Naquele dia ela não queria estar entre ondas quebrando. Não queria areia nos pés nem dentro do biquíni. Não queria cheiro de maré, vento no rosto, passando por ela bagunçando seu cabelo. Não queria lugares novos ou gente – mesmo que gente legal – pra ver.
Ela nem queria lagoa de águas calmas.
Mas, ora essa, o que ela poderia querer fazer naquele dia, em sua estadia no litoral nordestino?
Tudo que ela citou ali em cima que não queria fazer. E ela o faria, o continuaria fazendo.
Mas ah, não naquele dia.
Ela queria tomar um banho fresco, vestir uma camiseta limpa e shorts confortáveis de pijama, andar descalça e ouvir MPB.
Queria ler Martha Medeiros –Deus no céu e Martha na terra – estirada na cama bem arrumada, com a porta da varanda aberta, olhando o mar lá atrás, quase desempenhando a função de um papel de parede.
Queria passar o dia no seu mundo particular.
Queria pesquisar uma receita nova, talvez de uma sobremesa – aquela uma, nada light.
Queria ver a grade do curso que queria na faculdade – mais uma vez.
Queria se emocionar com a música de alguma banda carismática, pouco famosa.
Queria esbarrar com alguém de olhar tranquilo.
Queria dia descompromissado.
Queria ouvir o barulho da TV, a narração do futebol, que o avó assistia interessado, enquanto pintava, ela, as unhas dos pés.
Queria pensar em toda sua vidinha de 17 anos, que acabaria dali algumas horas, passando a ser uma vidinha de 18.
Queria relembrar os pequenos amores, gostosos e desgostosos.
Queria pensar no privilégio que ela tinha por ter os amigos que faziam parte da sua vida.
Queria lembrar com carinho da sua família, que tinha passado tantos momentos intensos do seu lado.
Queria pensar com um gostoso sentimento de saudades no quanto tudo mudou.
Queria ler uma biografia inspiradora, de uma atriz que teve uma vida incrível e, a sua maneira, longa. De um homem que fez revolução sem armas.
Queria comer uma fruta gelada, tomar água de coco e praticar um pouco de ioga.
Queria que, antes de dar andamento aos planos daquele dia já incluindo todos de casa, alguém perguntasse o que ela queria fazer hoje.
sábado, 31 de janeiro de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Ser desencanado não é se ofender com alguém na hora, não dizer nada, deixar pra la e depois receber a pessoa com um abraço. Ser desencanado é não chegar nem a se ofender. Ser desencanado é saber resolver alguma pequena ofensa com leveza, poucas palavras, sinceridade e serenidade. E digo mais, ser desencanado não é ser uma pessoa largada, despreocupada, é apenas ser leve, saber rir, brincar, fazer piada sem maldade, achar graça no que não é apelativo.
Em outras palavras, a vida fica até mais bonita.– ouso dizer.
Tudo é jeito de se levar as coisas, aliás, isso quem decide como é, é cada um.
E tenho certa frase como uma alegre convicção... Abençoados são os desencanados.
Há quem nasça assim, e há quem aprendeu de coração a ser assim. E esses sem dúvida vivem bem, gostosamente. Mesmo que nem percebam isso, por ser tão natural pra eles.
Em outras palavras, a vida fica até mais bonita.– ouso dizer.
Tudo é jeito de se levar as coisas, aliás, isso quem decide como é, é cada um.
E tenho certa frase como uma alegre convicção... Abençoados são os desencanados.
Há quem nasça assim, e há quem aprendeu de coração a ser assim. E esses sem dúvida vivem bem, gostosamente. Mesmo que nem percebam isso, por ser tão natural pra eles.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Como – geralmente – é
Santa ou safada. – Maria já desencarnou e mulher, quando está a fim, faz direito. Também esqueceram que educação e discrição não são sinônimos de passividade, e não invalidam uma personalidade divertida e o fato dessa pessoa cometer erros aqui e ali como qualquer outra.
De direita ou esquerda. – desse modo, é natural que nós caminhemos rumo ao fanatismo, você não pode concordar com um pouco de cada um, pois seria indecisão da sua parte, escolhe logo um lado! E claro, é aí que nascem as discussões ideológicas que desencadeiam muitas outras situações – nem sempre benéficas ou agradáveis – e problemas sociais.
