quarta-feira, 27 de maio de 2015

Arte, interpretação pessoal e belezas óbvias.

Numa frase, filme, música, poema ou videoclipe não existe a necessidade de não compreender algo para dar outro sentido para ele. As pessoas geralmente falam que cada um entende algum desses citados a sua maneira e que não existe um certo ou errado, porém nesse caso até que existe. A pessoa que entende certo é aquela que entendeu de acordo com a intenção do artista, que recebeu aquilo como o autor, o vocalista ou o roteirista e diretor entenderam a própria obra, os dois tiveram uma conclusão semelhante sobre.
Mesmo com a imensa possibilidade de haver mais de uma interpretação, seu significado pode estar claro, e você enxerga uma perspectiva melhor disso, consegue tirar algo melhor dali. A questão não é o entender. É achar ou não que pode haver um ponto de vista mais doce e ainda assim válido, realista, possível. Uma outra interpretação e forma de absorver aquilo que você viu. E dessa forma, vira cotidiano ver beleza na borboleta, na lagarta e no tronco de árvore seco ou na parede branca onde ela faz seu casulo. Mas ver beleza onde ela não é óbvia não é coisa que todo mundo faz, não é por falta de capacidade, de potencial, mas por falta de querer. Aliás, coisa de maluco isso né? De gente good vibes, que bate palma pro sol, abraça as árvores, é gentil com aquele cara nerd não aceito pela classe, compra um salgado pro cara que dorme ali na praça.

É, coisa de maluco. Já pensou, ver beleza nisso? Sem chance, não existe todo esse encanto, ainda mais num nerd cheio de espinhas, entende? É só isso que ele é. É... Me desculpa, mas olha, não é possível, você não deve ter entendido... É um cara que dorme na praça, olha as roupas dele, vai ajudar um vagabundo?

Pois é, sei que parece estranho, eu vou. A vida é justa mesmo quando algo nos desagrada e cogitamos que não, e concordo sem hesitações que o cara que está ali dormindo na praça não é um exemplo de moral, dedicação, superação ou carreira. Mas é que o vagabundo e sua história de vida não me cabem, e julgar merecimento pra dar a alguém o que comer quando tenho condições e estou passando por ali não me interessa o mínimo, não me importa mesmo. Ajudar não vai machucar ninguém, não me fere, não fere ele. Nesse mundo cheio de tudo e todos, um dos meus interesses é ser humana, merecer o título que eu tenho, mas merecer é fazer jus, é condizer.
O nerd ali no canto, de aparelho, cheio de acne no rosto, que sempre anda com um moletom velho e é introspectivo, não é só isso. E não vai ser pra sempre só isso. Assim como ele vai mudar, a menina linda da turma também vai, assim como a feinha que só estuda, o gordinho da sala. E existe toda a beleza do mundo nisso.
Nas lagartas enquanto lagartas.
Enquanto...

O mundo é lindo, a gente que não vê. A ideia que temos de beleza, de valer a pena, de nos encantar, é de uma estética material, física e psíquica perfeitas. Exigimos mudanças sem querer mudar a nós mesmos, nos queixamos da política e agimos como corruptos, falamos que carinho é coisa de gente trouxa mas nos entristecemos com frieza, dizemos que saber ceder é ser escravo do namorado ou namorada mas nos sentimos ignorados quando nenhuma das nossas vontades é considerada e isso nos machuca. Nossa, fazemos muita coisa errado
A gente é maluco mesmo...

Pra existir beleza você tem que enxergar possibilidade. Se tudo, em sua totalidade, fosse da maneira que nos é apresentado, o mundo ia ser um lugar indescritivelmente vazio, monótono. Nem sei se existiria, por que razão manter a existência de algo tão simplório? De algo eternamente imutável?

É, também não sei.
O quanto seu mundo é bonito?
Sabe, nesse momento entra a incógnita de cada um, o que é possível pra você?

Nenhum comentário:

Postar um comentário