Quando você, adulto, vive sob o mesmo teto que um sobrinho, colega de quarto, primo de 17, 18, 19, 20 anos, você não está criando esse jovem – não, não está e nem deve tentar criar, mudar, moldar – ele já está criado, crescido, formado. Claro, somos metamorfoses ambulantes a vida toda, ninguém é para o resto de seus dias exatamente quem era quando tinha essas idades joviais. Mas você está convivendo, não criando, nem tendo que criar, a não ser que tenha posto isso na cabeça – o que, sem verdades absolutas e ao meu ver, não é a escolha mais saudável. Ele não é um adulto formado, nem casado, mas não podemos falar que ainda é só um menino, só uma menina, já existe um pequeno adulto ali, em formação como ser humano, como ele mesmo. Se conviver com alguém que não foi criado à sua maneira é difícil ou leve – fácil – natural, se é bom, depende da sua recepção e interpretação das coisas referentes a essa pessoa, te cabe observar como você age e reage perante quem não se assemelha a quem você é – cultural, emocional e psicologicamente. Em qual contexto você se coloca com ele ou ela, esse jovem?
Não é leve para os dois quando um não tem interesse que seja, aliás, é esse mesmo um que vai se sentir mal com isso, com a consequência da própria conduta, e provavelmente vai se enganar e se justificar responsabilizando alguém por isso.
Mas começa já não sendo difícil se os dois se importam somente em ter a consciência tranquila com a própria postura para com essa segunda pessoa. O fato de não ser difícil naturalmente abre várias portas, como uma convivência legal, que é propícia para desencadear entre ambos amizade e carinho.
Mas estamos falando de seres humanos, primeiro o ego, a pose e a necessidade de controle tem que ser menos importante que ter uma convivência sincera e serena. A respeito de controle, primeiro João e Maria tem que não se preocupar com a postura de um terceiro, quarto, quinto, na casa, no circulo de convívio. João ou a Maria, primeiro tem que não se preocupar com todo o meio, em querer interferir na atitude de todo mundo ali.
Mas abrir mão dessa ilusão de poder controlar, da vontade de querer conduzir como cada pessoa funciona e age, exige coragem. Aliás, está a mercê dele, você vai estar confiando no interesse do outro em si mesmo para mudar-se e agir de maneira mais madura e benéfica para ele mesmo e para o meio sem nenhum dedinho seu no meio desse processo.
Quando você se vê apenas como um ser humano ajudando outro, sem laços de sangue que impõe obrigações, tudo flui, um laço mais verdadeiro – que independe de relações paternas ou familiares – e espontâneo nasce.
É.
Juízo, amor, e boa sorte, adultos e jovens.
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