Se desculpar com alguém após uma briga e admitir que a própria postura foi ruim não é afirmar que a da outra pessoa foi boa, é apenas se importar em fazer a sua parte e reconhecer o seu erro.
Se o outro perguntar qual foi o erro dele, serenamente e com a intenção verdadeira de alertá-lo, fale. Só se você disser nessas circunstâncias vale a pena expor, outra conduta traria mais conflito.
Não existe comparação no efeito, eficácia, que existe entre você enxergar os seus erros e no de outra pessoa – que tenha carinho por você e vice versa ou mesmo quem você ama, e que te ame – fazê-lo.
Por isso, não adianta muito enxergar e apontar as falhas alheias, a máxima
utilidade que existe em falar ela pra esse terceiro é de alerta, mudar cabe a
ele, sempre só a ele. Sim, sem exceções. Mudar por um dia, uma semana, e, se você conseguir forçar muito a barra contra si mesmo, um mês, não é mudar. Mudança não é algo definido, não é progressista, regressivo, estar melhor ou pior. A única coisa que podemos afirmar com exatidão sobre mudar é somente que a gente não volta ao que era – ao que foi um dia.
Cada um muda quando, de alguma forma – por infinitas e diversas possibilidades de motivação – as próprias atitudes não lhe fazem mais bem, ou começam a trazer situações desagradáveis (não, não... Não desagradáveis pra quem convive com ele, mas quando ao ver dele, por alguma razão, estão desagradáveis). O mais inteligente da nossa parte é ter o pensamento e a consciência de que o que deve ter importância pra cada um é mudar a si próprio, não os demais.
E essas mudanças de postura só começam quando você mesmo quer, pois quando você quer, você faz. Não é assim?
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Arte, interpretação pessoal e belezas óbvias.
Numa frase, filme, música, poema ou videoclipe não existe a necessidade de não compreender algo para dar outro sentido para ele. As pessoas geralmente falam que cada um entende algum desses citados a sua maneira e que não existe um certo ou errado, porém – nesse caso – até que existe. A pessoa que entende certo é aquela que entendeu de acordo com a intenção do artista, que recebeu aquilo como o autor, o vocalista ou o roteirista e diretor entenderam a própria obra, os dois tiveram uma conclusão semelhante sobre.
Mesmo com a imensa possibilidade de haver mais de uma interpretação, seu significado pode estar claro, e você enxerga uma perspectiva melhor disso, consegue tirar algo melhor dali. A questão não é o entender. É achar ou não que pode haver um ponto de vista mais doce e ainda assim válido, realista, possível. Uma outra interpretação e forma de absorver aquilo que você viu. E dessa forma, vira cotidiano ver beleza na borboleta, na lagarta e no tronco de árvore seco ou na parede branca onde ela faz seu casulo. Mas ver beleza onde ela não é óbvia não é coisa que todo mundo faz, não é por falta de capacidade, de potencial, mas por falta de querer. Aliás, coisa de maluco isso né? De gente good vibes, que bate palma pro sol, abraça as árvores, é gentil com aquele cara nerd não aceito pela classe, compra um salgado pro cara que dorme ali na praça.
É, coisa de maluco. Já pensou, ver beleza nisso? Sem chance, não existe todo esse encanto, ainda mais num nerd cheio de espinhas, entende? É só isso que ele é. É... Me desculpa, mas olha, não é possível, você não deve ter entendido... É um cara que dorme na praça, olha as roupas dele, vai ajudar um vagabundo?
Pois é, sei que parece estranho, eu vou. A vida é justa mesmo quando algo nos desagrada e cogitamos que não, e concordo sem hesitações que o cara que está ali dormindo na praça não é um exemplo de moral, dedicação, superação ou carreira. Mas é que o vagabundo e sua história de vida não me cabem, e julgar merecimento pra dar a alguém o que comer quando tenho condições e estou passando por ali não me interessa o mínimo, não me importa mesmo. Ajudar não vai machucar ninguém, não me fere, não fere ele. Nesse mundo cheio de tudo e todos, um dos meus interesses é ser humana, merecer o título que eu tenho, mas merecer é fazer jus, é condizer.
O nerd ali no canto, de aparelho, cheio de acne no rosto, que sempre anda com um moletom velho e é introspectivo, não é só isso. E não vai ser pra sempre só isso. Assim como ele vai mudar, a menina linda da turma também vai, assim como a feinha que só estuda, o gordinho da sala. E existe toda a beleza do mundo nisso.
