quinta-feira, 23 de março de 2017

Diagnóstico

Ele soube que ela tinha dado início à terapia,
E perguntou como estava indo.
Ela, de ar desinteressado e desanimado como de costume, respondeu que ainda não estava gerando algum efeito ou provocado quaisquer mudança, que ela ainda tinha muito para dizer nas sessões seguintes pra então começar a poder esperar algum retorno e alguma transformação ou melhora interior.
Ai, ai, mal sabia ela. Que ia se curar, não falando, mas compreendendo a necessidade e a importância de aprender a ouvir.
A ouvir ela mesma, suas próprias ideias, sentimentos de todo tipo, arrependimentos e ambições.
A ouvir os outros.
A ouvir músicas novas, não necessariamente de data, mas para os ouvidos.
A ouvir o som do vento.
A ouvir não só palavras, mas as intenções por trás delas, que muitas vezes trazem mais beleza que as palavras em si.
Ela ia se curar aprendendo a ouvir o que diziam gestos, olhares, toques.
Ouvindo as palavras de forma literal, em paz, sem falta de receptividade, sem desconfianças, sem julgamentos e réplicas (apenas mentais, ou não) instantâneas, sem dramatizar, fazer alarde, menosprezar, superestimar ou subestimar o que sai da boca do outro.
E, de todos esses, podendo ser comparados à remédios para curar um sentimento que tira sentimento de vivacidade, o antibiótico seria saber ouvir o silêncio, aliás, se ela o ouvisse, saberia que a cura pra algum mal que vivia dentro do peito, não era a necessidade de falar, mas sim a falta de saber ouvir.
Mas, bom, aí ele não teria necessidade de escrever sobre isso, este mesmo não existiria, seria um texto sem utilidade, ela já seria alguém feliz.

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