sexta-feira, 5 de maio de 2017

O negócio, meu bem, é que não é.

Você tem um papo ótimo.
Um bom senso de humor.
Um bom coração, já pude sentir.
Bons braços, boas mãos, abraça gostosamente, me puxa pra perto de você.
Boas (admiráveis) ambições.
Uma vida acadêmica invejável, de tirar o chapéu.
Uma boa referência de estrutura familiar - acho bonito de ver.
Boa conduta em relação a o que foi seu passado e a o que é seu presente.
Tem um beijo gostoso.
Tem também um corpo gostoso. Ai, ai, ai...
Você é bom.
Todo bom.
É objetivo, prestativo, generoso, acho que muitas vezes nem percebe, pra você é natural.
Eu gosto de você.
Meus amigos gostam de você.
Minha vó disse que você tem uma "carinha boa", ela sentiu carisma. 
Para muitos - pra não dizer todos - olhos que voltam o olhar pra nós dois, está tudo bom e tão certo, a gente combina demais.
Mas o negócio, meu bem, é que eu sinto que você não me conhece.
O negócio, meu bem, é que você tem tudo. Menos olhos, pra olhar pra mim e me enxergar, me reconhecer, da forma que eu sou - tanto que nem percebe que o faz. Ou melhor, que o deixa de fazer.
E não tem erro, problema ou tristeza alguma nisso. Diferenças, formas diferentes de falar a mesma língua, a do amor, se esbarram e cruzam caminhos o tempo todo na vida de qualquer e toda pessoa.
Só não tem também, nós.

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