Nas lagartas enquanto lagartas.
Enquanto...
Pra existir beleza você tem que enxergar possibilidade. Se tudo, em sua totalidade, fosse da maneira que nos é apresentado, o mundo ia ser um lugar indescritivelmente vazio, monótono. Nem sei se existiria, por que razão manter a existência de algo tão simplório? De algo eternamente imutável?
Mesmo com a imensa possibilidade de haver mais de uma interpretação, seu significado pode estar claro, e você enxerga uma perspectiva melhor disso, consegue tirar algo melhor dali. A questão não é o entender. É achar ou não que pode haver um ponto de vista mais doce e ainda assim válido, realista, possível. Uma outra interpretação e forma de absorver aquilo que você viu. E dessa forma, vira cotidiano ver beleza na borboleta, na lagarta e no tronco de árvore seco ou na parede branca onde ela faz seu casulo. Mas ver beleza onde ela não é óbvia não é coisa que todo mundo faz, não é por falta de capacidade, de potencial, mas por falta de querer. Aliás, coisa de maluco isso né? De gente good vibes, que bate palma pro sol, abraça as árvores, é gentil com aquele cara nerd não aceito pela classe, compra um salgado pro cara que dorme ali na praça.
É, coisa de maluco. Já pensou, ver beleza nisso? Sem chance, não existe todo esse encanto, ainda mais num nerd cheio de espinhas, entende? É só isso que ele é. É... Me desculpa, mas olha, não é possível, você não deve ter entendido... É um cara que dorme na praça, olha as roupas dele, vai ajudar um vagabundo?
Pois é, sei que parece estranho, eu vou. A vida é justa mesmo quando algo nos desagrada e cogitamos que não, e concordo sem hesitações que o cara que está ali dormindo na praça não é um exemplo de moral, dedicação, superação ou carreira. Mas é que o vagabundo e sua história de vida não me cabem, e julgar merecimento pra dar a alguém o que comer quando tenho condições e estou passando por ali não me interessa o mínimo, não me importa mesmo. Ajudar não vai machucar ninguém, não me fere, não fere ele. Nesse mundo cheio de tudo e todos, um dos meus interesses é ser humana, merecer o título que eu tenho, mas merecer é fazer jus, é condizer.
O nerd ali no canto, de aparelho, cheio de acne no rosto, que sempre anda com um moletom velho e é introspectivo, não é só isso. E não vai ser pra sempre só isso. Assim como ele vai mudar, a menina linda da turma também vai, assim como a feinha que só estuda, o gordinho da sala. E existe toda a beleza do mundo nisso.
Nas lagartas enquanto lagartas.
Enquanto...
O mundo é
lindo, a gente que não vê. A ideia que temos de beleza, de valer a pena, de nos encantar, é de uma estética
material, física e psíquica perfeitas. Exigimos mudanças sem querer
mudar a nós mesmos, nos queixamos da política e agimos como corruptos,
falamos que carinho é coisa de gente trouxa mas nos entristecemos com frieza, dizemos que saber ceder é ser
escravo do namorado ou namorada mas nos sentimos ignorados quando nenhuma das nossas vontades é considerada e isso nos machuca. Nossa, fazemos muita coisa errado
A gente é maluco mesmo...
Pra existir beleza você tem que enxergar possibilidade. Se tudo, em sua totalidade, fosse da maneira que nos é apresentado, o mundo ia ser um lugar indescritivelmente vazio, monótono. Nem sei se existiria, por que razão manter a existência de algo tão simplório? De algo eternamente imutável?
É, também não sei.
Sabe, nesse momento entra a incógnita de cada um, o que é possível pra você?
O quanto seu mundo é bonito?
terça-feira, 19 de maio de 2015
Somos todos diferentes, e iguais.
Pra quem ainda nem está nesse mundo há duas décadas, mudar de estado três vezes, ser uma alguém intenso e – abençoado – com uma boa observação pode trazer alguma maturidade e conhecimento sobre as pessoas.
De que adaptação tem tudo a ver com querer se adaptar e com dar tempo ao tempo (alguns mais curtos, outros nem tanto), da existência de aspectos culturais como o fato, por exemplo, de que paranaense entende mais de teatro que mineiro, e que mineiro entende mais de comida caseira do que paranaense, que mariliense entende mais de hospitalidade, que mineiro é mais discreto, pois é. São diferenças interessantes, e, ainda assim, a gente é tudo igual.
