famoso por ser o início de novo ciclo - sabia que ela devia se compor e se construir como metade, pra merecer a oportunidade de convívio com ele, a metade dela.
Por um período, a Viajante não faria jus ao seu nome.
Não até sua formação acadêmica concluir-se e ela ser levada pela mesma até a França.
E precisava ser na cidade do Amor.
Lá ela teria duas formações pra concluir, a de obstetra, e a de metade.
Nas mãos, levava malas e um travesseiro.
No peito, amizades, algumas saudades, e objetivos - sonhos, como dizem.
Na mente, boas intenções.
Na memória, momentos - que revivia quando achava que ainda precisava aprender algo com eles. E, "eles", incluía também os bons momentos.
No coração, bom, no coração, depois de conhecê-lo em uma de suas viagens, ela ainda o levava.
E ainda levaria por um bom tempo.
Aliás, não são todos os dias que nós, nessa vida - como apenas humanos, sempre tão seguros de nós mesmos e da ordem lógica, afetiva e criativamente tão pobre, das coisas e do mundo - recebemos o privilégio de sentir Amor e Lealdade de uma forma tão forte, livre, sem posse, sem ciúme, e, ainda assim profunda e sincera, (e irracional?) por alguém.
Ela tinha coragem de Sentir, e depois da viagem - de várias viagens, mas daquela, principalmente, em um mês de verão, famoso por ser o início de novo ciclo - sabia que ela devia se compor e se construir como metade, pra merecer a oportunidade de convívio com ele, a metade dela.
Por um período, a Viajante não faria jus ao seu nome.
Não até sua formação acadêmica concluir-se e ela ser levada pela mesma até a França.
E precisava ser na cidade do Amor.
Lá ela teria duas formações pra concluir, a de obstetra, e a de metade.
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Cheiro de casa com mãe e vó
Caminhava, naquele final de tarde – de céu já escuro – rumo ao colégio onde fazia trabalhos voluntários durante a noite.
Enquanto ouvia o som dos próprios passos e sentia o vento deixando suas bochechas geladas, ela passava por algumas casas.
E achou curioso, e de energia convidativa, o cheiro que sentia ao passar por cada moradia.
Todas tinham cheiro de janta.
Cheiro de tricô durante a tarde, novela da Globo, cadeiras na garagem.
E colo com cheiro de lavanda e amaciante de roupas.
Sentiu saudade.
Era leve parar de pensar em cursos de faculdade, vestibular, dinheiro, horários, e por um momento lembrar de como é gostoso ser cuidado.
Se sentiu frágil, se sentiu forte.
Sentiu que era ela agora quem iria cuidar de alguém – já cuidava, era só olhar para o espelho.
Enquanto ouvia o som dos próprios passos e sentia o vento deixando suas bochechas geladas, ela passava por algumas casas.
E achou curioso, e de energia convidativa, o cheiro que sentia ao passar por cada moradia.
Todas tinham cheiro de janta.
Cheiro de tricô durante a tarde, novela da Globo, cadeiras na garagem.
E colo com cheiro de lavanda e amaciante de roupas.
Sentiu saudade.
Era leve parar de pensar em cursos de faculdade, vestibular, dinheiro, horários, e por um momento lembrar de como é gostoso ser cuidado.
Se sentiu frágil, se sentiu forte.
Sentiu que era ela agora quem iria cuidar de alguém – já cuidava, era só olhar para o espelho.
quarta-feira, 27 de julho de 2016
Harmonia não é amor.
Mesmo que seja fácil confundi-los, caso você ainda não tenha sentido seu coração sendo tocado pelo que havia, e vivia, no peito de outra pessoa.
É que, é com esse toque, que incontestavelmente, você sente a distinção entre sentir harmonia, e sentir amor.
A harmonia, mesmo quando sentindo-a, você ainda sabe descrever.
Mesmo que seja fácil confundi-los, caso você ainda não tenha sentido seu coração sendo tocado pelo que havia, e vivia, no peito de outra pessoa.
É que, é com esse toque, que incontestavelmente, você sente a distinção entre sentir harmonia, e sentir amor.
A harmonia, mesmo quando sentindo-a, você ainda sabe descrever.
Amêndoas e flor de hibisco
Geralmente as pessoas começam como amigas, e terminam como namorado e namorada.
