Ultimamente percebi que as pessoas associam muito autoridade, chefia ou liderança com ser um carrasco com os demais, com dizer "não" só por má vontade, quando, ter dado uma resposta positiva podia melhorar o dia de alguém – e o seu, aliás, faz bem pra nós mesmos fazer bem para os outros, todo mundo conhece a alegria da leveza inocente e sincera de trocar um sorriso na rua com um estranho, quem dirá a alegria de poder dar uma mão pra outra pessoa no trabalho, por exemplo.
Pois é. É como se, estar numa posição privilegiada fosse sinônimo de pisar em quem ainda não chegou onde você está. Não precisa ser assim, ninguém vai tomar o seu lugar por você, quando couber, ser gentil de vez em quando.
A partir do momento que você tem o poder de decisão, a única diferença entre ter uma atitude negativa – ser ranzinza, rude, ou demasiado pessimista – e ser leve, razoável imparcialmente e positivo é a reação das pessoas e o impacto de seu veredicto no dia ou até na vida delas, depende do quanto alguma situação vai ter importância pra essa pessoa. Você continua sendo uma autoridade quando diz sim para as pessoas, pois, como falado anteriormente, o que te torna uma autoridade é o peso da palavra, da sua opinião e logo, o seu poder de decisão, de escolha, como determinante.
E, mesmo assim, está cheio de bobo por aí – gente medrosa – se achando muito soberbo e se sentindo muito satisfeito com sua postura astuta, dentro da própria ignorância de que, ter poder, é não ter coração.
Até parece que eles não sentem falta de alguém pra dividir as tardes de domingo...
sábado, 26 de setembro de 2015
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
As coisas grandes são as pequenas.
As pessoas acham importante ser grandioso, fazer grandes coisas, conhecer muitas pessoas, viajar para muitos lugares e ter uma carreira fantástica e admirável, e se importam tão desesperadamente, com tanta pressa e tanta urgência, que esquecem o quanto é grandioso pôr atenção nas coisas que a gente chama de pequeno, aquilo do dia a dia, aquilo que é sutil.
Como você é grandioso se não for constituído de vários pequenos feitos, atitudes e passos? Como quer ser grandioso – glorioso – se não dá glórias (não estamos falando de frequentar quaisquer lugar religioso ou seguir quaisquer religião, apenas de agradecer, sem alardes, sozinho, sincero, pra você mesmo, de coração) por acordar saudável todos os dias, por saber que vai fazer três refeições, que têm água limpa e tratada disponível para beber, para tomar banho? Pense no quão simples isso é e no quanto é imenso esse privilégio.
Como quer fazer grandes coisas se nem abre a porta quando – por exemplo – uma gestante, desconhecida, passa por você andando com dificuldade, com sacolas e exames nas mãos? Se, quando pergunta pro seu filho como foi o dia dele, quando ele começa a contar, você se dispersa completamente e o interrompe falando sobre algo completamente aleatório, paralelo, ao assunto? Ou você nem pergunta?
Como quer grandes conquistas, se nem agradece a sua esposa ou marido pelo trabalho de cuidar da casa e fazer o jantar, educar os filhos de vocês na sua ausência (e fazer tudo isso, enquanto pode estar trabalhando fora também) e por cuidar do jardim?
Como você quer ser um herói se nem o é na sua própria história, se não é bom nem pra você mesmo?
Bom, conhecer muitas pessoas é o que você quer? Isso é bonito, você já conhece a si mesmo? Conhece seus pais, seus irmãos? Sabe quem eles são? Sabe o que os faz felizes? Quando sabe, se importa em descer do salto por coisas bobas, sabe ceder, por quem está com você? Sabe conviver em harmonia, conviver bem, com quem não é como você? Ou melhor, sabe conviver bem com quem age de maneira semelhante a sua?
Sabe o que, verdadeiramente, te faz rir, ou te faz feliz, e o que você faz na sua vida, não por amor ou espontaneidade, mas sim pra impressionar pessoas que, na maioria das vezes, você na verdade nem gosta?
Estar entre bastante gente não é conhecê-los, você passou toda a vida com você e a cada dia – e, ainda, somente se, prestar atenção a si, ao que pensa, faz e ao que sente, e, somente, se for honesto com você quando o fizer –descobre algo novo, ou até antigo, sobre si mesmo, e se conhece um pouco mais. Isso é conhecer alguém, começar com você. Parece bizarro, não? Geralmente a gente foge disso.
