Ela se incomodava quando não sentia que passava calma para os outros.
Se incomodava quando sentia que não se sentia bem e por isso deixava de passar sentimentos bons para aqueles que estavam por perto.
Se incomodava quando passava por algum dia de confusão de conceitos pessoais e expressava essa confusão para outra pessoa.
Se incomodava quando se notava dispersa em algum diálogo.
Se incomodava quando preferia o silêncio mas acabava falando. E, falando, dizia coisas não tão fiéis à ela mesma, mas sim efêmeras, sem credibilidade, já que eram apenas falas daquele determinado momento, passageiro, pequeno.
Se incomodava quando não via mais virtudes que características não tão boas nas pessoas. Aliás, ver virtudes nas pessoas não depende delas, depende dos olhos de quem vê. E ela queria ter bons olhos.
Se incomodava quando não estava totalmente presente mentalmente quando estava fisicamente com alguém. Com amigos, com a família, com ele.
Se incomodava quando não tirava uma nota melhor no simulado. Se pressionava. E, em partes, com razão.
Se incomodava quando não sentia equilíbrio na própria conduta.
Se incomodava quando não cumpria as proposições do dia, se incomodava quando não era, na sua máxima potencialidade, produtiva.
Se incomodava quando ficava ansiosa e não conseguia dominar com prontidão essa sensação, para voltar ao momento que estava de fato vivendo.
Se incomodava com si mesma.
Começou a concluir que se incomodar com suas falhas atrapalhava mais que as falhas em si.
Até que um dia começou a perceber que, se ela sabia dar tanta tolerância, colo e paciência para aqueles que moravam no seu cotidiano, podia incluir a si mesma também.
A família, os amigos e qualquer pessoa que morasse dentro de seu peito não iam deixar de sentir carinho por ela se ela fosse, em uma não tão bonita vertente, humana, um dia ou outro.
E ela também não deixaria.
Nenhum comentário:
Postar um comentário