Feio ou bonito. – se você, mulher, tem cabelo comprido é bonita, se têm cabelo comprido, você, homem, é esquisito, seu metido a rebelde. Se você é baixinha, ah, até que é fofa, mas não tem presença. Se é baixinho, é menos másculo por isso, deve ter outras coisas pequenas também.
Magra ou gorda. – cá entre nós... Entre os dois, nenhum parece satisfatório. Hoje todos tem interesse em ter aquele corpo malhado de academia, se não, não há beleza no corpo dessa pessoa, o conceito de ideal físico não vem mais sendo algo relativo, é geral. E é exigente. Se você não se encaixa, e inicia algum papo que envolva quebra de tabu, você geralmente o faz por você não se sentir bem e querer se convencer de que não há nada de errado com o seu corpo, e não por realmente acreditar na bobeira que é a ditadura dos tabus, na causa.
Sexy ou vulgar. – são uma questão de atitudes, dizer que uma roupa, por exemplo, é vulgar ou deixa alguém sexy, é apenas o fato de que essa roupa vai favorecer uma postura sexy ou uma postura vulgar, mas sem atitude, a roupa não dita nenhuma regra.
Dama ou vagabunda. – sério?
Inteligente ou burro. – se ele usa palavras difíceis pra falar, lê com frequência, assiste alguns dos clássicos do cinema e tira boas notas no colégio ou faculdade, não precisa de mais nada, o cara é culto, um gênio. Mas, experimenta colocar ele pra falar ou lidar com algo fora da bolha do mundinho perfeito dele. Não sai uma palavra nem uma atitude. Ele não aceita que discordem dele, é convicto demais pra ouvir outra opinião, aceitar a existência de outra além da dele com possibilidade de ser relevante e considerável.
Opa, aí chega outro cara, e ele não tira tão boas notas, é o palhaço da sala e passa o dia jogando vídeo game, ele é um caso perdido. E daí que ele também é ótimo com informática, gráficos, computação e, pelo senso de humor, sempre com algo engraçado na ponta da língua, é criativo? E daí que ele aprecia música clássica? Ele não vai bem no colégio, esse menino vai ser um zero a esquerda, já é.
Babaca ou o cara legal. – as mulheres não podem sair com o cara que quiserem por serem rotuladas vulgares ou vagabundas, mas os homens também não. Eles podem ser os garanhões que se dão bem por um tempo, mas depois são os galinhas, aquele cara da festa todo mundo sabe que dá papo pra qualquer mulher, logo, quando aparecer uma por quem ele se apaixone, ela não vai ver credibilidade nele. Mas só ele sai mal por isso. Esse é o cara galinha, ele fala na cara de pau o que quer com você, e ele não é uma má pessoa por isso. Não querer véu e grinalda com a primeira que aparecer não tem mal algum. Na verdade ser um babaca só tem a ver com enganar alguém dizendo ter uma intenção quando possui outra, tem a ver com ter arrogância, preconceitos sólidos e grosserias gratuitas. Isso é um babaca. E as atitudes distantes dessas, suas oposições, estão próximas de serem as atitudes da conduta de alguém que é um cara legal.
As pessoas não se dão um tempo, há sempre algo ruim pra falar de alguém, algum defeito pra apontar, aliás, as pessoas sempre te querem bem, só não melhor que elas.
Não concordo com as generalizações que escrevi, ter presença, por exemplo, não tem a ver apenas com a altura de um indivíduo. Pra alguns que tem uma cabeça e modo de pensar semelhante ao meu, esses entenderam que esse texto e esse discurso todo é uma crítica das mais negativas a essas mentes coletivas.
Mas realmente vejo que existem pessoas – em um número não tão pequeno quanto eu gostaria de dizer – que pensam dessa maneira, seriamente. É mesmo a opinião sincera delas. E eu acho essa visão de mundo horrível, é uma bagunça, eles perdem muito com isso. Momentos bons, pessoas interessantes, papos legais, debates inteligentes – mas vamos abrir um parênteses aqui... Para mim, eles perdem muito, pra eles, eles só estão levando a sério as prioridades que tem, que são superficiais.
