Ela tinha pensado em ser aeromoça. Aviões, ver o mundo todo... Ia ser incrível. Mas po, viajaria demais né? Se ela se apaixonasse viveria com o peito pesado de saudade, seria presa por uma falsa liberdade que é a sensação que viajar pra qualquer lugar daria.
Ela tinha pensado em Direito e, uau, ela seria uma excelente advogada, mas ela não tinha estômago pra certas coisas como hipocrisia, gente desinteressada na própria profissão mesmo quando ter interesse mudaria realmente a vida de um réu, por exemplo. Detestava hipocrisia e corrupção.
Ela pensou em biologia também, com intenção de pesquisar e lecionar. Caramba, adorava biologia, e viver todos os dias no EM seria jovial e animado, ela ficaria feliz em ensinar. Mas... Ter aula em lugares diferentes, o que na profissão é algo bom, a deixaria incomodada, pelos trajetos de estar sempre indo aos mesmos lugares pra lá e pra cá todo dia, ela podia estar tanto certa quanto errada a respeito dessa impressão, mas, parecia muita rotina.
Pensou em atuar, nossa ela admirava intensa e sinceramente uma peça de teatro, saindo de tal sempre alegre e muito revigorada. Mas, no fim das contas, não tem jeito: ser uma atriz de sucesso tinha tudo a ver com estar na mídia. Além de que, ela achava as personagens das novelas patéticas e clichês, não se interessaria pela maioria delas. E, saber interpretar fora da tela seria necessário, era uma puxação de saco sem fim, fora os contratos com a TV que passariam a possuir ela, cada publicidade, viagem, sendo aprovada ou não por eles. Só quem ficava nos bastidores sabia a maçã podre que, em partes, era esse mundo que parecia tão completamente glamouroso pra quem via de fora.
Pensou em moda, passou um grande tempo matutando a ideia na cabeça, ela amava óculos, sapatos, chapéus, casacos e lingeries. Sempre achou que moda tinha tudo a ver com psicologia, era expansiva e influente. Como sempre desenhara, não teria dificuldades e tinha um bom senso de estilo. Adorava ler Vogue e assistia os desfiles da VSFS com um reconhecimento do que era aquela marca e do quão trabalhoso, grande e fantástico era esse negócio. Mas... Lidar sempre com uma competição de egos e marcas, não eram as circunstâncias mais atraentes.
E, caramba, o que ela faria com o gosto que tinha por escrever, por fatos do cotidiano e por pessoas?
No fim das contas, a questão não era que o problema era alguma das profissão anteriores, mas sim que elas só não preenchiam o que era prioridade dela: levar sua ótica de mundo para as pessoas.
Não que ela fosse melhor que alguém, mas começara a notar que muitas vezes seu jeito de lidar com as coisas ajudava alguns amigos, vira e mexe.
Ela ia ser jornalista. Ela amava causas sociais, era apaixonada pela quebra de tabus e misticismos. Foi a primeira profissão que pensou sem ver algum contra relevante. A profissão abria um bom leque, e entre as opções que esse leque oferecia, podia trabalhar com edição de moda caso desejasse. Ela poderia criar raízes em algum lugar, o fundamento de sua profissão seriam pessoas, fatos sociais e mundiais, veracidade. O que seria do mundo sem pessoas interessadas na verdade? E não uma versão que favorecesse ou atrapalhasse alguém, apenas a verdade, o que ela era. Ela era apaixonada por isso.
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