Se, depois de ter consciência disso, você ainda quer conhecer muitas pessoas, então você realmente o quer. Isso é uma atitude legal, e corajosa. Boa sorte.
Quer conhecer muitos lugares, viajar pra Europa, pra Oceania, que incrível! É bonito mesmo querer ver o mundo, outras culturas, realidades, outros cotidianos, outra paisagem...
Mas você conhece a sua? Se não conhece, como está com a ilusão que vai saber admirar o que vai ver lá fora? Você vai comparar – não com desmerecimento, mas apenas comparar – a quê?
Você nem viu o quadro novo na recepção do seu escritório, nem viu que há uma rampa para deficientes no prédio, nunca entrou na piscina do seu condomínio, estava muito mau humorado pra ver que os botões de flores da árvore ao lado daquele semáforo pelo qual você passa todos os dias, abriram. E quer viajar o quanto puder. O que você espera ver lá fora, na cidade vizinha, no litoral ou do outro lado do mundo, se seus olhos estão fechados em qualquer lugar?
Você quer uma carreira fantástica. Quer ser admirado, aplaudido, tudo bem, aplauso geralmente está associado com vitórias mesmo. Não pela vaidade, mas pela conquista, e pelo trabalho por trás da conquista.
Que lindo objetivo, você quer crescer como pessoa. Apenas lembre do equilíbrio, de tanto querer ganhar a vida, esteja atento pra não acabar perdendo-a.
Concordo que ainda faz algum sentido que faça parte de fases da vida, não ter vida. Ser vestibulando, por exemplo. Você está com pressa, tem certeza do curso que quer, não liga em debater sobre como o sistema funciona, apenas se encaixa a ele e pronto, você está na faculdade, seus pais estão orgulhosos, ufa, você passou, vai ser alguém na vida, agora pode descansar, olhar o azul do céu, sorrir enquanto sente o cheiro do almoço de domingo sendo preparado, que fome, está quase pronto.
Parece dramático falar assim, não? Pois é, tudo que é falado desse jeito, aberto, que tenha a ver com sentimentos acaba parecendo assim hoje, a gente não está acostumado a falar dessas coisas.
Da vida, de família, de nós.
As coisas grandes são as que, por algum motivo bobo – inventado por gente com prioridades egoístas até com si mesmos, por gente que não se permite – chamamos, hoje, de pequenas. Aliás, são elas que são incomuns de se fazer, no fim das contas, elas é que são desafios.
Ser uma pessoa verdadeiramente grandiosa, está em ter coragem para dar existência, importância, a essas pequenas coisas, está em se dispôr a dedicar-se fazê-las bem. Só alguém grande vê beleza onde quase ninguém vê, a gente já sabe que vemos as coisas não como são, mas como somos, quanto maiores formos nas coisas pequenas, maior vai ser o nosso mundo, que, na realidade, é tão pequeno.
Como você é grandioso se não for constituído de vários pequenos feitos, atitudes e passos? Como quer ser grandioso – glorioso – se não dá glórias (não estamos falando de frequentar quaisquer lugar religioso ou seguir quaisquer religião, apenas de agradecer, sem alardes, sozinho, sincero, pra você mesmo, de coração) por acordar saudável todos os dias, por saber que vai fazer três refeições, que têm água limpa e tratada disponível para beber, para tomar banho? Pense no quão simples isso é e no quanto é imenso esse privilégio.
Como quer fazer grandes coisas se nem abre a porta quando – por exemplo – uma gestante, desconhecida, passa por você andando com dificuldade, com sacolas e exames nas mãos? Se, quando pergunta pro seu filho como foi o dia dele, quando ele começa a contar, você se dispersa completamente e o interrompe falando sobre algo completamente aleatório, paralelo, ao assunto? Ou você nem pergunta?
Como quer grandes conquistas, se nem agradece a sua esposa ou marido pelo trabalho de cuidar da casa e fazer o jantar, educar os filhos de vocês na sua ausência (e fazer tudo isso, enquanto pode estar trabalhando fora também) e por cuidar do jardim?
Como você quer ser um herói se nem o é na sua própria história, se não é bom nem pra você mesmo?
