quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Ingenuidade e alienação adolescente

Lembrei da minha adolescência.
Da primeira balada, do primeiro encontro no cinema, das amizades simples e leves, dos trabalhos em grupo, do primeiro namoro, dos sentimentos de que tudo era novo, da emoção, por tudo ser novo. Lembrei dos professores e das aulas, lá, naquele colégio. Lembrei das músicas que ouvia e sentia como se fossem parte de mim, das roupas que vestia, dos lugares que frequentava e das pessoas que faziam parte dos meus dias, nunca achei que elas fariam parte da vida só naqueles instantes, parecia tudo permanente. Tanto já estava a mudar.
Havia, nesse tempo, uma irmã a menos. Outra configuração familiar. Outra energia em casa. Outro dia a dia. Outros planos. Outros e outras tantas coisas.
Eu ia ser advogada, e, depois, promotora de justiça. Eu ia casar com aquele namorado. Ia continuar ali, a morar na minha cidade natal. Ia seguir com alguns mesmos pensamentos. Mas ia ser feliz pra sempre.
Engraçado olhar como eu pensava antes, porque, mesmo pensando tudo isso, mesmo tendo certeza absoluta naquele tempo que aquele ia ser o meu final feliz, eu nem sabia o que era felicidade.

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