Me pergunto quanto tempo vai levar pra que o ser humano entenda que isso não funciona pra seres que não são simplórios ao ponto de serem colocados em um gênero e isso estar absolutamente certo, ser válido e possuir veracidade. Existem coisas das quais concordamos e discordamos, mas não precisam ser necessariamente de uma forma radical. Não é questão de ficar em cima do muro ou não ter uma opinião formada, é sobre não sermos fanáticos, agressivos com opiniões diferentes das que temos como corretas ou como verdade. Deve ser esse um dos motivos para as pessoas se agredirem tanto e permanecerem na defensiva constantemente, querendo "sair por cima", ao invés de conversar numa boa, como iguais e com calma, sem querer atingir o outro. Vivemos nos atacando o tempo todo, tentando converter os outros à nossa maneira de ser.
Isso tudo é absurdamente bobo. As pessoas gostam de dar nome e generalização para tudo, e dentro de cada gênero vem junto uma suposição de como a pessoa seja, o que chamamos de preconceito. É um pré conceito.
E as pessoas costumam zombar – não uma brincadeira entre colegas ou amigos, mas discriminar, reprovar essas pessoas – de quem tem algo de diferente.
Mas o que não imaginam, é que os diferentes também zombam delas, aliás, pra elas, os diferentes são eles.
Cada um tem direito de ser o que é.
O ruim, como pessoas violentas, rudes e egoístas, vai sempre ser ruim. E, sendo dessa forma, o único tipo de pessoa repreensível é aquela que prejudica outras pessoas com o que ela é, pois se ela prejudica apenas a si com o que é e faz, uma hora ela vai parar, se dar conta sozinha.
Mas o restante, gostos, preferências, sentimentos, não deve ser aprovado ou reprovado por nós, isso não nos cabe, logo, você nem precisa aceitar aquilo que te incomoda na pessoa, basta aceitar que tem que ter interesse em conviver bem com tal coisa.
É como diz certa frase, não me julgue pelos meus pecados serem diferentes dos seus.
O homem (o ser humano) não entende que ajudando e sendo bom para o outro, ele também faz bem pra ele. E aí, não tendo essa consciência, faz muita coisa pelo caminho – no mau sentido – mais difícil e mais longo.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
A magia do amor real
Ela chegou alegre no apartamento, após um encontro com amigos que eram pessoas que ela admirava de todo o coração.
Tirou os sapatos e as meias, fez um coque frouxo e ligou o ar condicionado. Ela estava com vontade de tomar cappuccino, que bom que a sala estava geladinha, ignorando a realidade do clima quente do lado de fora da varanda.
Ligou a TV pra terminar de ver o filme que havia começado na madrugada de ontem, Paixão de Ocasião.
Era com a Jennifer Aniston, ela adorava o papel daquela atriz em Friends – ótima série, aliás.
O filme contava a história de uma publicitária que pagou pelo fotógrafo do casamento de uma amiga, para que fingisse ser seu noivo, e fingisse terminar com ela também (pareceu contraditório né? Mas sem mais detalhes, assistam!).
Só que... No desenrolar da maluquice toda, o cara era uma pessoa demais, era um cara muito legal. Era aquele cara. Era o cara certo. Independente das atitudes não tão maduras dela – não eram lá das mais admiráveis, digamos – ele a tratava com carinho, continuava olhando pra ela de um jeito que a menina, telespectadora e mais nova fã do filme, se sentiria amada, num enorme aconchego, se um dia recebesse um olhar daqueles.
Acredito que não há descrição melhor daquele olhar, que o ator interpretou tão bem.
E o motivo de ela ter se tocado tanto com o filme, foi que ela descobriu algo sobre si mesma assistindo‐o.
Descobriu que gostava de pessoas corajosas. Não me refiro a inconsequência, de empinar uma moto a 300km/h, enrolar uma Cascavel no pescoço ou entrar numa jaula com tigres.
Mas coragem. Gente que diz o que sente pra pessoa por quem tem carinho, mesmo nos momentos que não são os mais favoráveis. Gente que discorda, mesmo sendo a minoria a ter determinado pensamento, pois não pensa o que pensa em prol de agradar ou impressionar outras pessoas. Gente que abraça sem estar dizendo "oi" ou "até mais", mas só por ter sentido vontade. Gente que canta em casa, no meio da família, quando está feliz. Gente que convida os avós pra dançar no meio da cozinha. Gente que leva seu cotidiano com sensatez e responsabilidades, mas sabe se soltar e dançar muito naquela festa do final de semana.