Bom, conhecer muitas pessoas é o que você quer? Isso é bonito, você já conhece a si mesmo? Conhece seus pais, seus irmãos? Sabe quem eles são? Sabe o que os faz felizes? Quando sabe, se importa em descer do salto por coisas bobas, sabe ceder, por quem está com você? Sabe conviver em harmonia, conviver bem, com quem não é como você? Ou melhor, sabe conviver bem com quem age de maneira semelhante a sua?
Sabe o que, verdadeiramente, te faz rir, ou te faz feliz, e o que você faz na sua vida, não por amor ou espontaneidade, mas sim pra impressionar pessoas que, na maioria das vezes, você na verdade nem gosta?
Estar entre bastante gente não é conhecê-los, você passou toda a vida com você e a cada dia – e, ainda, somente se, prestar atenção a si, ao que pensa, faz e ao que sente, e, somente, se for honesto com você quando o fizer –descobre algo novo, ou até antigo, sobre si mesmo, e se conhece um pouco mais. Isso é conhecer alguém, começar com você. Parece bizarro, não? Geralmente a gente foge disso.
Se, depois de ter consciência disso, você ainda quer conhecer muitas pessoas, então você realmente o quer. Isso é uma atitude legal, e corajosa. Boa sorte.
Quer conhecer muitos lugares, viajar pra Europa, pra Oceania, que incrível! É bonito mesmo querer ver o mundo, outras culturas, realidades, outros cotidianos, outra paisagem...
Mas você conhece a sua? Se não conhece, como está com a ilusão que vai saber admirar o que vai ver lá fora? Você vai comparar – não com desmerecimento, mas apenas comparar – a quê?
Você nem viu o quadro novo na recepção do seu escritório, nem viu que há uma rampa para deficientes no prédio, nunca entrou na piscina do seu condomínio, estava muito mau humorado pra ver que os botões de flores da árvore ao lado daquele semáforo pelo qual você passa todos os dias, abriram. E quer viajar o quanto puder. O que você espera ver lá fora, na cidade vizinha, no litoral ou do outro lado do mundo, se seus olhos estão fechados em qualquer lugar?
Você quer uma carreira fantástica. Quer ser admirado, aplaudido, tudo bem, aplauso geralmente está associado com vitórias mesmo. Não pela vaidade, mas pela conquista, e pelo trabalho por trás da conquista.
Que lindo objetivo, você quer crescer como pessoa. Apenas lembre do equilíbrio, de tanto querer ganhar a vida, esteja atento pra não acabar perdendo-a.
Concordo que ainda faz algum sentido que faça parte de fases da vida, não ter vida. Ser vestibulando, por exemplo. Você está com pressa, tem certeza do curso que quer, não liga em debater sobre como o sistema funciona, apenas se encaixa a ele e pronto, você está na faculdade, seus pais estão orgulhosos, ufa, você passou, vai ser alguém na vida, agora pode descansar, olhar o azul do céu, sorrir enquanto sente o cheiro do almoço de domingo sendo preparado, que fome, está quase pronto.
Parece dramático falar assim, não? Pois é, tudo que é falado desse jeito, aberto, que tenha a ver com sentimentos acaba parecendo assim hoje, a gente não está acostumado a falar dessas coisas.
Da vida, de família, de nós.
As coisas grandes são as que, por algum motivo bobo – inventado por gente com prioridades egoístas até com si mesmos, por gente que não se permite – chamamos, hoje, de pequenas. Aliás, são elas que são incomuns de se fazer, no fim das contas, elas é que são desafios.
Ser uma pessoa verdadeiramente grandiosa, está em ter coragem para dar existência, importância, a essas pequenas coisas, está em se dispôr a dedicar-se fazê-las bem. Só alguém grande vê beleza onde quase ninguém vê, a gente já sabe que vemos as coisas não como são, mas como somos, quanto maiores formos nas coisas pequenas, maior vai ser o nosso mundo, que, na realidade, é tão pequeno.
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
O Bobo, o Palhaço e o Malabarista.
