Já li algumas vezes que no fim das contas, somos os nossos momentos. E, o que são nossos momentos além de o que escolhemos fazer com o tempo que a gente tem?
É por isso que, ao final de um longo namoro, amizade, ou qualquer tipo de união, mesmo de fins dramáticos, sentimos tanta saudade – pode admitir, ás vezes você sente falta do drama também.
Isso acontece pois você dedicou atenção, tempo, para aquele alguém, seu tempo.
Porém – peço licença para mudar o foco do qual parti – percebi esses dias o como as pessoas julgam umas às outras em sua totalidade por um ou dois momentos que presenciam, mas ninguém é, por exemplo, só aquela moça agitada das festas ou aquele cara tranquilo da sala de aula. Claro que tem aquelas pessoas que são mais engraçadas, extrovertidas, que, quando a gente olha, já pensa festa, pois a postura da pessoa nos remete a esse evento, ou ele é muito sério, dedicado nos estudos e nos remete a responsabilidade. E, quando chega a festa de formatura, é com ela que vão falar, ou, quando chegam as provas de recuperação, recorrem a ele, cada um mostra pela sua conduta quais são e onde se aplicam suas utilidades, e atrai as pessoa com isso – mas isso não invalida que ele seja a alma da festa quando estiver se sentindo a vontade, e ela, que seja uma dos primeiras na turma quando estiver determinada a ser.
Acredito muito na validade e no benefício em ser uma Pessoa Camaleão, daquelas que agem de acordo com o ambiente em que estão – não estou falando em agir como todos que estão num mesmo local que você ou perder a própria identidade – fazer o que cabe fazer naquela ocasião, reconhecer onde você está.
E isso não é não ser você mesmo, não é criar uma persona, isso é maturidade. Mas maturidade exige autoconhecimento, se você reconhece o ambiente, mas não conhece você, é natural que você seja imprevisível até pra você mesmo. É por isso que você é a pessoa que mais se conhece no mundo, você é a única pessoa que esteve presente em todos os seus momentos, você esteve no seu primeiro beijo, primeiro dia de aula, primeira discussão fora de casa, esteve com os amigos no colégio, no shopping, numa cidade nova, no primeiro gole da primeira cerveja, na primeira vez. Foi sempre você quem esteve lá, protagonizando sua vida, sabendo como você agiu, como se sentiu, com quem sentiu, o que deixou de fazer, o que hesitou fazer mas achou melhor deixar pra lá – ou se arrependeu da sua falta de coragem depois.
Cada um é sua maior testemunha, mesmo que seja romântico que alguém diga que nos conhece mais que nós mesmos, isso não é possível. O que faz a gente se apaixonar, é o que alguém mostra de si para o mundo, mas o que a pessoa realmente é, ela, inconsciente e até involuntariamente, mostra só com convivência, com tempo. Aos poucos a gente observa o que ela expressa em cada momento, e isso une peças, que podem formar a imagem de uma pessoa linda, doce, sincera, ou de alguém orgulhoso, confuso e mesquinho. Cada ser tem o seu tamanho...
Saber qual postura adotar de acordo com o que propicia um ambiente é quebrar o tabu de rótulos também, é surpreender as pessoas, você mostra que não é só a pessoa daquele dia, naquele outro ambiente, daquele instante.
Ser Pessoa Camaleão é saber que aquilo que você enxerga de alguém é só um pedacinho do universo que ela é, pois, quando você reconhece isso, é por você ter conhecimento sobre si mesmo e por não ser mais alguém simplório, mas simples. Contudo, a honestidade com si mesmo é essencial, ninguém tem ideia do mar de sentimentos, capacidades e histórias que é se estiver sempre olhando, se comparando e culpando o outro, isso é só mentir pra si mesmo.
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