Claro que algumas dessas coisas não têm a ver exclusivamente com coragem, mas já são outros pontos e outra história.
No final das contas, uma reflexão aconteceu, pois ela ficou apaixonada pelos personagens do filme. Eles não se preocuparam com o protótipo de "vou me declarar, vai ser um mar de rosas, vou ouvir um sim, eu também te amo e, em seguida, uma música linda vai tocar. Vamos sair numa carruagem rodeada de passarinhos e flores, felizes parar sempre". Não, nada disso. Aquilo era o mundo real, e a preocupação dos personagens, era fazer a parte deles com a pessoa por quem eles tinham tanto afeto. Se não desse certo, falta de comunicação e ciência dos sentimentos de um pelo outro, não seria. Mas só quem tem coragem cede, se desculpa, vai atrás, quer fazer dar certo, sabe o que sente – admite pra si mesmo que sente.
Ela segurava a xícara vazia com as duas mãos, olhando a tela com os créditos finais do filme que ela tinha achado tão bonito por ser lindo e ainda assim um filme que poderia ter sido feito retratando uma história verídica. A história não precisou de aviões que faziam declarações no céu nem um buquê de uma centena de rosas pra mostrar sentimento entre os personagens. E não que isso não seja legal, é extravagante e doce, mas não é só com essas situações que podemos demonstrar bons sentimentos. Existe muita beleza em outros pequenos grandes gestos.
Isabela Freitas – para os que não conhecem, uma boa escritora e blogueira – não falava em vão quando disse que "o amor é para os corajosos".
Tirou os sapatos e as meias, fez um coque frouxo e ligou o ar condicionado. Ela estava com vontade de tomar cappuccino, que bom que a sala estava geladinha, ignorando a realidade do clima quente do lado de fora da varanda.
Ligou a TV pra terminar de ver o filme que havia começado na madrugada de ontem, Paixão de Ocasião.
Era com a Jennifer Aniston, ela adorava o papel daquela atriz em Friends – ótima série, aliás.
O filme contava a história de uma publicitária que pagou pelo fotógrafo do casamento de uma amiga, para que fingisse ser seu noivo, e fingisse terminar com ela também (pareceu contraditório né? Mas sem mais detalhes, assistam!).
Só que... No desenrolar da maluquice toda, o cara era uma pessoa demais, era um cara muito legal. Era aquele cara. Era o cara certo. Independente das atitudes não tão maduras dela – não eram lá das mais admiráveis, digamos – ele a tratava com carinho, continuava olhando pra ela de um jeito que a menina, telespectadora e mais nova fã do filme, se sentiria amada, num enorme aconchego, se um dia recebesse um olhar daqueles.
Acredito que não há descrição melhor daquele olhar, que o ator interpretou tão bem.
E o motivo de ela ter se tocado tanto com o filme, foi que ela descobriu algo sobre si mesma assistindo‐o.
Descobriu que gostava de pessoas corajosas. Não me refiro a inconsequência, de empinar uma moto a 300km/h, enrolar uma Cascavel no pescoço ou entrar numa jaula com tigres.
Mas coragem. Gente que diz o que sente pra pessoa por quem tem carinho, mesmo nos momentos que não são os mais favoráveis. Gente que discorda, mesmo sendo a minoria a ter determinado pensamento, pois não pensa o que pensa em prol de agradar ou impressionar outras pessoas. Gente que abraça sem estar dizendo "oi" ou "até mais", mas só por ter sentido vontade. Gente que canta em casa, no meio da família, quando está feliz. Gente que convida os avós pra dançar no meio da cozinha. Gente que leva seu cotidiano com sensatez e responsabilidades, mas sabe se soltar e dançar muito naquela festa do final de semana.
Claro que algumas dessas coisas não têm a ver exclusivamente com coragem, mas já são outros pontos e outra história.
No final das contas, uma reflexão aconteceu, pois ela ficou apaixonada pelos personagens do filme. Eles não se preocuparam com o protótipo de "vou me declarar, vai ser um mar de rosas, vou ouvir um sim, eu também te amo e, em seguida, uma música linda vai tocar. Vamos sair numa carruagem rodeada de passarinhos e flores, felizes parar sempre". Não, nada disso. Aquilo era o mundo real, e a preocupação dos personagens, era fazer a parte deles com a pessoa por quem eles tinham tanto afeto. Se não desse certo, falta de comunicação e ciência dos sentimentos de um pelo outro, não seria. Mas só quem tem coragem cede, se desculpa, vai atrás, quer fazer dar certo, sabe o que sente – admite pra si mesmo que sente.
Ela segurava a xícara vazia com as duas mãos, olhando a tela com os créditos finais do filme que ela tinha achado tão bonito por ser lindo e ainda assim um filme que poderia ter sido feito retratando uma história verídica. A história não precisou de aviões que faziam declarações no céu nem um buquê de uma centena de rosas pra mostrar sentimento entre os personagens. E não que isso não seja legal, é extravagante e doce, mas não é só com essas situações que podemos demonstrar bons sentimentos. Existe muita beleza em outros pequenos grandes gestos.
Isabela Freitas – para os que não conhecem, uma boa escritora e blogueira – não falava em vão quando disse que "o amor é para os corajosos".
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
A inexistência do acaso
Ela acreditava em reencarnação. Acreditava que, antes de descer de alguma nuvem lá do céu e chegar na terra, que pode ser um pouco de céu ou inferno, as coisas se acertavam sobre como seria a vida que ela ia ter, aquela vida, o que ela precisava aprender, ensinar. Tinha fé de que escolheu passar pelo que passou e pelo que ainda passaria na sua – esperava ela – longa e intensa vida. Intensa ela já sabia que era.
Entendia que algumas coisas boas vinham disfarçadas de males mas ao fim das contas traziam condições, circunstâncias e pessoas melhores, pequenas grandes lições pra ela (como também para toda pessoa, de acordo com a fé que ela tinha na veracidade dessa possibilidade de existência).
Mas, até então, uma escolha não entendia. Não entendia porquê escolheu sentir falta dele.
De madrugada, ela acordou suavemente de uma maneira aleatória, após um sonho com aquele cara legal que ela havia gostado tanto. O cara que deu uma palheta pra quem não tinha um violão, junto com um bobo e bonito pedaço pequeno de coral. Ela ainda os tinha guardados.
Foi estranho. Quando ela acordou, seus pensamentos eram só ele e aquela situação entre os dois. E o motivo de ter acabado, motivo que, até aquela madrugada, ela não tinha enxergado.
Ficou tudo óbvio e muito claro. Como se alguém tivesse simplesmente posto um filme na cabeça dela explicando, recordando, aqueles detalhes pelos quais ela passou e não viu. Entendeu rápido o que foi dado pra ela. A falha que desencadeou aquela situação que, sem dramas ou último beijo, virou fim, tinha sido dela. E foram duas.
Nem tinham sido grande coisa, isso era o que a deixava mais incomodada. Tudo podia ter sido (muito bem) resolvido, era simples e pequeno perto de todas as outras coisas tão boas que eram maioria entre a convivência deles.
Ela era apaixonada por aquele tonto. Ele foi um amigo leal, sem segunda intenção antes da intenção de ambos se tornar outra. Podiam – passavam – passar horas conversando ou fazendo nada juntos, era agradável. Qualquer lugar, mesmo pobre de grandes atrativos, era uma boa, ele tinha senso de humor e, aliás, um corpo lindo. E, ai ai, muito bons beijos. Ela ficava calma do seu lado e se sentia a vontade com ele em qualquer lugar.
Adorava o cachorro dele.
Sentiu-se diante de uma incógnita.
Ficou com a expressão chorosa.
"Por que agora?"
Ela entendeu tudo quando não tinha mais nada pra fazer, já estava à mais de meia milha de distância dele, não era pra ser. Chateada pela saudade que ainda sentia, mas conformando-se, a menina entendeu todo o contexto, e agora ela, em partes, sabia o porquê da sua escolha, feita em algum lugar bonito lá em cima.
Entendia que algumas coisas boas vinham disfarçadas de males mas ao fim das contas traziam condições, circunstâncias e pessoas melhores, pequenas grandes lições pra ela (como também para toda pessoa, de acordo com a fé que ela tinha na veracidade dessa possibilidade de existência).
Mas, até então, uma escolha não entendia. Não entendia porquê escolheu sentir falta dele.
