sexta-feira, 5 de maio de 2017

A vida sem "mas"

A vida não estava em seu momento mais generoso.
Não de diversão e tranquilidade.
Ela pensava disciplinadamente em cursar medicina, mas sempre ouvia alguém sugerindo que ela se dedicasse para a comunicação social.
Ela via seis (de sete) amigos falando bem do cara com quem ela estava trocando mensagens, e quinzenalmente, beijos, durante a noite. Mas via um cara desse grupo de amigos olhando pra ela como quem quer dar no outro um abraço, e lhe mandando beijos discreta e carinhosamente durante as performances dela no karaokê, não lhe desgrudava o olhar. Isso chamava sua atenção.
Ela sentia saudades enormes do pai, mas não parecia ser recíproco, então ela escolhia o silêncio ao invés de se manifestar de qualquer maneira, não queria ser inconveniente.
Ela queria viajar pra ver os avós. Pra ver o mar. Queria mais liberdade de ir e vir, de viajar.
Ela queria morar sozinha, mas ainda faltava quase um ano para estar em outra cidade, para ser universitária.
Ela amava Curitiba. E amava São Paulo. Não morava em nenhuma das cidades em que seu coração vibrava.
Ela queria não querer que tantas coisas estivessem diferentes.
Mas ela se compreendia, não era uma mulher madura ou um ser humano pleno em luz e sabedoria, ainda estava aprendendo a gratidão.
E, mesmo ela fazendo seu papel, também devia deixar o Tempo fazer o dele.

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