domingo, 1 de fevereiro de 2015

Cada pessoa é, a sua maneira, uma obra de arte.

Ela se amava, achava que dava um caldo, gostava da personalidade forte porém serena, do senso de humor leve – que vira e mexe também via graça no que era pesado – do carinho sincero e do elogio sutil e espontâneo que dirigia para aqueles que, por algum motivo, ela admirava – por fazer aquele feijão bem temperadinho ou aquele bolo tão gostoso, por recitar um poema pra esposa no meio de um grupo de amigos ou por ter uma carreira cheia de histórias, terminada brilhantemente e fechada com chave de ouro.
Mas, em curtos e breves momentos, ela queria ser diferente. 
Ela era aberta, o que você via dela num primeiro momento de convivência, não era muito diferente do que ela seria com você a longo prazo em relação ao modo de te tratar, dar atenção, ter interesse. claro, ela ia mudar o te tratar bem para não te tratar de algum modo por não querer manter contato se você fosse uma pessoa grosseira, frívola ou reprimida (um termo que acho mais correto para o que as pessoas chamam de falsa, já que a pessoa "falsa" na verdade geralmente não é ela mesma por não se aceitar, ser reprimida) Ela podia te olhar com afeto sem precisar ter com você anos de amizade, cada pessoa é, a sua maneira, uma obra de arte. Cada um... Um ser peculiar cheio de jeitos de comer, deitar pra dormir, falar, rir, de ter ideias e ideais, preferências, de ter um jeito de reagir com as pessoas, com a música.
Mas essa atitude que ela tinha, bom, isso pra ela não era nada, olhar com carinho para as pessoas com quem batia um papo e ter interesse por quem estava sentado ao seu lado na mesa era o mínimo, era natural. 
Isso não era apego, não era confidência, não era algum compromisso nem algum tipo de conquista. 
Era só fazer um momento legal. E isso não era esforço nenhum, todo mundo merece um instante em que a pessoa ali do lado tenha interesse em ouvir o que ela tem pra dizer.
Mas, as vezes, ela queria ser mais introspectiva. Pois, apesar de ter jeito aberto e brincalhão, isso não invalidava que ela apreciasse com sinceridade e olhar atento a delicadeza e que ela a fosse também, que tivesse seu lado retraído. 
Mas, mesmo sendo sempre ela como via que muita gente também o fazia algumas pessoas só enxergam umas as outras a longo prazo, mesmo ela, e seu todo, estando ali, quietinho, singelo, discreto ou não, o tempo todo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário