Viajou por alguns cantos por aí, carregando algumas coisas.
Nas mãos, levava malas e um travesseiro.
No peito, amizades, algumas saudades, e objetivos - sonhos, como dizem.
Na mente, boas intenções.
Na memória, momentos - que revivia quando achava que ainda precisava aprender algo com eles. E, "eles", incluía também os bons momentos.
No coração, bom, no coração, depois de conhecê-lo em uma de suas viagens, ela ainda o levava.
E ainda levaria por um bom tempo.
Aliás, não são todos os dias que nós, nessa vida - como apenas humanos, sempre tão seguros de nós mesmos e da ordem lógica, afetiva e criativamente tão pobre, das coisas e do mundo - recebemos o privilégio de sentir Amor e Lealdade de uma forma tão forte, livre, sem posse, sem ciúme, e, ainda assim profunda e sincera, (e irracional?) por alguém.
Ela tinha coragem de Sentir, e depois da viagem - de várias viagens, mas daquela, principalmente, em um mês de verão, famoso por ser o início de novo ciclo - sabia que ela devia se compor e se construir como metade, pra merecer a oportunidade de convívio com ele, a metade dela.
Por um período, a Viajante não faria jus ao seu nome.
Não até sua formação acadêmica concluir-se e ela ser levada pela mesma até a França.
E precisava ser na cidade do Amor.
Lá ela teria duas formações pra concluir, a de obstetra, e a de metade.
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