quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Pra ele.
Era, sem dúvidas, claro que você gostava dela, muito. Nunca tinha andando de mãos dadas na rua com alguém antes, ou recebido na sua casa daquele jeito, chamado de "minha" ou dado pra alguém, num gesto estranhamente carinhoso, um pedaço de coral, ou uma palheta pra quem não tinha um violão. Apesar de ter ficado com várias meninas e todo mundo saber disso, e de ter uma doida com um interesse enorme e insistente em você, você achou aquela menina legal. Vocês se davam bem, ela entendia seu senso de humor e suas intenções e você os pensamentos, jeito dela, e tratou ela diferente, já que ela era diferente de algumas com quem você tinha convivido. Ela não via a necessidade nem a conveniência em tornar de seus assuntos apenas fofocas, não falava mal dos outros, sabia rir de si mesma e tinha jeitos legais de falar sobre as coisas e ver as pessoas, era honesta sobre o que pensava e não se negava a conhecer seu gosto musical por ser outro que o dela. Você gostou muito dela e por motivos nada mais que adolescentemente típicos de colegial começou a ter receio de algo que ela ainda não entendia o quê. E, bom, claro que quando vocês estiverem convivendo juntos de novo ela ia olhar pra você as vezes e saber que ter te dito tchau, através do silêncio, naquela hora foi melhor que uma sinceridade que podia soar dramática, apesar de ser sincera e serena. E aquela interrogação na cabeça dela ia continuar ali num cantinho dentro de si, junto com a falta que ela sentia de você quando passava por aqui ou por ali, onde vocês andaram juntos.
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