Seus ouvidos são mais atentos que seus pensamentos e sua atenção consciente.
Seus ouvidos dão atenção quando você não acha estar dando, da mesma forma, seus olhos.
Veja coisas boas, ouça coisas boas.
Não fale só de dinheiro.
De promessas. Não prometa.
Não fale só de comida.
De futebol.
De dinheiro.
De novela.
De séries.
De fofocas.
De boatos sobre pessoas que você não conhece de verdade.
Aliás, você se conhece de verdade?
Não veja, sempre, só notícias de guerra.
De estupro.
De assalto.
De sistema carcerário.
Não perca tempo falando do passado, principalmente se for dos problemas pelos quais você ou quaisquer pessoa passou. Pois o que passou, passou. Ou se aprende, ou se repete o erro. E aí, se vive de angústia, vitimização e fuga.
Cresça. Aprenda a mudar.
Inteligência se trata mais de adaptação prática do que de percepção.
Inteligência não tem nada a ver com apego ou impulsividade por estar sentindo medo. Ou com responsabilizar os outros por qualquer coisa que tenha acontecido na sua vida. Porque a vida não é o que acontece conosco por interferência, ou não, dos outros, mas sim como lidamos com o que nos ocorre.
A vida é o que podemos dar por ela, e para nós mesmos.
Podemos nos dar a alegria de dar alegria pra alguém que um dia nos magoou. Ou podemos dar frieza e indiferença, não aprender a perdoar.
Claro que podemos, qualquer um pode fazer o que desejar com si mesmo.
Podemos olhar fotografias de lugares que trazem beleza, e criar a ambição de olhar pra paisagem bonita pessoalmente um dia.
Podemos olhar com admiração as flores nas árvores, ou olhar com desgosto as folhas que caíram no chão e fizeram sujeira.
Mas, independente do que escolhemos enxergar, a delicadeza das flores estará lá para ser contemplada, assim como as pétalas antigas e folhas estarão caídas no chão para alguém reclamar.
Cabe a você, selecionar.
Cabe a você escolher pegar, em um papo, a vertente que te eleva e eleva o conteúdo do assunto, ou a vertente que traz difamação, pobreza de argumento, de agradabilidade, de análise.
Sempre vão haver boas notícias no mundo.
E quem escolher por olhá-las não precisa ignorar a tristeza do mundo.
Pois, escolher olhar o lado bom das coisas não é sinônimo de dar inexistência pro outro lado, é, na realidade, ter ciência dele, mas além disso, compreendê-lo.
Quando se compreende algo, não há mais necessidade de dar tanta atenção, não há segredo ou mistério, não há dogma, nem sensacionalismo.
Há apenas esclarecimento, lucidez e olhar sensato.
Imparcialidade não é indiferença.
Devíamos estudar a cultura estranha que temos de não nos permitirmos felicidade, e de questionarmos as alegrias dos outros. Não devia ser questionado, nem posto à prova.
Ninguém precisa provar nada pra ninguém, quem pensa assim precisa provar algo ainda para si mesmo, e acaba colocando os demais na mesma condição quando diante dele.
O sentimento de cada um será sempre genuíno, e pessoal.
Precisamos compreender melhor nossa própria individualidade, e dar espaço e respeito para quem já encontrou a de si mesmo, precisamos aceitar que tem gente que se aceita.
Que isso existe.
E que, pra quem quer, o mundo é bom.
Da mesma forma que é mau pra quem nisso escolhe acreditar.
Então, amigo, amiga, selecione.
Existem sempre dois lados.
E ainda mais, muito mais que dois.
Mas a liberdade e a escolha de cada pessoa é apenas uma.
Selecionar é dar existência a si mesmo, a que tipo de coisas, condutas, energias, estilos de vida, tudo, você quer dar voz.
Selecionar é ter coragem de pensar com a própria cabeça tendo a compreensão que isso não invalida, anula ou intervém de nenhuma forma naquilo que diverge do que você selecionou. Quando, entre escolher azul ou amarelo, você escolhe o amarelo, a única coisa que você fez para o azul foi dar a ele uma pessoa a menos. Não se fez mal algum para o azul, e ele também não deixou de ser azul ou de existir.
Selecionar é abraçar as divergências, é ser diversidade.
É ser a representação de uma diferença entre as inúmeras diferenças.
É ser um lado da história, entre os milhares da lados que existem por aí sobre uma mesma coisa.
É ser você mesmo.
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