sexta-feira, 19 de junho de 2015

O outro lado da moeda, que existe e geralmente ninguém vê.

Vez ou outra vemos por aí tal frase que nos diz que nos preocupamos tanto com besteiras que esquecemos de nos importar com que é importante, relevante.
Pois é... As vezes podemos confundir o que faz a vida valer a pena (ou até esquecer de pensar nisso), o que vai trazer bons frutos, com o que é inteligente usarmos nossa energia e nosso tempo.
Mas a gente esquece de falar do outro lado da moeda – lado esquecido, mas não menos considerável de quem vive em prol só do que é importante e relevante, e esquece de fazer bobeira de vez em quando, esquece das besteiras, das risadas sem motivo, de aprender com os erros ao invés de ficar sempre na área segura de não fazer nada novo, de não se levar a sério, dos desabafos dos amigos, das festas juninas e julinas do colégio ou da faculdade, dos palavrões e xingamentos falados entre risos – o famoso rir pra não chorar – de comer um brigadeirão, um fast food, de se sujar com a comida e não se constranger com isso, mas fazer piada.
É, esqueceram de falar do outro lado da moeda, que é tão grave quanto o só ocupar seu tempo se preocupando com besteira. 
No segundo trailer oficial do novo filme baseado no livro de John Green, Cidades de Papel, dá pra ver claramente essa situação, onde se trata de falar sobre esse outro lado, essa forma de agir que ninguém critica, vê problema ou risco (representada pelo personagem Quentin) e do choque entre os dois extremos desses estereótipos, Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman.
Cidades de Papel | Segundo Trailer Oficial Dublado | HD 
E é mesmo mais fácil ser assim, não se conhecer, não viver experiências que não estão entre o que está dentro de um comportamento e conduta exemplares, ser o queridinho.
Não, calma, não estou dizendo que é ruim ser assim, como dizem, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, existem seus ganhos com isso, faculdade em seguida da formação no colégio, postura propícia pra um bom relacionamento com os pais, elogios dos familiares sobre os planos pro futuro – aquele clichê tapinha nas costas nas festas de fim de ano – saber a alegria tranquila que é passar um sábado em casa com os amigos comendo pizza e vendo filmes ou jogando videogame, ter a consciência geralmente limpa por só fazer algo com a certeza e exatidão do acerto, nunca estar em um clima ruim com alguém, ter um ótimo raciocínio lógico – você gosta de palavras cruzadas e matemática – se sair, poder ir a qualquer lugar pois não se preocupa em evitar uma ex namorada. É, é claro que tem vantagens, estabilidade costuma gerar esses aspectos favoráveis.
Não defendo ou apoio a libertinagem, ela é uma prisão tão real como andar sempre na linha, mas a liberdade sim, ela é fantástica, e está atrelada com respeito a si próprio, ao seu tempo, ao que não é violência contra você contra seu corpo e quem você é ao que te faz verdadeiramente bem, ou só ao que te traz mais conhecimento e mais bagagem cultural, histórias que vão valer a pena contar.
E é o fato de o mundo ser tão grande pra nós que me estranha essa ideologia, esse viver em prol só do que é importante e relevante, viver sempre assim, com essa ausência de avidez por novidades, pessoas, lugares, receitas, filmes, mudanças de hábitos, e achar que isso é tudo, é limitar uma vida toda. Limitar-se a só saber falar disso e daquilo, a só se interessar pelo que você sempre se interessou, a achar que há algo errado com você e a sua vida por não namorar, a não conhecer religiões de outras culturas, a só ver beleza no que tem glamour, a não ler biografias, só ver possibilidades onde elas são óbvias – como uma entrevista de emprego, uma audição, um vestibular a falta de ciência de que você é um cidadão do mundo, e não da sua cidade ou bairro, ou país.
Tudo isso te faz perder muito, e você nem faz ideia, aliás, como de costume, está ocupado demais pra pensar em besteira agora.

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