Moravam, numa casa engraçada, três artistas circenses. Eles gostavam de jazz, comida italiana, filmes nacionais, praia, chinelos de dedo e de receber outros amigos artistas em seu lar, nas tardes de domingo. Eram esses artistas, o Bobo, o Palhaço e o Malabarista. E eles eram assim:
O Bobo vivia perguntando o porquê de os problemas que os outros dois tinham em suas vidas existirem em suas vidas, exigindo soluções imediatas, lógicas, claras – com tom condenatório, exigia respostas sobre as questões de coração e vida dos demais, enquanto ele vivia fugindo de estar diante da busca das próprias – ele tinha medo de ser Ser Humano, o Bobo não gostava quando alguém demonstrava que o enxergava com o coração ou lhe dava atenção, ele ainda estava aprendendo a reagir a simplicidade, bondade, gentileza, a uma intenção só. De alguma forma, isso o deixava constrangido e ele procurava repelir essas coisas. Já o Palhaço, estava sempre com alguma piadinha, o que podia incomodar os mau humorados, mas estava sempre procurando ver o ridículo de cada situação para rir um pouquinho dela e solucionar a vida com mais humor – era o que ele reconhecia de amor.
Mas esse Palhaço... Ah! Se importava tanto com seus dois amigos, que nem dava espaço e tempo pra que eles mesmos pudessem se importar com as próprias vidas, estava sempre ali, beirando a margem de seus dias, espreitando algo para dizer, sem filtro algum. E, adivinhe o pior? O fazia com toda a boa intenção! O Palhaço os punia, abrindo as portas dos quartos de manhã, como quem diz que não há tempo a perder, quando, na realidade, não havia tempo sendo perdido se existe a veracidade no que diz que cada um tem seu próprio tempo. Ah! Aquele amigo Palhaço, ele não entendia mesmo...
Os três eram pessoas perfeitamente imperfeitas, cada um tinha os seus pecados. O que os fazia divergir era que, enquanto o Bobo e o Palhaço ficavam questionando e tentando impor mudança ao que viam como defeitos em seus companheiros, o Malabarista ficava calado. É que ele já agia de outra forma, tentava entender os outros dois e ser carinhoso com ambos, mas quase nunca dava certo.
O Palhaço, por vezes, aceitava seu carinho sincero e sutil, mas o Bobo... Ah, o Bobo só ficava fazendo o que sabia de melhor, se fazer de bobo!
O Malabarista tinha compreensão que a autocrítica pode ser muito dura e que não é todo mundo que se aceita de coração – e de peito aberto, pra quem quiser ouvir – o que, naquele momento, realmente é.
O pecado do Malabarista era querer ser malabarista, as pessoas sempre interferiam achando que podiam julgar com exatidão – ah, e claro, com, também, toda a razão do mundo – estarem certas sobre ele estar errando muito com si mesmo ou não estar sendo o que deveria ser. Oras bolas, dizer pra outra pessoa além de para a figura no espelho que ele vive sua vida errado... Era o tipo de prepotência que o Malabarista achava engraçada! Como esbravejar com uma pessoa que não tem olhos pra própria vida ou pra quem – naquele momento, e realmente – é?
Oh céus! Só não sendo um pouco palhaço pra não rir disso...
O Bobo vivia perguntando o porquê de os problemas que os outros dois tinham em suas vidas existirem em suas vidas, exigindo soluções imediatas, lógicas, claras – com tom condenatório, exigia respostas sobre as questões de coração e vida dos demais, enquanto ele vivia fugindo de estar diante da busca das próprias – ele tinha medo de ser Ser Humano, o Bobo não gostava quando alguém demonstrava que o enxergava com o coração ou lhe dava atenção, ele ainda estava aprendendo a reagir a simplicidade, bondade, gentileza, a uma intenção só. De alguma forma, isso o deixava constrangido e ele procurava repelir essas coisas. Já o Palhaço, estava sempre com alguma piadinha, o que podia incomodar os mau humorados, mas estava sempre procurando ver o ridículo de cada situação para rir um pouquinho dela e solucionar a vida com mais humor – era o que ele reconhecia de amor.
Mas esse Palhaço... Ah! Se importava tanto com seus dois amigos, que nem dava espaço e tempo pra que eles mesmos pudessem se importar com as próprias vidas, estava sempre ali, beirando a margem de seus dias, espreitando algo para dizer, sem filtro algum. E, adivinhe o pior? O fazia com toda a boa intenção! O Palhaço os punia, abrindo as portas dos quartos de manhã, como quem diz que não há tempo a perder, quando, na realidade, não havia tempo sendo perdido se existe a veracidade no que diz que cada um tem seu próprio tempo. Ah! Aquele amigo Palhaço, ele não entendia mesmo...
