Você não é feminista por depilar, ou não, qualquer parte do seu corpo.
Você não é feminista por fazer protesto mostrando os seios.
Você não é feminista por se denominar vagabunda, com orgulho.
Você não é feminista por pegar geral nas festas.
Você não é feminista por não colaborar com a limpeza e organização da própria casa.
Você não é feminista por não cozinhar para a sua família ou amigos.
Você não é feminista por ser lésbica ou bissexual.
Você não é feminista quando não deixa um cara abrir a porta do carro pra você.
Você não é feminista por não saber receber quaisquer tipo de atitude que carregue cavalheirismo.
Você não é feminista por não gostar de usar maquiagem ou sapatos de salto alto.
Você não é feminista por ter pintado o cabelo de uma cor incomum.
Você não é feminista quando faz textão no Facebook desmerecendo mulheres que vivem de uma forma diferente do que você seria feliz vivendo. O feminismo não condena.
Você é feminista quando estuda ou trabalha pra caramba, visando alcançar a conquista da própria independência - mental, financeira.
Você é feminista quando se veste da forma que lhe convém e que te agrada, mas compreendendo que existem conveniências, eventos, entrevistas de emprego, formalidades etc, e que isso é natural, para os homens também.
Você é feminista quando você sabe - através de estudo profundo de conceitos e observação de exemplos reais - o que é machismo.
Você é feminista quando sabe que os homens também sofrem com o machismo.
Que homem quer ouvir que chorar e ter sensibilidade é coisa de viado, ou "de mulherzinha"? Que homem quer ouvir que gostar das estampas e roupas que ele gosta é coisa de "bicha"? Que homem quer ser olhado mal, como se fosse burro, pelos colegas de trabalho, por ser fiel ao seu casamento mesmo com a secretaria gostosa dando mole pra ele? Que homem quer ser visto como "menos homem" por gostar de brincar com os filhos ao invés de passar horas intermináveis no happy hour? Quem inventou essa figura animal, frívola, como referência de "homem de verdade"? Que tipo de homem é esse? É um homem feliz? É um homem que se sente no direito de ser próximo da própria identidade independentemente do que a sociedade diz que ele deveria fazer e sentir? Ele tem consciência que tem identidade? Esse homem sente plenitude? Ele sente segurança? Ele é senhor da própria vida? Ou é só mais uma marionete na sociedade, e que além de ser marionete, nem sabe quem está manuseando as cordas? É rei de si, ou está condicionado, como um peixe morto em correnteza de água, sem voz, sem existência individual?
Daria para citar mais infinitos exemplos de situações em que o machismo interfere, sem benefício nenhum, como muitas pessoas pensam, na vida dos homens.
O machismo não é bom para as mulheres. O machismo não é bom para os homens. O machismo não é bom, para ninguém.
Você é feminista quando não condiciona para quê outras meninas você oferece ombro amigo.
Você é feminista quando não condena outra mulher simplesmente por ela ter uma beleza mais próxima dos padrões estéticos.
Você é feminista quando não xinga a atual namorada do seu ex, do que quer que seja, mas sim simplesmente respeita, nem se refere a ela.
Você é feminista quando o bem estar de outra mulher é maior que seu ego ou sua necessidade de autoafirmação.
Você é feminista quando você apoia os sonhos das suas amigas.
Você é feminista quando você não tem vergonha nenhuma em falar que se masturba. Por que teria?
Você é feminista quando conversa (que seja com si mesma) sobre sexo sem vitimismo ou sentimento de culpa.
Você é feminista quando se permite sentir prazer, nos limites e preferências que você propõe pra você própria.
Você é feminista quando aceita dividir as contas com seu parceiro.
Você é feminista quando quer dividir as contas com o seu parceiro.
Você é feminista quando se destaca na sua carreira, por mérito seu, de ter ido atrás e se dedicado naquilo em que você ganhou holofotes.
Você é feminista quando dá carona para aquela moça da sua classe na faculdade que não tem nada em comum com você além de ter educação e concordar em ser justo, normal, dividir contigo o valor da gasolina do carro, pois quem é feminista é feminista sem olhar a quem.
Você é feminista quando discute com essa moça com quem você divide a utilidade do seu carro, por um motivo banal qualquer de debate em sala, mas nem te passa pela cabeça deixar de dar carona pra ela e sujeitá-la a andar a pé ou de ônibus sozinha a noite.
Você é feminista quando rachar a grana da gasolina basta pra você dar uma carona, você é feminista quando você não precisa se sentir amiga, íntima, de outra mulher pra se importar em como ela vai pra casa depois da aula.
Você é feminista quando é mais importante pra você saber que tem uma irmã a menos passando pelo risco de ser assaltada, sequestrada ou estuprada nas ruas do que ter uma irmã que concorda com tudo o que você pensa.