Ou lembrança - como meros conhecidos.
Ou noivos.
Ou parceiros no trabalho.
Ou colegas de happy hour.
Ou integrantes de um mesmo curso de culinária.
Ou como irmãos.
Ou vizinhos.
Ou o amor da vida vida um do outro - acontece.
Já eles, tinham começado como namorados, e terminado como amigos.
Porém, verdadeiramente amigos.
Eles se apoiavam, se ouviam, se observavam, conviviam.
Dividiam a mesa - sempre posta com aquele jogo americano.
Dividiam o pão também.
A torrada com requeijão no meio da tarde.
O chá gelado - era sempre ele quem o fazia.
As corridas ou caminhadas pela manhã.
As noites de filmes acompanhadas de cappuccino.
Dividiam o netflix.
O sentimento de empatia um pelo outro.
Em resumo, dividiam a reciprocidade de boa vontade.
Exceto a entrega do coração, eles entregavam muito um ao outro.
Respeito, bondade, sabedorias pessoais, cuidado, atenção, riso.
Isso era muito, sem dúvidas - e, mesmo sendo muito, era o suficiente.
Não excedia ao que sentia-se ser natural, espontâneo, entre os dois.
Era leve, pois a amizade era sincera e honesta para com os sentimentos de ambos.
E, mesmo tendo sido tão pouco tempo como namorados, parecia terem sido vários anos.
Ela percebeu quando as décadas acabaram, foi naquela noite, de uma só cama com dois cobertores.
Parecia que ela testemunhava a aceitação bonita de um final, enquanto ela o olhava segurando suas mãos perto do rosto dele enquanto dormia, sentindo o cheiro do creme que ela gostava de passar nas mãos antes de dormir.
Foi na mesma noite em que ela viu que tudo que ela sentia, no seu papel de namorada, cabia numa caixinha de macarons, onde ela notou estarem guardadas cartas e mimos com os quais ela o havia presenteado.
E era esse o problema da tentativa de namoro. Tudo cabia numa caixinha de doces.
Se era amor, não devia ter tamanho.
Ou lembrança - como meros conhecidos.
Ou noivos.
Ou parceiros no trabalho.
Ou colegas de happy hour.
Ou integrantes de um mesmo curso de culinária.
Ou como irmãos.
Ou vizinhos.
Ou o amor da vida vida um do outro - acontece.
Já eles, tinham começado como namorados, e terminado como amigos.
Porém, verdadeiramente amigos.
Eles se apoiavam, se ouviam, se observavam, conviviam.
Dividiam a mesa - sempre posta com aquele jogo americano.
Dividiam o pão também.
A torrada com requeijão no meio da tarde.
O chá gelado - era sempre ele quem o fazia.
As corridas ou caminhadas pela manhã.
As noites de filmes acompanhadas de cappuccino.
Dividiam o netflix.
O sentimento de empatia um pelo outro.
Em resumo, dividiam a reciprocidade de boa vontade.
Exceto a entrega do coração, eles entregavam muito um ao outro.
Respeito, bondade, sabedorias pessoais, cuidado, atenção, riso.
Isso era muito, sem dúvidas - e, mesmo sendo muito, era o suficiente.
Não excedia ao que sentia-se ser natural, espontâneo, entre os dois.
Era leve, pois a amizade era sincera e honesta para com os sentimentos de ambos.
E, mesmo tendo sido tão pouco tempo como namorados, parecia terem sido vários anos.
Ela percebeu quando as décadas acabaram, foi naquela noite, de uma só cama com dois cobertores.
Parecia que ela testemunhava a aceitação bonita de um final, enquanto ela o olhava segurando suas mãos perto do rosto dele enquanto dormia, sentindo o cheiro do creme que ela gostava de passar nas mãos antes de dormir.
Foi na mesma noite em que ela viu que tudo que ela sentia, no seu papel de namorada, cabia numa caixinha de macarons, onde ela notou estarem guardadas cartas e mimos com os quais ela o havia presenteado.
E era esse o problema da tentativa de namoro. Tudo cabia numa caixinha de doces.
Se era amor, não devia ter tamanho.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Tentativa de fuga
Tentei fugir.
Do que eu considero arte.
Do delicado.