De madrugada, ela acordou suavemente de uma maneira aleatória, após um sonho com aquele cara legal que ela havia gostado tanto. O cara que deu uma palheta pra quem não tinha um violão, junto com um bobo e bonito pedaço pequeno de coral. Ela ainda os tinha guardados.
Foi estranho. Quando ela acordou, seus pensamentos eram só ele e aquela situação entre os dois. E o motivo de ter acabado, motivo que, até aquela madrugada, ela não tinha enxergado.
Ficou tudo óbvio e muito claro. Como se alguém tivesse simplesmente posto um filme na cabeça dela explicando, recordando, aqueles detalhes pelos quais ela passou e não viu. Entendeu rápido o que foi dado pra ela. A falha que desencadeou aquela situação que, sem dramas ou último beijo, virou fim, tinha sido dela. E foram duas.
Nem tinham sido grande coisa, isso era o que a deixava mais incomodada. Tudo podia ter sido (muito bem) resolvido, era simples e pequeno perto de todas as outras coisas tão boas que eram maioria entre a convivência deles.
Ela era apaixonada por aquele tonto. Ele foi um amigo leal, sem segunda intenção antes da intenção de ambos se tornar outra. Podiam – passavam – passar horas conversando ou fazendo nada juntos, era agradável. Qualquer lugar, mesmo pobre de grandes atrativos, era uma boa, ele tinha senso de humor e, aliás, um corpo lindo. E, ai ai, muito bons beijos. Ela ficava calma do seu lado e se sentia a vontade com ele em qualquer lugar.
Adorava o cachorro dele.
Sentiu-se diante de uma incógnita.
Ficou com a expressão chorosa.
"Por que agora?"
Ela entendeu tudo quando não tinha mais nada pra fazer, já estava à mais de meia milha de distância dele, não era pra ser. Chateada pela saudade que ainda sentia, mas conformando-se, a menina entendeu todo o contexto, e agora ela, em partes, sabia o porquê da sua escolha, feita em algum lugar bonito lá em cima.
sábado, 10 de janeiro de 2015
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
O colégio era legal, parecia ser. As cores eram as mesmas de um em que ela havia adorado estudar, o sistema de catracas monitorando entrada e saída, também. E o uniforme era lindo, o tecido era bom, grosso, e o nome da escola, bordada, cada letra. Tinham várias cores, até cor de rosa.
Os professores, de cursinho. Plantões individuais incluídos na mensalidade.
A sede para a qual ela iria, era na avenida, grande e com uma estrutura de bom gosto.
Mas pensar no primeiro dia de aula, e nela chegando na sala — cheia de gente nova — usando um esparadrapo no nariz e com as maçãs do rosto levemente roxas, todo o glamour e pose daquilo se esvaiu, pra não virar desânimo, virou humor. Ia tentar ver aquilo como mais uma história pra contar. Que cena.
Ela riu.
Os professores, de cursinho. Plantões individuais incluídos na mensalidade.
A sede para a qual ela iria, era na avenida, grande e com uma estrutura de bom gosto.
Mas pensar no primeiro dia de aula, e nela chegando na sala — cheia de gente nova — usando um esparadrapo no nariz e com as maçãs do rosto levemente roxas, todo o glamour e pose daquilo se esvaiu, pra não virar desânimo, virou humor. Ia tentar ver aquilo como mais uma história pra contar. Que cena.
Ela riu.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
É claro que ser sempre agradável com aqueles com quem não nos importamos é fácil, isso é indiferença.
Exatamente agora, em algum lugar do mundo tem alguém brigando. Tem alguém terminando um namoro, uma amizade, um relacionamento.
Tem alguém esclarecendo uma fofoca e rindo, reatando. Tem alguém fazendo as pazes de uma briga de dias, outros de meses, ainda outros – quem dirá – anos.
Mas, para todos esses, existem três possibilidades, e são essas três possibilidades que facilitam para que façam as pazes, ou não.
E digo três, pois são três estágios – daria pra chamar assim? – pelos quais todos nós passamos, conhecemos, ou ainda vamos passar e conhecer.
O primeiro, é de quando estamos com raiva. Estamos lá, querendo morder a parede, falando pra ele ou ela nunca mais ligar, tentados a deletar fotos, até as nossas prediletas, pois tem o rosto daquela pessoa ali. Estágio de ser irônico com o outro numa discussão. De querer jogar na cara desse outro alguém que você está bem – eu não preciso de você, estou bem, aliás, ótimo!