Não se espante, a gente é. Não importa se você é nascido em Porto Alegre, na Espanha, na Rússia ou no Pará, somos todos um mesmo ser. Se, no seu país, é normal estudar 14 horas por dia, se os casamentos são arranjados, se são pobres, se são muito ricos, se tem uma renda estável, se vocês não comem carne vermelha, se são negros, se dividem-se em tribos, se são homossexuais, se usam burcas para sair na rua, se mulheres não tem direito de dirigir. Ainda assim, somos um só. Todos esses aspectos culturais são circunstâncias, o ser humano só se diferencia um do outro por se adaptar ao lugar que está, cada lugar tem sua cultura – seu modo, referências e tendências de o que ser e como viver.
Mas, vamos voltar e falar de nós – como seres humanos – não é de aspectos circunstanciais que estou falando, eles são irrefutavelmente diferentes.
Todos queremos as mesmas coisas, queremos respeito, nosso espaço, uma família, amigos – ter com quem rir e poder contar, pra dividir a vida.
O que vem depois, aquele carro, aquela casa assim e assado, tal emprego, ir num show e todo o resto, já não tem a ver com a humanidade de cada um, mas sim com aspectos circunstanciais – como cultura e criação – e com a ambição que existe dentro de cada indivíduo (apesar que, emprego ter a ver com a sua ambição e sua humanidade ou só com a sua ambição, é relativo, varia de pessoa pra pessoa, continuemos).
A gente cresce aprendendo que tudo tem catálogo, rótulo e gênero, e a maneira que nos enxergamos é querendo nos igualar a produtos, máquinas, mas essas classificações são para o que funciona com botões. Máquina, a gente não é, nem auto suficientes (o que é diferente de independência). Gostamos de afeto, gentileza, espírito de equipe, é inevitável. Já dizia Rousseau que, por natureza, o homem é bom – bondoso.
Em qualquer lugar do mundo, se você disser por favor e obrigado, vai ser bem visto. Se você ceder seu lugar para uma grávida ou um idoso, se devolver a carteira – com muito ou pouco dinheiro, aliás, isso não importa, é dele – daquele desconhecido que a deixou cair e não viu, se respeitar a dúvida de um colega na sua sala de aula, também.
Isso tudo, atitudes de Educação, Respeito, Gentileza, Honestidade, te torna Bondoso. E Bondade, que é composta por tais atitudes e mais outras, nos induzem para o Amor – que inclui tudo que existe na Bondade, e mais.
Amor, é isso que nos torna igual.
O João é diferente da Maria quando o João ainda não dá nem recebe amor, quando ele der, e souber receber, eles se tornam iguais, o reflexo é o mesmo, se tornam um só, a nacionalidade do João e da Maria não faz diferença nenhuma.
Capiti?
De que adaptação tem tudo a ver com querer se adaptar e com dar tempo ao tempo (alguns mais curtos, outros nem tanto), da existência de aspectos culturais como o fato, por exemplo, de que paranaense entende mais de teatro que mineiro, e que mineiro entende mais de comida caseira do que paranaense, que mariliense entende mais de hospitalidade, que mineiro é mais discreto, pois é. São diferenças interessantes, e, ainda assim, a gente é tudo igual.
Não se espante, a gente é. Não importa se você é nascido em Porto Alegre, na Espanha, na Rússia ou no Pará, somos todos um mesmo ser. Se, no seu país, é normal estudar 14 horas por dia, se os casamentos são arranjados, se são pobres, se são muito ricos, se tem uma renda estável, se vocês não comem carne vermelha, se são negros, se dividem-se em tribos, se são homossexuais, se usam burcas para sair na rua, se mulheres não tem direito de dirigir. Ainda assim, somos um só. Todos esses aspectos culturais são circunstâncias, o ser humano só se diferencia um do outro por se adaptar ao lugar que está, cada lugar tem sua cultura – seu modo, referências e tendências de o que ser e como viver.
Mas, vamos voltar e falar de nós – como seres humanos – não é de aspectos circunstanciais que estou falando, eles são irrefutavelmente diferentes.
Todos queremos as mesmas coisas, queremos respeito, nosso espaço, uma família, amigos – ter com quem rir e poder contar, pra dividir a vida.
