sábado, 13 de setembro de 2014

Sobre minha juventude e a queda por meninos de cabelo comprido

Dia desses, arrumando algumas coisas e tirando caixas no guarda-roupas, ela achou uma munhequeira. É, daquelas de pano que foram modinha entre 2009 e 2010 quando o auge eram os emos e todo mundo ouvia Restart e saía por aí de calça coloridacoladinha. Era uma pulseirinha de pano quadriculada pink e preto, e ela usou esse tal apetrecho todos os dias durante seus 13 e 14 anos, naquela época em que ela amava Avril Lavigne e tinha um skate. 
Ela usava all star cano alto, até o joelho, cabelo bem liso da raiz até a pontinha (dupla), sempre dividido no meio, tinha um diário, gostava de andar só de moletom, e... Bom, tinha uma queda instantâneas e sonhava acordada com carinhas que tivessem uma, duas ou três tattoos, cabelo comprido e alargadores (mas dos pequenos).
Aliás, essa mocinha estranha fui eu, saindo da minha pré adolescência. 
E, no fim das contas, comecei a pensar porque o meu gosto hoje é oposto ao que era, já que hoje me vejo atraída por caras bastante diferentes disso (é, dependendo, ainda acho legal caras com tattoo, mas cabelo comprido só se for um rosto, jeito de ser e estilo que combinem incontestavelmente. E alargadores ou piercings? Aaah, me desculpem os rockeiros e rockistas, mas depois de ouvir isso com a seguinte descrição de ser furar o corpo com bolinhas que parecem verrugas de metal, nem pensar!). 
Não sou uma pessoa fúnebre ou fechada, muito pelo contrário, e essa fase pela que passei aconteceu numa crise de identidade, eu queria mostrar de algum modo para as pessoas que eu não era igual e tentava colocar isso como cartaz na minha testa usando a munhequeira, os moletons e o all star enquanto as meninas que todos os carinhas pegavam (e todas as outras meninas queriam ser) usavam tênis Ecko Red e tinham californianas no cabelo repicado e comprido. 
Com meus 13 anos eu não via outra maneira de dizer que não queria ser só mais uma figurinha que não queria ser daquelas que vai de acordo com a maré sem ser pela maneira de me vestir, e eu via naqueles cabelos compridos e touquinhas (o que, aliás, hoje é acessório dos hipsters) essa mesma ideia, eu me via neles. A gente sempre vai atrás do que se identifica, mesmo sem perceber estar fazendo isso.
E tudo que descrevi, esses caras, me pareciam ser o estereótipo do que eu achava mais lindo, irresistível: liberdade, que era o que a aparência deles vendia pra mim.
E, hoje entendo... Nesse aspecto, não mudei nadinha, nunca busquei por alguém pensando numa aparência em si, mas sim em uma ideologia, no que essa aparência pode representar – aliás, é o que todos nós fazemos, mesmo que inconscientemente.
Enfim, no que a pessoa parece ser. Alias, boa convivência e diálogos interessantes são o que fazem história, logo, sabemos disso... Histórias são o que fazem valer a pena, e não se fazem com alguém que é só um rostinho bonito.

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