Muitas pessoas não sabem receber afeto.
Ou educação.
Ou imparcialidade.
Ou visões que priorizem causas, e não pessoas.
Ou uma intenção só.
E a gente, gente, sempre tenta fazer o nosso melhor.
Dar nosso melhor.
Oferecer para aqueles do círculo de convívio nossa face mais tranquila, leve, discreta, bem humorada, gentil, altruísta, brilhante, sensata, lúcida.
E, as vezes, aquele, que for o receptor dessa face, não sabe receber.
Não compreende a sinceridade da transparência do emissor.
Ou acha que, receber, apenas receber, reconhecer, torna ele responsável de ser de tal forma também.
Ou, acha que receber não se trata de receber, mas trata-se de ter que aprender a ceder por essa pessoa, como chantagem, barganha.
Ou, ainda acha que isso é a pessoa "esfregando no rosto dela o quanto ele é melhor e o quanto ele sabe que ele é melhor", como se a pessoa emissora formulasse uma personalidade em prol de ofender. É, tem gente - receptor - assim.
É como se, receber o melhor de alguém, dado gratuitamente e sem quaisquer compromisso, soasse como proposta de débito.
O ser humano já seria melhor se soubesse receber bondade.
Mas, tampouco sabe dar ela para os demais.
O mundo só é ruim diante dos olhos daqueles que não confiam nas próprias intenções para com as pessoas.
Pois, quando você toma para si, com naturalidade e por livre escolha, o dever de ser ético, coerente, confiável, fraternal, responsável e empático, o mundo é cor de rosa.
Pois, o mundo sempre será diferente perante os olhos de quem vê, e, quando você respeita o mundo, o mundo parece receber isso, e te respeitar também.
Mas, essa teoria da qual gosto de observar, possui uma margem falha.
Em um aspecto, esta mesma linha de pensamento se contradiz...
Pois, se o mundo é como o enxergamos, logo, como somos, quem não tiver dentro de si - nem por si mesmo - o respeito, por exemplo, este não vai respeitar nem o mais puro sentimento de respeito diante dele, sendo emitido por uma outra pessoa.
E isso só sugere apenas uma coisa, para aqueles que gostam de oferecer a própria face mais brilhante: reconhecer - com aceitação - o mundo dos outros, antes de tocá-lo com o nosso.
Cada um carrega em si um Universo.
E mostrar, um pouco ou muito, do nosso a alguém que não o entenda, soa como imposição.
Mas, claro, isso não significa ter que deixar de viver, de Ser o Universo que se é.
O que isso traz, no fim das contas, é a sugestão de conduzir nossas interações com prudência.
Universos são preciosos, e mostrar quem você realmente é para quem não gosta nem de si mesmo, é como jogar pérolas a porcos, que estão tão acostumados a se depararem só com a tal da lavagem - resto dos outros.
Diferente do que muitas pessoas falam, o Amor é o sentimento mais rejeitado no nosso mundo cheio de universos despreparados para recebê-lo e aprendê-lo.
Ser simples dá muito mais trabalho que qualquer outra coisa na existência, e, para aqueles incompreendidos, que já tem um pouco de simplicidade dentro de si, a lição é selecionar com quem Ser, aplicar, essa simplicidade.
As vezes, você ama, mas compreender, acreditar, ou acatar essa simplicidade, está além dos limites do ser amado.
E, se você ama, você preserva. Nem todos merecem - nem todos querem - aprender que existem pessoas que vivem uma realidade de vida sem máscaras.
Uma realidade onde pessoas estão bem com quem são e com as verdades da própria vida.
Que sabem se perdoar.
Que estão bem com suas falhas.
Que estão abraçando aprendizados.
Que, mesmo tendo bens materiais, estão desapegadas a eles.
Que, mesmo tendo desafios, se dispõe a adquirir sabedoria para enfrenta-los com calma, sem desesperos ou egoísmos.
Que são simpáticas, hospitaleiras, que tem o coração verdadeiramente aberto.
Que tem pessoas sem preços, sem suborno, existe estrutura, base, princípios.
Que essas pessoas são da forma que são sem fardos, que elas são felizes.
Quantas amizades durariam se não houvesse mais fofoca? Frivolidade? Difamação? Competição? Status? Conveniência? Oportunismo? Dificuldade de auto perdão? Clubes sociais? Necessidade de aprovação social?
A base dos laços, amizades, relacionamentos, é a identificação. As pessoas, pra se unirem, precisam identificar-se com seus próximos para estar próxima a eles.
Nem sempre, o nosso melhor, nossa face mais brilhante, é o melhor que podemos dar para as pessoas que a gente ama, o Amor respeita, e, se é Amor, de fato, ele não respeita apenas a o objeto de afeição, mas seus limites. E, as vezes, respeitar limites, inclui abdicar de soluções e coisas boas que se poderia expor, sugerir ou fazer.
Porque, no fundo, cada um sabe o caminho para buscar a solução para seus problemas, aflições ou dúvidas - hesitações. E, se esse um, realmente não quisesse mais seu problema, dúvida ou aflição, ele não o teria mais.
Então, quando a gente ama... As vezes a melhor conduta será o silêncio e um olhar, um sorriso.
As vezes, as pessoas querem falar - mas não fazer, não ouvir.
Falar, reclamar.
Apenas.
Do quanto tudo é injusto, ruim, errado e caótico.
Já falei nesse texto sobre a parte que vemos as coisas como somos?
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