terça-feira, 19 de agosto de 2014

Em poucas mas existentes vezes, boa vontade não basta para solucionar algo.

Estava sendo um ano farto...
Foi a primeira coisa que ela pensou depois de desligar o chuveiro e secar os cabelos com a toalha enquanto se olhava no espelho. Ela tinha conhecido o teatro, o cinema, mais de seus sentimentos e de si mesma.
Se o diretor do longa não tivesse tentado várias vezes dormir com ela até que fosse dado por ela um fim a isso abandonando a participação no projeto ela passaria um momento vago ali ou aqui de sua vida pensando em como seria incrível ser uma atriz dona de uma carreira de sucesso e reconhecimento, mas, na verdade, antes disso ela mal conhecia uma pequena parte desse mundo, não como quem está do lado de dentro da tela da televisão.
O teatro era realmente fantástico e ela adorava porém, não havia ainda feito uma peça com um roteiro realmente interessante, tendo em vista que haviam várias crianças em sua turma (única turma de teatro na cidade, aliás) de elenco e dando prioridade, naturalmente, a fazer algo semelhante ao cotidiano e realidade delas, o que a menina não via como algo errado, só uma consequência que não favorecia suas ideias de espetáculo.
Ela recebia alguns convites, e indiretas claras de alguns caras que eram legais, mas quando se via sem rir durante alguma conversa que não fluía e sem esboçar um sorriso quando casualmente lembrava de algum rosto, notava que não estava interessada em dar expectativas a alguém por quem ela não tinha.
Percebeu vários erros em si mesma quando notou que sua individualidade estava sendo deixada em um cantinho vazio dentro dela, esquecida, enquanto ela se preocupava com situações que não precisava. Existem problemas que podemos resolver, então devemos nos tranquilizar, e existem problemas que realmente estão de alguma maneira – longe do nosso alcance, depois de pensarmos e repensarmos soluções inaplicáveis, nós temos que aceitar, nos conformar e tentar não pensar nisso, entendendo que não há o que fazer. E isso na verdade até então tem sido o mais difícil pra menina de cabelos molhados que olhava nos próprios olhos diante do espelho, ela não gostava de sentir que não tinha como ajudar alguém ou não melhorar algo que não estava bom.

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