O que vem depois, aquele carro, aquela casa assim e assado, tal emprego, ir num show e todo o resto, já não tem a ver com a humanidade de cada um, mas sim com aspectos circunstanciais – como cultura e criação – e com a ambição que existe dentro de cada indivíduo (apesar que, emprego ter a ver com a sua ambição e sua humanidade ou só com a sua ambição, é relativo, varia de pessoa pra pessoa, continuemos).
A gente cresce aprendendo que tudo tem catálogo, rótulo e gênero, e a maneira que nos enxergamos é querendo nos igualar a produtos, máquinas, mas essas classificações são para o que funciona com botões. Máquina, a gente não é, nem auto suficientes (o que é diferente de independência). Gostamos de afeto, gentileza, espírito de equipe, é inevitável. Já dizia Rousseau que, por natureza, o homem é bom – bondoso.
Em qualquer lugar do mundo, se você disser por favor e obrigado, vai ser bem visto. Se você ceder seu lugar para uma grávida ou um idoso, se devolver a carteira – com muito ou pouco dinheiro, aliás, isso não importa, é dele – daquele desconhecido que a deixou cair e não viu, se respeitar a dúvida de um colega na sua sala de aula, também.
Isso tudo, atitudes de Educação, Respeito, Gentileza, Honestidade, te torna Bondoso. E Bondade, que é composta por tais atitudes e mais outras, nos induzem para o Amor – que inclui tudo que existe na Bondade, e mais.
Amor, é isso que nos torna igual.
O João é diferente da Maria quando o João ainda não dá nem recebe amor, quando ele der, e souber receber, eles se tornam iguais, o reflexo é o mesmo, se tornam um só, a nacionalidade do João e da Maria não faz diferença nenhuma.
Capiti?
Quando só estamos vivos no passado da vida de alguém, pra eles tudo que seremos são memórias.
Acordada quinze minutos antes de o despertador tocar e convidá-la de volta pro cotidiano e pra rotina, a morena sentou na cama.
A manhã estava calma, mansa e leve – ela adorava esse instante do dia, tudo começando de novo, gente acordando devagar, névoa entre os prédios, orvalho. Cheiro de café.
Mas,
mesmo com o momento que geralmente ela apreciava gostosamente
mesmo com o semblante sonolento
mesmo com as madeixas entrelaçadas e o figurino composto por calcinha e uma largona camiseta de algodão, nada estava assim tão calmo.
Abandonando o olhar da janela, olhou a parede se perguntando, com bastante franqueza e pouca – nenhuma – etiqueta que porra foi essa?
Sozinha no quarto, lembrou do sonho com ele na noite anterior, e aí, de dia, soube de uma manifestação dele a seu respeito, que curioso. Ah, manifestação cuja visão dele era de que ela ainda era a mesma menina daquele tempo.
É, que curioso. Começou a pensar em tudo que tinha acontecido desde que eles não se falaram mais. É estranho aceitar que tudo que a gente pode se tornar pra alguém é uma memória, que as vezes a pessoa eterniza, nos congela daquele jeitinho que éramos e lembra pra sempre da gente assim. Acho que é isso que desencadeia saudade, a ideia de que ainda tem muita coisa igual naquele alguém que – por te dar uma palheta mesmo você não tendo violão, deixar aquele cheiro gostoso no seu travesseiro, ou ter tido paciência e afeto com você naquela semana de TPM – de alguma maneira, por algum motivo, foi daquelas pessoas que te deixam com saudade.
Ah se todo mundo soubesse o quanto ganha alguém com gestos singelos...
Logo, vira especial. E gente especial ganha importância dentro de nós.
Porém, falando das memórias, bom, é fácil mudar elas. Editar, aumentar, melhorar, apagar, se iludir, esquecer, tudo pra deletar o que foi verdade pros dois, que é tão simples. A gente complica demais. Que besteira a nossa.
Ele muito possivelmente não fazia mesmo ideia do quanto ela tinha mudado, provavelmente por que ele ainda era o mesmo, ou porque ele achava que só algumas pessoas mudam, e não todas – como acontece. No dia que ele entendesse que todo mundo muda – e que mudar ainda é ser você mesmo – e fosse começar a pensar que ela, que também era todo mundo, não era a mesma, talvez nem pensasse mais nela.
A manhã estava calma, mansa e leve – ela adorava esse instante do dia, tudo começando de novo, gente acordando devagar, névoa entre os prédios, orvalho. Cheiro de café.
Mas,
mesmo com o momento que geralmente ela apreciava gostosamente
mesmo com o semblante sonolento
mesmo com as madeixas entrelaçadas e o figurino composto por calcinha e uma largona camiseta de algodão, nada estava assim tão calmo.
