terça-feira, 7 de abril de 2015

Razão e coração andam de mãos dadas.

E quem um dia irá dizer, que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

Já dizia o artista... Mas Renato Russo maravilhoso compositor, aliás – que me desculpe, pois eu, pequena e somente eu, digo que esse trecho da música Eduardo e Mônica, pode ser respondido. Me atrevo a dizer que até contrariado, o amor é racional.
Racional, segundo a definição de algumas pessoas, é algo que seja palpável.

Quando alguém lembra do seu aniversário, se preocupa com você ter ou não dormido bem, se você está feliz na faculdade ou no trabalho que tem, se está comendo bem, se está se dando bem com seus pais, se vai gostar do restaurante que a turma sugeriu pra essa noite, se vai passar mal se comer aquele doce ou beber além da conta, mesmo que isso pra você signifique dois singelos shots.

Quando abre exceções com você, quando te abraça ou diz que te ama até naquele momento em que pensa que você está dormindo, quando te leva pra conhecer a família, quando te da o próprio moletom sem a necessidade de você pedir, quando você sabe que a pessoa só te faz bem, quando até os pequenos erros, o que a gente pode chamar de mau, é – acredite sem querer.

Quando isso tudo, e mais, acontece, é amor.
Depois de tantas atitudes e gestos, por que não seria palpável? Existe lógica, coerência.
Porém, perfeição não tem a ver com o amor, e não por ter coração envolvido, mas sim indivíduos imperfeitos. Mas, por ser assim, lindo, mesmo sendo imperfeito, por que seria irracional? A razão nunca foi perfeita, ela só é mais fácil.
São duas pessoas que fazem bem uma para a outra, que se ajudam, se dão carinho, se dão se doam.
Tem toda a lógica do mundo.

Além disso, o amor não tem que sempre ser eterno, você pode amar alguém no momento que dá preferência pra ele na rua, que divide a pipoca no cinema, que dá sua cerveja pro cara desconhecido no carnaval, no momento em que levanta pra alguém se sentar, em que admira aquele cara lendo um livro no bar, aquela atriz se destacando na peça. Isso já é amor. Amor é universal, é leve.

Blair Waldorf – personagem de série americana disse, em certo episódio "Eu amo você, uma parte de mim sempre vai amar. Mas não estou apaixonada por você".
Há outro exemplo semelhante, mas dessa vez, em um filme – Guerra é Guerra – quando, num diálogo entre amigas, saiu tal pergunta "Se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo?" e teve como resposta "amar sim, estar apaixonada não".
Podemos amar duas, dez, mil pessoas. Ao mesmo tempo, por que não?
Mas estar apaixonado é um amor diferente, e pra nós, humanos, nós o classificamos diferente por também ser carnal. O amor que você tem por sua família e amigos tem tudo a ver com fraternidade, diferente desse amor de casal.

Não pegue como referência de amor aquele casal que dorme cada um em um lado da cama, que se esnoba e se ofende, que se despreza ou não enxerga o valor do outro nem como pessoa. Nem eles servem de exemplo pra si mesmos, como alguém poderia fazê-los de espelho? Isso sim seria irracional.

Existem poucas representações de sentimentos e ideologias que sejam fiéis ao que realmente são.
Num mundo onde o feminismo está sendo representado por axilas peludas e coloridas – literalmente, são verdes, cor de rosa, roxas, azuis  quem dirá como é representado o amor, que é uma causa bem maior que essa (e que seria a solução pra igualdade dos sexos, na realidade. Mas isso é outra história).

Cada vez que alguém me diz que não acredita no amor, escuto "não confio em mim para amar alguém ou pra reconhecer quando alguém me ama", vejo mais um que não sabe representá-lo, que não o conhece nem para com si mesmo. Não falo do amor apenas de homem pra mulher, ou mulher pra mulher e homem pra homem, mas sim de pessoa para pessoa. Você e sua mãe, seu pai, sua madrasta, sua enteada, seu irmão, qualquer ser humano. O amor tem tudo a ver com ser fraternal, não é possível amar apenas quem se leva pra cama. Na verdade, é mais natural amar alguém que você tem como amigo (amigo que pode ser seu pai, professora, tia etc). 

Depois desse de todo esse meu depoimento sincero, cito novamente o ícone, Renato Russo (esse cara entendia de amor) com a frase "Amar é uma arte, e nem todo mundo é artista". 
Quanta veracidade num verso tão pequeno.
O amor é querer bem, cuidar do outro mesmo que de longe, é olhar por alguém e ter alguém olhando por você. Não querer alguém bem, não querer que alguém te queira bem, é a maior insanidade que existe.

E, sim, a gente realmente arrisca, você dá tudo que alguém pode dar pra ser destruído. Já dizia Pitty que "Homem que nada teme, é homem que nada ama". E é por isso que o amor está para todos, mas nem todos estão para o amor. Nem todo mundo tem coragem, ás vezes nem de se arriscar a um amor tranquilo, daqueles que tem balanço na rede e tardes compartilhadas de domingo.
Pobre deles.


Irracional é não amar.



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