Do sutil.
Do gentil.
Do olhar doce para com o mundo.
E para com os outros.
Da alegria ao interagir com uma criança.
Da leveza que sentia em andar sem sapatos ou meias nos pés.
De andar nua – de maquiagem, de autoafirmação, de medo de ter carinho por gente nova (por mais gente).
Tentei fugir do belo.
Da admiração silenciosa – anônima – por estranhos que tinham atitudes e gestos bonitos.
Da literatura.
Da arte de lápis e papel, da arte de tinta e tela.
E daquela que era deleite para os meus ouvidos e coração.
Do meu radar que reconhecia algum sentimento em todos os lugares pra onde eu olhava.
E da breve meditação seguida de apreciação, ao reconhecê-lo.
Tentei fugir da ânsia por viajar sem compromisso pelos lugares mais distintos daqueles em que eu vivi ou vivia.
Mas meus olhos sempre brilhavam quando eu me via diante de fotos de Santorini.
Tentei também, fugir da emoção que sentia ao sentar numa poltrona vermelha de teatro.
E da – grande – possibilidade de choro ao fechar das cortinas.
E, sob as estrelas, sentada na cama, ao lado do corpo que guardava a alma daquele por quem meu coração batia, pensando em tudo do qual eu tentava fugir, me peguei escrevendo poesia, enquanto minha outra mão se ocupava com um cafuné.
Amar é natural.
Do que eu considero arte.
Do delicado.
Do sutil.
Do gentil.
Do olhar doce para com o mundo.
E para com os outros.
Da alegria ao interagir com uma criança.
Da leveza que sentia em andar sem sapatos ou meias nos pés.
De andar nua – de maquiagem, de autoafirmação, de medo de ter carinho por gente nova (por mais gente).
Tentei fugir do belo.
Da admiração silenciosa – anônima – por estranhos que tinham atitudes e gestos bonitos.
Da literatura.
Da arte de lápis e papel, da arte de tinta e tela.
E daquela que era deleite para os meus ouvidos e coração.
Do meu radar que reconhecia algum sentimento em todos os lugares pra onde eu olhava.
E da breve meditação seguida de apreciação, ao reconhecê-lo.
Tentei fugir da ânsia por viajar sem compromisso pelos lugares mais distintos daqueles em que eu vivi ou vivia.
Mas meus olhos sempre brilhavam quando eu me via diante de fotos de Santorini.
Tentei também, fugir da emoção que sentia ao sentar numa poltrona vermelha de teatro.
E da – grande – possibilidade de choro ao fechar das cortinas.
E, sob as estrelas, sentada na cama, ao lado do corpo que guardava a alma daquele por quem meu coração batia, pensando em tudo do qual eu tentava fugir, me peguei escrevendo poesia, enquanto minha outra mão se ocupava com um cafuné.
Amar é natural.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Eu sinto muito
Eu sinto muito, que tenham dito pra você que não existia fada dos dentes ou papai noel.
Eu sinto muito, que você tenha ouvido alguém dizer que você nunca seria alguém com essas notas no colégio e que você não tenha entendido a necessidade de lutar contra isso.
Eu sinto muito, que você tenha tido um lar separado em dois.
E, sinto muito, que você tenha se sentido desnorteado quando isso aconteceu.
Eu sinto muito, que você não leia nenhuma poesia durante seus dias.
Ou que você simplesmente não saiba entendê-las.
Eu sinto muito, que você só conheça a cidade onde nasceu e ainda mora.
E, sinto muito, que você não sinta por não abrir seus horizontes.
Eu sinto muito, que você tenha acredito que está nessa vida sozinho.
Eu sinto muito, que você não se permita ter com quem contar.
Sinto muito, que você não tenha aprendido a chorar.
Eu sinto muito, que você tenha medo de ser você mesmo.
E, que na verdade, nem saiba que não o é mais, por já ter esquecido você.
Eu sinto muito, que você só tenha escolhido as parceiras rasas de peculiaridades e alma.
E, sinto muito, que você aceite que você mesmo seja tão frívolo.
Eu sinto muito, por todas as cambalhotas que você não deu na cama dos seus pais.
Sinto muito que você não tenha tido vontade de dá-las.
E, sinto muito, que você nunca tenha se dado bem com seu irmão.
