Me peguei sentindo medo.
E de coração ansioso, sem certeza se a vida ia dar certo.
Me peguei me questionando o que era dar certo.
Dar "certo".
Isso seria ter por perto, pra amar, quem eu amo, e ser amada?
Seria ser feliz com o meu trabalho?
Seria, uma ou duas vezes ao ano, ter toda a condição de viajar, e conhecer lugares que me despertassem emoção?
Seria, ser convidada para ser madrinha do bebê de alguém especial pra mim?
Ser convidada pra ser madrinha sempre foi visto por mim como um reconhecimento. Ser confiável o suficiente, ser uma pessoa boa ao ponto de ser dada, pelos pais, como uma referência de adulto pra um filho.
Seria isso, o dar certo, no futuro, eu ser alguém que se perdoou pelos próprios erros?
Eu acho meus erros importantes. Mas não os esqueço enquanto não me movo pra consertá-los de alguma maneira.
Talvez eu devesse fazer menos questão de corrigir(me), e aceitar que nem tudo precisa ser consertado, as vezes só precisa ser deixado pra lá, compreender o aprendizado que o erro trouxe e seguir em frente.
Seria eu, alguém de uma vida que deu certo, uma pessoa que reconhece a real relevância das coisas, de todas as coisas?
Ou, de repente, dar certo, seria ser alguém que ganha um salário de cinco dígitos?
Seria, dar certo na vida, eu ter a característica de saber enxergar a existência de, no mínimo, uma qualidade, ao ponto de sentir admiração, por absolutamente qualquer pessoa?
Seria, elevar minha consciência, e já ao acordar, saber que estou acordando pra construir mais um dia bom?
Seria, levantar da cama não de forma automática, mas sentindo o começo do meu dia?
O que seria esse dar certo, afinal? Será que o "torto" de algum momento ou outro da minha vida na verdade está perfeitamente correto, e está, na verdade, apenas fora das razões que eu conheço?
Eu não ouço em palavras a resposta de seres de luz quando faço orações.
O que de certa forma é coerente, pois eu não entenderia um Deus que fosse inacessível, que só vive do lado de fora, e longe de mim.
Parece que tudo que eu preciso está dentro do meu peito, e que minha tarefa é aprender a ouvir (aliás, talvez o ser de luz, aqui e agora, também seja eu, com muito trabalho pela frente e Amor pra aprender). E mais, agir de acordo, não 10 ou 20 horas por dia. Mas sempre, incessantemente.
Nunca me arrependi de algo que fiz com o coração, arrependi-me apenas das dores que senti por não tê-lo ouvido, seguido. Ou por ter tido alguma atitude sem ele.
Mas definitivamente, meu coração descansa quando sei que existe algo maior do que eu.
Ele descansa, por que sei que não está sobre os meus ombros a responsabilidade do mundo.
Ele descansa.
Porque eu sei que algo maior sabe meu tamanho hoje, e que o universo não vai ser injusto comigo. Já não o é.
Para os mais céticos, bom, eu lhes ofereço o meu silêncio. A verdade dos meus sentimentos não existe pra persuadir quaisquer pessoa, a o que quer que seja.
Mas existe luz.
Há algo que olha, zela, orienta. Algo de enorme sutileza, generosidade e respeito.
Existe algo boníssimo aqui.
E lá.
E em todo lugar.
Tudo que reconhecemos do lado de fora do peito, é o que conhecemos do lado de dentro dele.
Se a gente conhecer a bondade em nós, e nobreza nas intenções, vamos começar a reconhecer a existência disso no mundo.
Da energia onipotente, e onipresente, tão cheia de sabedoria.
E de amor.
Viva, brilhando e emanando o que se é, em tudo.
Em toda pessoa.
E cada canto do Universo.
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