segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A magia do amor real

Ela chegou alegre no apartamento, após um encontro com amigos que eram pessoas que ela admirava de todo o coração.
Tirou os sapatos e as meias, fez um coque frouxo e ligou o ar condicionado. Ela estava com vontade de tomar cappuccino, que bom que a sala estava geladinha, ignorando a realidade do clima quente do lado de fora da varanda.
Ligou a TV pra terminar de ver o filme que havia começado na madrugada de ontem, Paixão de Ocasião.
Era com a Jennifer Aniston, ela adorava o papel daquela atriz em Friends  ótima série, aliás. 
O filme contava a história de uma publicitária que pagou pelo fotógrafo do casamento de uma amiga, para que fingisse ser seu noivo, e fingisse terminar com ela também (pareceu contraditório né? Mas sem mais detalhes, assistam!).

Só que... No desenrolar da maluquice toda, o cara era uma pessoa demais, era um cara muito legal. Era aquele cara. Era o cara certo. Independente das atitudes não tão maduras dela  não eram lá das mais admiráveis, digamos  ele a tratava com carinho, continuava olhando pra ela de um jeito que a menina, telespectadora e mais nova fã do filme, se sentiria amada, num enorme aconchego, se um dia recebesse um olhar daqueles. 
Acredito que não há descrição melhor daquele olhar, que o ator interpretou tão bem.

E o motivo de ela ter se tocado tanto com o filme, foi que ela descobriu algo sobre si mesma assistindo‐o.
Descobriu que gostava de pessoas corajosas. Não me refiro a inconsequência, de empinar uma moto a 300km/h, enrolar uma Cascavel no pescoço ou entrar numa jaula com tigres. 
Mas coragem. Gente que diz o que sente pra pessoa por quem tem carinho, mesmo nos momentos que não são os mais favoráveis. Gente que discorda, mesmo sendo a minoria a ter determinado pensamento, pois não pensa o que pensa em prol de agradar ou impressionar outras pessoas. Gente que abraça sem estar dizendo "oi" ou "até mais", mas só por ter sentido vontade. Gente que canta em casa, no meio da família, quando está feliz. Gente que convida os avós pra dançar no meio da cozinha. Gente que leva seu cotidiano com sensatez e responsabilidades, mas sabe se soltar e dançar muito naquela festa do final de semana. 

Claro que algumas dessas coisas não têm a ver exclusivamente com coragem, mas já são outros pontos e outra história. 
No final das contas, uma reflexão aconteceu, pois ela ficou apaixonada pelos personagens do filme. Eles não se preocuparam com o protótipo de "vou me declarar, vai ser um mar de rosas, vou ouvir um sim, eu também te amo e, em seguida, uma música linda vai tocar. Vamos sair numa carruagem rodeada de passarinhos e flores, felizes parar sempre". Não, nada disso. Aquilo era o mundo real, e a preocupação dos personagens, era fazer a parte deles com a pessoa por quem eles tinham tanto afeto. Se não desse certo, falta de comunicação e ciência dos sentimentos de um pelo outro, não seria. Mas só quem tem coragem cede, se desculpa, vai atrás, quer fazer dar certo, sabe o que sente  admite pra si mesmo que sente.

Ela segurava a xícara vazia com as duas mãos, olhando a tela com os créditos finais do filme que ela tinha achado tão bonito por ser lindo e ainda assim um filme que poderia ter sido feito retratando uma história verídica. A história não precisou de aviões que faziam declarações no céu nem um buquê de uma centena de rosas pra mostrar sentimento entre os personagens. E não que isso não seja legal, é extravagante e doce, mas não é só com essas situações que podemos demonstrar bons sentimentos. Existe muita beleza em outros pequenos grandes gestos.

Isabela Freitas  para os que não conhecem, uma boa escritora e blogueira não falava em vão quando disse que "o amor é para os corajosos".




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