Sinto, que você não teve nem o próprio irmão pra chamar de irmão.
E que não quis fazer nada pra mudar isso.
Eu sinto muito, que você nunca tenha ficado com as solas dos pés pretinho por ter brincado descalço uma tarde inteira.
Sinto muito que seus pais nunca tenham te ensinado a leveza que é deitar na grama e ver formatos de coisas da Terra nas nuvens lá no céu.
Por toda uma vida anestesiada de sentimentos e simplicidades, caro desconhecido de si mesmo, eu sinto muito.
Eu sinto muito, que você tenha ouvido alguém dizer que você nunca seria alguém com essas notas no colégio e que você não tenha entendido a necessidade de lutar contra isso.
Eu sinto muito, que você tenha tido um lar separado em dois.
E, sinto muito, que você tenha se sentido desnorteado quando isso aconteceu.
Eu sinto muito, que você não leia nenhuma poesia durante seus dias.
Ou que você simplesmente não saiba entendê-las.
Eu sinto muito, que você só conheça a cidade onde nasceu e ainda mora.
E, sinto muito, que você não sinta por não abrir seus horizontes.
Eu sinto muito, que você tenha acredito que está nessa vida sozinho.
Eu sinto muito, que você não se permita ter com quem contar.
Sinto muito, que você não tenha aprendido a chorar.
Eu sinto muito, que você tenha medo de ser você mesmo.
E, que na verdade, nem saiba que não o é mais, por já ter esquecido você.
Eu sinto muito, que você só tenha escolhido as parceiras rasas de peculiaridades e alma.
E, sinto muito, que você aceite que você mesmo seja tão frívolo.
Eu sinto muito, por todas as cambalhotas que você não deu na cama dos seus pais.
Sinto muito que você não tenha tido vontade de dá-las.
E, sinto muito, que você nunca tenha se dado bem com seu irmão.
Sinto, que você não teve nem o próprio irmão pra chamar de irmão.
E que não quis fazer nada pra mudar isso.
Eu sinto muito, que você nunca tenha ficado com as solas dos pés pretinho por ter brincado descalço uma tarde inteira.
Sinto muito que seus pais nunca tenham te ensinado a leveza que é deitar na grama e ver formatos de coisas da Terra nas nuvens lá no céu.
Por toda uma vida anestesiada de sentimentos e simplicidades, caro desconhecido de si mesmo, eu sinto muito.
quarta-feira, 4 de maio de 2016
O menino que respeitava o dinheiro
Ela observou aquele garoto, observou que ele tinha comportamentos e critérios condicionais, circunstanciais, com as demais pessoas, critérios esses baseados em aparência e esteriótipo físico, renda financeira e estilo de vida.
Se uma pessoa fosse ríspida de graça com ele, mas levasse a vida material que ele gostaria de levar um dia, ele abaixava a cabeça.
Se ele fosse – não educadamente ou normalmente rejeitado, mas – humilhado por alguma garota que estivesse perfeitamente encaixada dentro dos padrões de beleza impostos pela mídia, ele dava razão pra atitude dela, concordando com o desprezo com si mesmo.
Se alguém fizesse algo que o incomodasse ou que ele desaprovasse, como ser humano, mas tivesse aquele relógio de pulso, daquela grife, que ele gostaria de comprar, ele não emitia manifestação alguma.
Se um cara na rua passasse com uma Mercedes jogando lixo pela janela do carro, ele pensava sozinho que aquele cara podia fazer aquilo, pois tinha um carro de luxo, e isso dava direitos a mais a ele.
Se ele ouvisse o chefe, casado e pai de três filhos, comentando sobre a noite passada com a secretária, ele não sentia repulsa, mas o invejava. Uau, ele tinha grana, uma família pra fazer papel de elenco de propaganda de margarina na vida social dele, e ainda tinha a gostosa que ele desejasse, onde, quando e como desejasse.
Se a vizinha falasse com desdém e pejoratividade do cortador de grama que trabalhava naquela rua e não tivesse pudor nenhum em mostrar pra este mesmo jardineiro o quanto ela o desprezava, o garoto a aplaudia mentalmente, aliás, o cara é só um jardineiro, o que ele poderia proporcionar de contato, festas ou status? Realmente não vale a pena gastar seu tempo nem com um "bom dia", por favor.
