sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Feliz natal, para todos.

As propagandas de chester, peru, chocotones e panetones estão começando a aparecer aqui ou ali. No final do ano que, em sua maior parte, já foi. Já as propagandas de cosméticos, brinquedos e de shoppings, estão com um vermelho e um dourado a mais. Ambas, todas as citadas, tem em comum entre elas as famílias felizes – o pai, a mãe, um menino e uma menina, geralmente crianças – caminhando. Em outras, estão todos a mesa, avós, supostos tios e primos, rindo e conversando. Está citado em Anna Karenina que Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira.  
E, na verdade, discordo. Acho que cada um é feliz a sua maneira também. Mas sim, isso, ser feliz a sua maneira, é a minoria, a maioria fica feliz com o que, na ótica comum de mundo, seria suficiente ou agradável a qualquer pessoa, satisfatório.
Um marido que trabalha no escritório de advocacia, uma esposa agradável, dois filhos, um cachorro, o carro do ano. 
Não, não discordo que isso seja de fato agradável, mas por uma vida toda? Meu Deus, como acho isso morno, arrisco dizer que até reprimido. Faz tão bem sempre estar fazendo algo novo, mesmo que seja só mudar a rota pro trabalho um dia ou outro, aprender uma arte marcial, uma receita nova, ir pela primeira vez naquela cantina italiana que abriu ali na esquina e você olha por dois segundos quando volta pra casa, viajar pra um lugar onde as pessoas vivem de um jeito diferente de nós. A gente merece isso.
A vida tem muito mais pra fazer, conhecer, ver e ser do que estar nesse constante protótipo de propaganda de margarina.

Passividade não é uma vida leve, pode ser só uma camuflagem pra se manter na própria zona de conforto ousando dizer que isso é tranquilidade, plenitude.

Mas, como eu disse, isso agrada, talvez por toda uma vida, a maioria. 

Feliz natal, famílias infelizes, e felizes, a sua maneira.

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