Os três eram pessoas perfeitamente imperfeitas, cada um tinha os seus pecados. O que os fazia divergir era que, enquanto o Bobo e o Palhaço ficavam questionando e tentando impor mudança ao que viam como defeitos em seus companheiros, o Malabarista ficava calado. É que ele já agia de outra forma, tentava entender os outros dois e ser carinhoso com ambos, mas quase nunca dava certo.
O Palhaço, por vezes, aceitava seu carinho sincero e sutil, mas o Bobo... Ah, o Bobo só ficava fazendo o que sabia de melhor, se fazer de bobo!
O Malabarista tinha compreensão que a autocrítica pode ser muito dura e que não é todo mundo que se aceita de coração – e de peito aberto, pra quem quiser ouvir – o que, naquele momento, realmente é.
O pecado do Malabarista era querer ser malabarista, as pessoas sempre interferiam achando que podiam julgar com exatidão – ah, e claro, com, também, toda a razão do mundo – estarem certas sobre ele estar errando muito com si mesmo ou não estar sendo o que deveria ser. Oras bolas, dizer pra outra pessoa além de para a figura no espelho que ele vive sua vida errado... Era o tipo de prepotência que o Malabarista achava engraçada! Como esbravejar com uma pessoa que não tem olhos pra própria vida ou pra quem – naquele momento, e realmente – é?
Oh céus! Só não sendo um pouco palhaço pra não rir disso...
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
domingo, 13 de setembro de 2015
Metáfora de amores e cappuccinos
Com o cappuccino quente nas mãos, numa tarde de ar monótomo e tranquilo em que estava chovendo, lembrei daquela noite, em que, deitados na sua cama, no escuro, a gente olhava um pro outro.
Lembro que você sorriu pra mim, e, lembro também, quando sorriu, mantive a mesma feição – calma e séria – mesmo já tendo te devolvido e dado tantos sorrisos, naquele instante daquele dia, continuei só te olhando.
Passou um tempo. Depois de todos esses anos, três, sozinha num quarto há quase uma milha do primeiro cara que me acompanhou pelas ruas de mãos dadas, imersa na lembrança, me peguei sorrindo pra parede.
Finalmente sorri pra você de volta.
Estava morto, gelado, pálido – o amor morreu, deixei ele partir. Estava aquele coração, que batia por você, desmantelado, e, bem, isso não era mais ruim.
Coração esse, morto, pois só vivia e bailava voraz e alegremente no passado, onde ele começou a bater com mais carinho quando pensava em você.
E estava morto pois, agora, se sentia saudade. Mas só saudade, não havia o que me indignava e fazia espernear, como criança mimada. É que já não havia mais nada que se precisasse aceitar ou que se queria nas mãos. Mais precisamente, nos braços.
Minhas lembranças onde seu olhar, beijo, e cheiro se fazem presentes, podiam descansar em paz agora.
Enrolada, no cobertor fino e macio sobre a própria cama, olhei a xícara, que tinha pouco menos que um bom gole, e que, mesmo quase vazia, ainda se mantinha quentinha.
É, olhei o objeto entre minhas mãos, ele me era familiar a uma história que tive com certo alguém.
Na xícara quase não tinha mais o que beber, eu não tinha mais nada pra degustar, ou só tirar, dali.
Sem nenhuma prova de que existiu um cappuccino la dentro senão as sutis marcas de espuma na borda, finalmente criei coragem pra esvaziar completamente aquela antiga xícara, e tomar o singelo último gole, gole pequenininho – mas gole que, mesmo pequenininho, ainda existia pra beber.
Era a despedida serena e sincera que faltava pra fazer, aquela que você só tem que admitir pra si mesmo.
Em um instante seguinte, virando o rosto pro espelho em frente a cama, me flagrei com um acessório a mais – bom, eu pelo menos não costumo achar que ele faz falta no meu dia a dia – um fino bigode branco. Olhei o espelho. Me olhei.
Sorri de volta, e dessa vez foi pra mim.