A cada vez que ele concordava com a frieza, a indiferença humana e o oportunismo social como determinante para qualquer início de relacionamento, ele colocava o próprio valor pessoal equivalente ao preço de muitas cédulas.
Ela, a garota que observava, começou a ver o quanto o menino – que queria se dizer homem – tinha falsos moralismos, via que a cada dia ele ficava menor.
Ele era aquele tipo de pessoa que só se aproximava daqueles que o podiam beneficiar, e quanto mais ele o fazia, mais ele se afastava de quem ele era.
E mais ia se autoafirmando.
E mais se notava que sua base emocional estava no saldo da conta bancária.
E mais se percebia o quanto ele era inseguro.
Então ele se casou, com uma loira de família rica.
Então ele começou a ver que num convívio diário não dava pra ignorar que ele era de carne e osso.
Então a loira começou a ficar incomodada por ter um marido fracote que queria conversar antes de dormir.
Pois no mundo que ele criou, querer conversar sobre problemas cotidianos com a esposa, era coisa de homem frouxo.
Então, um dia, ele deitou com uma morena.
No outro, com uma ruiva...
E, num dia qualquer, acordou sozinho na cama.
Sem casamento.
Sem loira, morena, ou ruiva.
Sem filho ou filha.
Até que só sobrou uma criança, na liderança de uma multinacional, em vestes de adulto, com medo do amor.
A observadora, silenciosa e discreta, sentiu uma tristeza imensa, pela empatia que se permitiu ter com ele.
E chorou. Por todas as lágrimas que ele passaria a vida sem chorar, já que ele não se emocionava.
Ele nunca ia ter os olhos marejados ao olhar pra uma criança brincando, pois ele ainda a era, ele só precisava de um colo, aquele colo que ele havia se fechado a receber desde que passou a respeitar mais o dinheiro que as pessoas.
Ah, se os adultos soubessem o quanto é infantil negar ainda ser uma criança...
Se uma pessoa fosse ríspida de graça com ele, mas levasse a vida material que ele gostaria de levar um dia, ele abaixava a cabeça.
Se ele fosse – não educadamente ou normalmente rejeitado, mas – humilhado por alguma garota que estivesse perfeitamente encaixada dentro dos padrões de beleza impostos pela mídia, ele dava razão pra atitude dela, concordando com o desprezo com si mesmo.
Se alguém fizesse algo que o incomodasse ou que ele desaprovasse, como ser humano, mas tivesse aquele relógio de pulso, daquela grife, que ele gostaria de comprar, ele não emitia manifestação alguma.
Se um cara na rua passasse com uma Mercedes jogando lixo pela janela do carro, ele pensava sozinho que aquele cara podia fazer aquilo, pois tinha um carro de luxo, e isso dava direitos a mais a ele.
Se ele ouvisse o chefe, casado e pai de três filhos, comentando sobre a noite passada com a secretária, ele não sentia repulsa, mas o invejava. Uau, ele tinha grana, uma família pra fazer papel de elenco de propaganda de margarina na vida social dele, e ainda tinha a gostosa que ele desejasse, onde, quando e como desejasse.
Se a vizinha falasse com desdém e pejoratividade do cortador de grama que trabalhava naquela rua e não tivesse pudor nenhum em mostrar pra este mesmo jardineiro o quanto ela o desprezava, o garoto a aplaudia mentalmente, aliás, o cara é só um jardineiro, o que ele poderia proporcionar de contato, festas ou status? Realmente não vale a pena gastar seu tempo nem com um "bom dia", por favor.
A cada vez que ele concordava com a frieza, a indiferença humana e o oportunismo social como determinante para qualquer início de relacionamento, ele colocava o próprio valor pessoal equivalente ao preço de muitas cédulas.
Ela, a garota que observava, começou a ver o quanto o menino – que queria se dizer homem – tinha falsos moralismos, via que a cada dia ele ficava menor.
Ele era aquele tipo de pessoa que só se aproximava daqueles que o podiam beneficiar, e quanto mais ele o fazia, mais ele se afastava de quem ele era.
E mais ia se autoafirmando.
E mais se notava que sua base emocional estava no saldo da conta bancária.
E mais se percebia o quanto ele era inseguro.
