Hoje eu senti saudade.
De sentir que meu coração podia agir como se estivesse em casa.
De dividir a cozinha com bom humor vestido de gente. E de acordar cedo pra ir na feirinha do centro comprar sabonete artesanal e incensos - ambos de mel, aveia, baunilha e jasmim.
Como um comum animal de quaisquer classe ou reino, me vi como peixe fora da água.
Como quem não está no seu habitat natural. Como quem não tem vestido a própria pele nos últimos tempos.
Senti saudade de ler poesia escrita nos muros das ruas. Entre, elas, tinha até Leminski.
Saudades, de saber que iria ver meus amigos em alguma festa, bem daquele jeitinho, com uma energia toda nossa, no fim de semana.
Senti saudade de sentir que estava onde devia estar, fazendo o que devia fazer. Senti falta de sentir movimento progressivo.
Fiquei nostálgica depois de chover, aqui, que não é lá.
Porque lá chove quase todos os dias, e ela, chuva, convida qualquer um pra tomar um, ou dois, cappuccinos de manhã.
Senti saudade do que, da mesma forma que me remetia ao meu passado, acabava sendo também um retrato do meu futuro.
Retrato de moça feliz, sutil e ela mesma... Leve.
Alegre, como quem ouve Sá Marina aos domingos.
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