Lembro que você sorriu pra mim, e, lembro também, quando sorriu, mantive a mesma feição – calma e séria – mesmo já tendo te devolvido e dado tantos sorrisos, naquele instante daquele dia, continuei só te olhando.
Passou um tempo. Depois de todos esses anos, três, sozinha num quarto há quase uma milha do primeiro cara que me acompanhou pelas ruas de mãos dadas, imersa na lembrança, me peguei sorrindo pra parede.
Finalmente sorri pra você de volta.
Estava morto, gelado, pálido – o amor morreu, deixei ele partir. Estava aquele coração, que batia por você, desmantelado, e, bem, isso não era mais ruim.
Coração esse, morto, pois só vivia e bailava voraz e alegremente no passado, onde ele começou a bater com mais carinho quando pensava em você.
E estava morto pois, agora, se sentia saudade. Mas só saudade, não havia o que me indignava e fazia espernear, como criança mimada. É que já não havia mais nada que se precisasse aceitar ou que se queria nas mãos. Mais precisamente, nos braços.
Minhas lembranças onde seu olhar, beijo, e cheiro se fazem presentes, podiam descansar em paz agora.
Enrolada, no cobertor fino e macio sobre a própria cama, olhei a xícara, que tinha pouco menos que um bom gole, e que, mesmo quase vazia, ainda se mantinha quentinha.
É, olhei o objeto entre minhas mãos, ele me era familiar a uma história que tive com certo alguém.
Na xícara quase não tinha mais o que beber, eu não tinha mais nada pra degustar, ou só tirar, dali.
Sem nenhuma prova de que existiu um cappuccino la dentro senão as sutis marcas de espuma na borda, finalmente criei coragem pra esvaziar completamente aquela antiga xícara, e tomar o singelo último gole, gole pequenininho – mas gole que, mesmo pequenininho, ainda existia pra beber.
Era a despedida serena e sincera que faltava pra fazer, aquela que você só tem que admitir pra si mesmo.
Em um instante seguinte, virando o rosto pro espelho em frente a cama, me flagrei com um acessório a mais – bom, eu pelo menos não costumo achar que ele faz falta no meu dia a dia – um fino bigode branco. Olhei o espelho. Me olhei.
Sorri de volta, e dessa vez foi pra mim.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Pais e filhos
Estava um dia calmo, ensolarado, com cheiro de chuva e pouco movimento na rua.
Sentada no restaurante, lá pelas 11:30h, diante do próprio prato, ela almoçava sozinha.
Ergueu o olhar para o que estava ao seu redor, viu muitos pais com seus filhos e filhas.
Em algumas mesas, só as mães com seus pequenos, em outras, só os pais, em, ainda outras mais, toda a família dos três ou quatro indivíduos – o clã todo reunido.
Viu um menininho fazendo caretas para a mãe, enquanto essa retribuía a brincadeira, dando risada.
Observando eles, assim de longe, começou a pensar no quanto é importante ser mãe ou pai.
Importante, pois é. A tendência – não regra – é crescer e endurecer, ter um filho traz toda a brincadeira, pureza e alegrias simples de volta.
Sim, responsabilidade e maturidade, com certeza, mas com leveza, doçura, meiguice.
A ingenuidade aparece de volta.
Traz pros pais infância, adolescência, jovialidade – juventude. Mas por uma outra ótica, deixando os pais, claro, em outro papel diante dessas fases.
Dessa relação, sei sobre a parte de ser filho, no meu caso, filha. É um pouco mais complicado que ser ou ter filho, isso sei também.
Quantas vezes não ouvi meus pais me comparando a eles mesmos quando tinham a minha idade...
Ser pai deve fazer a gente aprender tudo de novo sobre algumas coisas da vida, mas dessa vez – como pais – com mais sabedoria, compreensão e amor. Os olhos devem ser mesmo outros.
Segundo a sociedade, o que não inclui só o lado de fora de casa, os pais são as pessoas que mais nos amam no mundo.
Quando eles dão um conselho errôneo ou fazem algum comentário precipitado – qualquer fala que em algum momento não caiba – sério, eles realmente tentaram acertar.
A gente, filho, julga muito os nossos pais.
Nessas horas, que a gente fala de assuntos do coração, é um privilégio ter – pois os bons estão vivos ainda, mesmo depois de mortos, pois, eternizar-se, é uma questão de viver com amor – artistas que entendem de amor, se a gente parar pra ouvir com atenção, eles começam a ajudar a gente a entender também.