Abandonando o olhar da janela, olhou a parede se perguntando, com bastante franqueza e pouca – nenhuma – etiqueta que porra foi essa?
Sozinha no quarto, lembrou do sonho com ele na noite anterior, e aí, de dia, soube de uma manifestação dele a seu respeito, que curioso. Ah, manifestação cuja visão dele era de que ela ainda era a mesma menina daquele tempo.
É, que curioso. Começou a pensar em tudo que tinha acontecido desde que eles não se falaram mais. É estranho aceitar que tudo que a gente pode se tornar pra alguém é uma memória, que as vezes a pessoa eterniza, nos congela daquele jeitinho que éramos e lembra pra sempre da gente assim. Acho que é isso que desencadeia saudade, a ideia de que ainda tem muita coisa igual naquele alguém que – por te dar uma palheta mesmo você não tendo violão, deixar aquele cheiro gostoso no seu travesseiro, ou ter tido paciência e afeto com você naquela semana de TPM – de alguma maneira, por algum motivo, foi daquelas pessoas que te deixam com saudade.
Ah se todo mundo soubesse o quanto ganha alguém com gestos singelos...
Logo, vira especial. E gente especial ganha importância dentro de nós.
Porém, falando das memórias, bom, é fácil mudar elas. Editar, aumentar, melhorar, apagar, se iludir, esquecer, tudo pra deletar o que foi verdade pros dois, que é tão simples. A gente complica demais. Que besteira a nossa.
Ele muito possivelmente não fazia mesmo ideia do quanto ela tinha mudado, provavelmente por que ele ainda era o mesmo, ou porque ele achava que só algumas pessoas mudam, e não todas – como acontece. No dia que ele entendesse que todo mundo muda – e que mudar ainda é ser você mesmo – e fosse começar a pensar que ela, que também era todo mundo, não era a mesma, talvez nem pensasse mais nela.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Nossa viagem. Você, minha.
La vie en rose tocava num volume quase inaudível dentro do carro azul claro, desbotado. Não era exatamente por que o volume estava no mínimo, na verdade, era o motor e o vento que vinha lá de fora que abafavam o som da música francesa.
Mesmo com as mãos no volante, ele desviou o olhar da estrada vazia, virou o rosto pra direita, encontrando o rosto dela.
Ah, aquele rosto. Ele se impressionava com como ela podia ter várias faces, quando ela fazia o próprio rosto de tela em branco – pintando os lábios de lilás ou rosa pastel, alongando os cílios e levando preto para os olhos – ele se via diante de uma mulher, séria, mas indiscutivelmente jovial. Face diferente da que ele via de manhã, juvenil e doce, quando a deixava dormir, de rosto e corpo nu, e ia compor na cozinha.
Mas os olhos eram sempre os mesmos, escuros e ainda assim tão claros, pareciam enxergar mais do que o próprio reflexo quando encontrava sua imagem ao olhar nos olhos dele. Ela era a garota dele, e isso não invalidava pertencer a si mesma.
Era quase metade da madrugada, eles dirigiam pra chegar em um lugar novo.
Naquela noite, ela vestia um shorts jeans, regata preta de alças finas – fininhas – e um kimono cor de areia, com grandes rosas azuis e vermelhas. Vestia um sorriso de canto, também, quase pronto pra desabrochar um riso sem motivo.
Ele concluiu, era hora de dar um tempo, pro motor e pra eles.
Pararam a caminhonete na beira da estrada. As 3h da manhã, o mundo dormia e o teto era um imenso tapete estrelado, trocaram os assentos aveludados por asfalto e relva, se olharam.
A gente sabe que encontrou alguém legal quando gosta de ficar em silêncio do lado dela, e, ah... Eles viam o valor disso.
Sortudos deles, eram felizes – e sabiam.
O riso dela desabrochou, e, sentados bem pertinho um do outro, o perfume dele mexia com a cabeça dela. E fazia ela querer mexer as próprias mãos, e todo o resto.
Ele era solto, e sua forma serena de ser era tão espontânea que pra ele, prisão seria ser um cara agitado. Prisão seria ser e agir como quem ele não era, ele se sentia mais livre quando não se importava em mostrar pra alguém a real e leve existência da sua liberdade.
Ela amava isso nele.
Ele reagiu ao riso dela com uma expressão calma e afetuosa, ele a olhava com um carinho sincero a ponto de não precisar tocá-la pra que ela entendesse que era admirada.