Pois ser feminista é entender de corpo e alma que nós somos, todas, com todas as nossas diferenças - étnicas, sociais, culturais e pessoais - irmãs, e, ser feminista, é entender que irmãs também brigam.
Ser feminista não é estar feminista, não depende de circunstância nenhuma.
Ser feminista é ser feminismo.
É ser, por exemplo de conduta, a própria causa.
Você é feminista?
segunda-feira, 29 de maio de 2017
sexta-feira, 5 de maio de 2017
A vida sem "mas"
A vida não estava em seu momento mais generoso.
Não de diversão e tranquilidade.
Ela pensava disciplinadamente em cursar medicina, mas sempre ouvia alguém sugerindo que ela se dedicasse para a comunicação social.
Ela via seis (de sete) amigos falando bem do cara com quem ela estava trocando mensagens, e quinzenalmente, beijos, durante a noite. Mas via um cara desse grupo de amigos olhando pra ela como quem quer dar no outro um abraço, e lhe mandando beijos discreta e carinhosamente durante as performances dela no karaokê, não lhe desgrudava o olhar. Isso chamava sua atenção.
Ela sentia saudades enormes do pai, mas não parecia ser recíproco, então ela escolhia o silêncio ao invés de se manifestar de qualquer maneira, não queria ser inconveniente.
Ela queria viajar pra ver os avós. Pra ver o mar. Queria mais liberdade de ir e vir, de viajar.
Ela queria morar sozinha, mas ainda faltava quase um ano para estar em outra cidade, para ser universitária.
Ela amava Curitiba. E amava São Paulo. Não morava em nenhuma das cidades em que seu coração vibrava.
Ela queria não querer que tantas coisas estivessem diferentes.
Mas ela se compreendia, não era uma mulher madura ou um ser humano pleno em luz e sabedoria, ainda estava aprendendo a gratidão.
E, mesmo ela fazendo seu papel, também devia deixar o Tempo fazer o dele.
Não de diversão e tranquilidade.
Ela pensava disciplinadamente em cursar medicina, mas sempre ouvia alguém sugerindo que ela se dedicasse para a comunicação social.
Ela via seis (de sete) amigos falando bem do cara com quem ela estava trocando mensagens, e quinzenalmente, beijos, durante a noite. Mas via um cara desse grupo de amigos olhando pra ela como quem quer dar no outro um abraço, e lhe mandando beijos discreta e carinhosamente durante as performances dela no karaokê, não lhe desgrudava o olhar. Isso chamava sua atenção.
Ela sentia saudades enormes do pai, mas não parecia ser recíproco, então ela escolhia o silêncio ao invés de se manifestar de qualquer maneira, não queria ser inconveniente.
Ela queria viajar pra ver os avós. Pra ver o mar. Queria mais liberdade de ir e vir, de viajar.
Ela queria morar sozinha, mas ainda faltava quase um ano para estar em outra cidade, para ser universitária.
Ela amava Curitiba. E amava São Paulo. Não morava em nenhuma das cidades em que seu coração vibrava.
Ela queria não querer que tantas coisas estivessem diferentes.
Mas ela se compreendia, não era uma mulher madura ou um ser humano pleno em luz e sabedoria, ainda estava aprendendo a gratidão.
E, mesmo ela fazendo seu papel, também devia deixar o Tempo fazer o dele.
O negócio, meu bem, é que não é.
Você tem um papo ótimo.
Um bom senso de humor.
Um bom coração, já pude sentir.
Bons braços, boas mãos, abraça gostosamente, me puxa pra perto de você.
Boas (admiráveis) ambições.
Uma vida acadêmica invejável, de tirar o chapéu.
Uma boa referência de estrutura familiar - acho bonito de ver.
Uma vida acadêmica invejável, de tirar o chapéu.
Uma boa referência de estrutura familiar - acho bonito de ver.
Boa conduta em relação a o que foi seu passado e a o que é seu presente.
Tem um beijo gostoso.
Tem também um corpo gostoso. Ai, ai, ai...
Você é bom.
Todo bom.
É objetivo, prestativo, generoso, acho que muitas vezes nem percebe, pra você é natural.
Eu gosto de você.
Meus amigos gostam de você.
Meus amigos gostam de você.
Minha vó disse que você tem uma "carinha boa", ela sentiu carisma.
Para muitos - pra não dizer todos - olhos que voltam o olhar pra nós dois, está tudo bom e tão certo, a gente combina demais.
Mas o negócio, meu bem, é que eu sinto que você não me conhece.
O negócio, meu bem, é que você tem tudo. Menos olhos, pra olhar pra mim e me enxergar, me reconhecer, da forma que eu sou - tanto que nem percebe que o faz. Ou melhor, que o deixa de fazer.
E não tem erro, problema ou tristeza alguma nisso. Diferenças, formas diferentes de falar a mesma língua, a do amor, se esbarram e cruzam caminhos o tempo todo na vida de qualquer e toda pessoa.
Só não tem também, nós.
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