Então ele se casou, com uma loira de família rica.
Então ele começou a ver que num convívio diário não dava pra ignorar que ele era de carne e osso.
Então a loira começou a ficar incomodada por ter um marido fracote que queria conversar antes de dormir.
Pois no mundo que ele criou, querer conversar sobre problemas cotidianos com a esposa, era coisa de homem frouxo.
Então, um dia, ele deitou com uma morena.
No outro, com uma ruiva...
E, num dia qualquer, acordou sozinho na cama.
Sem casamento.
Sem loira, morena, ou ruiva.
Sem filho ou filha.
Até que só sobrou uma criança, na liderança de uma multinacional, em vestes de adulto, com medo do amor.
A observadora, silenciosa e discreta, sentiu uma tristeza imensa, pela empatia que se permitiu ter com ele.
E chorou. Por todas as lágrimas que ele passaria a vida sem chorar, já que ele não se emocionava.
Ele nunca ia ter os olhos marejados ao olhar pra uma criança brincando, pois ele ainda a era, ele só precisava de um colo, aquele colo que ele havia se fechado a receber desde que passou a respeitar mais o dinheiro que as pessoas.
Ah, se os adultos soubessem o quanto é infantil negar ainda ser uma criança...
quinta-feira, 31 de março de 2016
Pés de bailarina
Após chegar do estúdio de dança, depois de todo um dia de ensaio, a menina de cabelos loiros, curtos e ondulados – sentada na poltrona próxima da escrivaninha de seu quarto – observava sozinha as linhas sutis que desenhavam a palma das próprias mãos.
Como uma sugestão, as marcas naturais ali contempladas a convidaram a pensar nas cicatrizes que alguém carrega – conquista – durante a vida. De alguma forma, aquelas linhas a remeteram a pensar em dor, e cura.
Imersa em reflexões e analogias, tirou a sapatilha dos pés. E os olhou.
Haviam, naqueles pés, bolhas e calos, mesclados com um dolorido e suado tom de cor de rosa se mesclando à cor da pele.
Sem cada calo, cada cor de rosa na pele, cada unha machucada e ausente do colorido da cor de algum esmalte, ela não causaria tanto encanto naquele palco, da academia onde estudava seu delicado balé.
Pensou nas suas últimas noites de apresentação.
Cadeiras de veludo vermelho ocupadas, atenção, envolvimento, silêncio.
Lágrimas nos olhos.
Aplausos.
Respeito.
Respeito.
Noites magníficas.
Já num rápido instante, ali no quarto deixado pela luz do dia, ficou claro pra ela que toda doçura, suavidade, leveza e belezas que deixassem seus telespectadores em hipnose, eram tão facilmente admirados naquele instante pois havia tido uma imensa dedicação e complexidade para se chegar ao simples, ao sincero.
Simples e sincero era tudo aquilo que não dependia de circunstâncias para ser.
Não tinha mais que ser confortável, nem que ter as unhas dos pés feitas toda a semana.
Não tinha mais que comer pizza toda sexta-feira.
Não tinha mais que se preocupar na quantidade de pessoas que testemunhariam se ela errasse.
Não tinha mais que descansar 9h por noite ou sonhar seus sonhos até mais tarde no domingo.
Não tinha mais que se preocupar na quantidade de pessoas que testemunhariam se ela errasse.
Não tinha mais que descansar 9h por noite ou sonhar seus sonhos até mais tarde no domingo.
Tinha que ser doação, suor e entrega.
É que, depois de se sentir infinita várias vezes sobre um palco sob um teto sob estrelas, não havia mais obrigação, agora havia o querer.
As prioridades mudam quando entendemos que todo calo e bolha nos pés se transmutam em algo belo.
As prioridades mudam quando entendemos que todo calo e bolha nos pés se transmutam em algo belo.
Tanto no balé quanto na vida, ela entendeu que cada passo de dança poderia ser dançado como uma vitória, pelo mérito de seu tempo a aperfeiçoar isso, mas ainda assim, com a simplicidade de uma criança que se divertiria em dançar para si mesma. Poucos minutos antes de adormecer, de semblante sereno, como quem reconhece a leveza de servir um nobre propósito, estava sorrindo.
Assinar:
Postagens (Atom)