Tem alguém esclarecendo uma fofoca e rindo, reatando. Tem alguém fazendo as pazes de uma briga de dias, outros de meses, ainda outros – quem dirá – anos.
Mas, para todos esses, existem três possibilidades, e são essas três possibilidades que facilitam para que façam as pazes, ou não.
E digo três, pois são três estágios – daria pra chamar assim? – pelos quais todos nós passamos, conhecemos, ou ainda vamos passar e conhecer.
O primeiro, é de quando estamos com raiva. Estamos lá, querendo morder a parede, falando pra ele ou ela nunca mais ligar, tentados a deletar fotos, até as nossas prediletas, pois tem o rosto daquela pessoa ali. Estágio de ser irônico com o outro numa discussão. De querer jogar na cara desse outro alguém que você está bem – eu não preciso de você, estou bem, aliás, ótimo!
Nesse momento, é onde podemos ter a maior segurança de que (claro, depois que a maré se acalmar) a gente vai fazer as pazes e que vai ficar tudo bem de novo. Esse amigo, irmão, namorada, você, está brabo.
Você e aquele alguém se importam. A gente só se incomoda com o que, de alguma forma, nos diz respeito, e sempre temos a escolha e o controle de o quê está relacionado a nós.
O segundo estágio é de quando a raiva passou, você fica triste. Fica desanimado, reflexivo e bem borocochô – em um dos tipos de relacionamento, estágio mais conhecido como o momento em que as mulheres comem brigadeiro de panela e enchem a cara de sorvete com uma amiga e os homens tomam uma gelada com os amigos solteiros que querem dar uma animada nele vendo um bom jogo de futebol.
E acredito que é na tristeza que temos um tipo de prova, se quando sentimos tristeza, depois de o ego ter baixado e a poeira também, sentirmos saudade, é porquê a gente tem interesse em ficar pertinho daquela pessoa de volta. A gente começa a pensar com mais calma e enxergar as relevâncias e irrelevâncias, e escolhemos ser, ou não, maduros. Não valeu a pena brigar – poxa não era pra tanto. Pois é.
E acredito que é na tristeza que temos um tipo de prova, se quando sentimos tristeza, depois de o ego ter baixado e a poeira também, sentirmos saudade, é porquê a gente tem interesse em ficar pertinho daquela pessoa de volta. A gente começa a pensar com mais calma e enxergar as relevâncias e irrelevâncias, e escolhemos ser, ou não, maduros. Não valeu a pena brigar – poxa não era pra tanto. Pois é.
Mas, por mais que o ser humano possa ser bastante intenso, esperançoso e até iludido as vezes, ninguém fica triste pra sempre. Ninguém espera pra sempre. E, ressaltando, estou falando de todo relacionamento, os de irmãos, amigos, pais e filhos, os afetivos.
Se nada fica bem nem muda de figura, uma hora a gente começa a pensar naquela pessoa como alguém que passou a ser figurante na nossa vida, que a gente pode ficar bem sem ela. Ou que ela não vai mudar, então nosso interesse em rolar a bola pra frente, aos poucos, aparece.
Esse seria o último... O terceiro estágio – uau, ainda to achando estranha essa palavra num contexto referente a sentimentos – é a indiferença. E, nesse momento, o laço não é laço, nem é mais nó. Ele se desfaz.
O que é claro pra si mesmo, nem sempre é para os demais
Sozinha em casa, depois de um dia que, por uma pisada na bola dela, com si mesma, não foi tão bom, ela começou a pensar sobre seu jeito de lidar com as situações e pessoas. Começou a notar um pouco de diferença no seu jeito comparado aos demais conhecidos que ela tinha.
Se ela se referisse a algum cara com apelidos carinhosos com não tanto tempo de convivência, não significa que ela estava dando mole pra ele, muito pelo contrário. Ela, que acreditava muito na conquista, e não falo de joguinho, mas a real conquista, só chamaria um cara por apelidos se não estivesse interessada em nenhuma segunda intenção com ele, essa era a prova mais incontestável de que um cara estava na friendzone com ela. Aliás, ficar de apelidinho sem intimidade não combina com levar alguém a sério – ao ver dela.