Legião Urbana – Pais e filhos
Sentada no restaurante, lá pelas 11:30h, diante do próprio prato, ela almoçava sozinha.
Ergueu o olhar para o que estava ao seu redor, viu muitos pais com seus filhos e filhas.
Em algumas mesas, só as mães com seus pequenos, em outras, só os pais, em, ainda outras mais, toda a família dos três ou quatro indivíduos – o clã todo reunido.
Viu um menininho fazendo caretas para a mãe, enquanto essa retribuía a brincadeira, dando risada.
Observando eles, assim de longe, começou a pensar no quanto é importante ser mãe ou pai.
Importante, pois é. A tendência – não regra – é crescer e endurecer, ter um filho traz toda a brincadeira, pureza e alegrias simples de volta.
Sim, responsabilidade e maturidade, com certeza, mas com leveza, doçura, meiguice.
A ingenuidade aparece de volta.
Traz pros pais infância, adolescência, jovialidade – juventude. Mas por uma outra ótica, deixando os pais, claro, em outro papel diante dessas fases.
Dessa relação, sei sobre a parte de ser filho, no meu caso, filha. É um pouco mais complicado que ser ou ter filho, isso sei também.
Quantas vezes não ouvi meus pais me comparando a eles mesmos quando tinham a minha idade...
Ser pai deve fazer a gente aprender tudo de novo sobre algumas coisas da vida, mas dessa vez – como pais – com mais sabedoria, compreensão e amor. Os olhos devem ser mesmo outros.
Segundo a sociedade, o que não inclui só o lado de fora de casa, os pais são as pessoas que mais nos amam no mundo.
Quando eles dão um conselho errôneo ou fazem algum comentário precipitado – qualquer fala que em algum momento não caiba – sério, eles realmente tentaram acertar.
A gente, filho, julga muito os nossos pais.
Mesmo não admitindo – as vezes nem pra nós mesmos – temos em nossos pais uma figura tão forte de heróis, onipotentes e pessoas incríveis, dessas de se admirar, que quando eles erram e se mostram humanos como a gente, ficamos surpresos, e as vezes até nos negamos em acreditar na – natural – existência da falha.
"Não, não é possível, a mãe fez isso por mal..."
"Ah o pai não ia fazer isso por falta de atenção, ele não liga!"
Se a gente soubesse o que é ser pai quando somos filhos, íamos compreendê-los muito mais. O problema nas relações de pais e filhos (desconsiderando e deixando de abordar tipos e diferenças de personalidades e outras divergências quaisquer, como um pai liberal ter um filho conservador ou vice versa, por exemplo) geralmente é esse, os pais sabem o que é ser filho ou filha, mas não param pra pensar que, além de não precisar ser igual pra nós ao que era ser filho pra eles, nós não temos vivência alguma de o que é ser responsável pela vida, criação e formação de alguém.
Nós, filhos, não sabemos como é trabalhoso, pois independente dos muitos prós que existem, ser mãe ou pai ainda é ser responsável por uma vida, ainda é amar incondicionalmente.
E amar incondicionalmente é se importar de todo o coração. Para quem é pai, isso não deve ser leve quando seu filho não passa por momentos bons.
Nós, tanto pais quanto filhos – seres humanos – somos tão egoístas que tudo que não compreendemos com obviedade nos repele, fazendo-nos enxergar a pior das intenções onde existe a melhor. Mal compreendida, mas a melhor. Quanto mais a gente entender que cada um vai manifestar um mesmo sentimento de maneiras diferentes, cada um com sua forma, mais vamos ver como existe amor no mundo, e dentro de casa.
Nessas horas, que a gente fala de assuntos do coração, é um privilégio ter – pois os bons estão vivos ainda, mesmo depois de mortos, pois, eternizar-se, é uma questão de viver com amor – artistas que entendem de amor, se a gente parar pra ouvir com atenção, eles começam a ajudar a gente a entender também.
Legião Urbana – Pais e filhos
Você me diz que seus pais não entendem
Mas você não entende seus pais
Você culpa seus pais por tudo
Isso é absurdo
São crianças como você,
O que você vai ser quando você crescer.
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