Ela pegou suavemente o seu queixo, e a vontade – intensa, que quase deixava o ar palpável – que ocupava aquele espaço entre os sorrisos, se transformou em beijo.
Entre intervalos, ao olhar pra ele, abaixou devagar o kimono sobre um dos ombros – antes, ambos cobertos pelo pano cheio de rosas.
Quando ele desviou o rosto pro outro lado com uma risada gostosa, ela soube que sua intenção havia ficado clara – e sido bem recebida.
Ele levantou, estendendo uma das mãos para a morena, que lhe entregou a dela.
E, depois, o coração também. Mais uma vez.
Aliás, por ele, valia a pena deixar o batimento acelerar.
Logo, era como se a cena voltasse, ouvia o ronco do motor, o mínimo som da voz de Edith Piaf, e o vento bagunçava os cabelos, refrescava as bochechas – agora, quentes – coradas.
Mesmo com as mãos no volante, ele desviou o olhar da estrada vazia, virou o rosto pra direita, encontrando o rosto dela.
Ah, aquele rosto.
Mesmo com as mãos no volante, ele desviou o olhar da estrada vazia, virou o rosto pra direita, encontrando o rosto dela.
Ah, aquele rosto. Ele se impressionava com como ela podia ter várias faces, quando ela fazia o próprio rosto de tela em branco – pintando os lábios de lilás ou rosa pastel, alongando os cílios e levando preto para os olhos – ele se via diante de uma mulher, séria, mas indiscutivelmente jovial. Face diferente da que ele via de manhã, juvenil e doce, quando a deixava dormir, de rosto e corpo nu, e ia compor na cozinha.
Mas os olhos eram sempre os mesmos, escuros e ainda assim tão claros, pareciam enxergar mais do que o próprio reflexo quando encontrava sua imagem ao olhar nos olhos dele. Ela era a garota dele, e isso não invalidava pertencer a si mesma.
Era quase metade da madrugada, eles dirigiam pra chegar em um lugar novo.
Naquela noite, ela vestia um shorts jeans, regata preta de alças finas – fininhas – e um kimono cor de areia, com grandes rosas azuis e vermelhas. Vestia um sorriso de canto, também, quase pronto pra desabrochar um riso sem motivo.
Ele concluiu, era hora de dar um tempo, pro motor e pra eles.
Pararam a caminhonete na beira da estrada. As 3h da manhã, o mundo dormia e o teto era um imenso tapete estrelado, trocaram os assentos aveludados por asfalto e relva, se olharam.
A gente sabe que encontrou alguém legal quando gosta de ficar em silêncio do lado dela, e, ah... Eles viam o valor disso.
Sortudos deles, eram felizes – e sabiam.
O riso dela desabrochou, e, sentados bem pertinho um do outro, o perfume dele mexia com a cabeça dela. E fazia ela querer mexer as próprias mãos, e todo o resto.
Ele era solto, e sua forma serena de ser era tão espontânea que pra ele, prisão seria ser um cara agitado. Prisão seria ser e agir como quem ele não era, ele se sentia mais livre quando não se importava em mostrar pra alguém a real e leve existência da sua liberdade.
Ela amava isso nele.
Ele reagiu ao riso dela com uma expressão calma e afetuosa, ele a olhava com um carinho sincero a ponto de não precisar tocá-la pra que ela entendesse que era admirada.
Ela pegou suavemente o seu queixo, e a vontade – intensa, que quase deixava o ar palpável – que ocupava aquele espaço entre os sorrisos, se transformou em beijo.
Entre intervalos, ao olhar pra ele, abaixou devagar o kimono sobre um dos ombros – antes, ambos cobertos pelo pano cheio de rosas.
Quando ele desviou o rosto pro outro lado com uma risada gostosa, ela soube que sua intenção havia ficado clara – e sido bem recebida.
Ele levantou, estendendo uma das mãos para a morena, que lhe entregou a dela.
E, depois, o coração também. Mais uma vez.
Aliás, por ele, valia a pena deixar o batimento acelerar.
Logo, era como se a cena voltasse, ouvia o ronco do motor, o mínimo som da voz de Edith Piaf, e o vento bagunçava os cabelos, refrescava as bochechas – agora, quentes – coradas.
Mesmo com as mãos no volante, ele desviou o olhar da estrada vazia, virou o rosto pra direita, encontrando o rosto dela.
Ah, aquele rosto.
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