Se ela falasse de algum ex vez ou outra quando algo o lembrasse, não é por não tê-lo "superado", novamente, pelo contrário, ela está falando dele numa boa, é porquê já passou.
Ela nunca fora carinhosa com alguém por sentir, por qualquer motivo, alguma obrigação, mas sim por se sentir na liberdade.
Não falava que sentia saudades se realmente não estivesse com o coração – levemente, ou não – apertadinho.
Nunca, também, era gentil com algum conhecido por intenção alguma. A intenção era só uma, ser gentil – apenas.
E as vezes ela achava engraçado a dificuldade das pessoas em ver como as coisas eram simplórias, ou poderiam ser se elas estivessem abertas para viver assim: de verdade.
Se ela se referisse a algum cara com apelidos carinhosos com não tanto tempo de convivência, não significa que ela estava dando mole pra ele, muito pelo contrário. Ela, que acreditava muito na conquista, e não falo de joguinho, mas a real conquista, só chamaria um cara por apelidos se não estivesse interessada em nenhuma segunda intenção com ele, essa era a prova mais incontestável de que um cara estava na friendzone com ela. Aliás, ficar de apelidinho sem intimidade não combina com levar alguém a sério – ao ver dela.
Se ela falasse de algum ex vez ou outra quando algo o lembrasse, não é por não tê-lo "superado", novamente, pelo contrário, ela está falando dele numa boa, é porquê já passou.
Ela nunca fora carinhosa com alguém por sentir, por qualquer motivo, alguma obrigação, mas sim por se sentir na liberdade.
Não falava que sentia saudades se realmente não estivesse com o coração – levemente, ou não – apertadinho.
Nunca, também, era gentil com algum conhecido por intenção alguma. A intenção era só uma, ser gentil – apenas.
E as vezes ela achava engraçado a dificuldade das pessoas em ver como as coisas eram simplórias, ou poderiam ser se elas estivessem abertas para viver assim: de verdade.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Ela não sentia sono naturalmente. Existiam ocasiões pra isso, precisamente, cinco ocasiões.
Podia estar acordada há dois dias.
Estar deitada ao lado de alguém e, nesse laço de carinho, adormecer, mesmo sem sono, por sentir muita paz.
Estar ouvindo The XX e vendo a luz, que vinha da rua cheia de gente e carro, passando por uma parte pouco aberta da janela pra chegar na parede do quarto, sentindo um completo aconchego.
Estar só o pó.
Ou,
Ela podia estar muito triste.
Como diz um trecho de uma música de Michael Jackson, não havia nada nos olhos dela. Mas era assim que ela chorava.
Podia estar acordada há dois dias.
Estar deitada ao lado de alguém e, nesse laço de carinho, adormecer, mesmo sem sono, por sentir muita paz.
Estar ouvindo The XX e vendo a luz, que vinha da rua cheia de gente e carro, passando por uma parte pouco aberta da janela pra chegar na parede do quarto, sentindo um completo aconchego.
Estar só o pó.
Ou,
Ela podia estar muito triste.
Como diz um trecho de uma música de Michael Jackson, não havia nada nos olhos dela. Mas era assim que ela chorava.
Ela sentia um pouco de sono, desânimo. Quando ele bateu na porta, ela disse a ele pra entrar. Quando abriu a porta, ele perguntou pra ela o que fazia no quarto. Ela queria dizer que estava estudando, lendo um novo livro, um novo blog. Que estava assistindo vídeos de culinária, pesquisando sobre matemática, geometria. Lendo a grade da faculdade de jornalismo, pesquisando editoriais de moda dos anos 70, lendo a Rolling Stones ou fazendo rascunhos de redações que são tema de vestibular.
Mas ela só estava vendo lojas online e achando que seria bom ter um emprego pra poder comprar algumas daquelas coisas, se vestir de um modo que tivesse mais a ver com quem ela era por dentro também. Mas era só isso que ela fazia naquele fim de tarde. Admirava e lamentava.
Ás vezes, não da pra ser uma pessoa interessante o tempo todo.
Mas ela só estava vendo lojas online e achando que seria bom ter um emprego pra poder comprar algumas daquelas coisas, se vestir de um modo que tivesse mais a ver com quem ela era por dentro também. Mas era só isso que ela fazia naquele fim de tarde. Admirava e lamentava.
Ás vezes, não da pra ser uma pessoa interessante o tempo todo.
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