Eu não rotulava ninguém. Eu julgava, observava muito atenta e sutilmente as pessoas que passavam por mim – como figurantes ou atores na minha vida – pensava a respeito de como a pessoa parecia ser, olhava a linguagem corporal mais que a verbal, achava cada detalhezinho e gesto interessante.
Mas tal julgamento nunca me impediu de me aproximar dos meus réus. Aos poucos e abertamente, ia conhecendo-os, nunca houve um julgamento no sentido de criticá-los com maldade, espalhar boatos sobre e me afastar depois da ciência de algo que ele ou ela fez que eu não concorde – não precisava ser algo muito gritante ou absurdo – só algo que eu não faria.
Até nossos conhecidos são nossos réus – na verdade, quanto maior o laço com alguém, quanto mais próxima a relação, mais rígido é o nosso tribunal para com ele.
Mas, apesar da grande exigência antes de bater o meu martelo, era instantâneo que me deixasse triste pensar que alguém por quem eu tinha carinho estava em uma situação de adultério – como amante – não estar estudando, estar bebendo exageradamente no meio da semana, enfim, de alguma maneira, fazendo mal pra si mesmo.
Não acredito em certo e errado, mas sim no bom e ruim. Se algo que você faz, faz mal a alguém, como faria bem pra você? O bem não é bom só pra uma pessoa das envolvidas em uma situação, o bem é bom pra todo mundo, caso contrário não é bem. E não estou falando de um indivíduo, por exemplo, que não concorda com alguma maioria e por ser contrariado diz que a opinião dos demais, oposta a dele próprio, está errada ou algo do gênero. Mas sim de um indivíduo que saia realmente prejudicado de algum modo pela atitude de alguém – alguém inclusive, que pode ser ele mesmo. Coisas como desrespeitos, egoísmo, nunca trazem melhorias a nada, trazem ilusões, porém, a ilusão só existe para aquele que quer que ela esteja ali.
Quanto mais conscientes estivermos de nós mesmos, e das circunstâncias – culturais, emocionais, principalmente – que permeiam os ambientes que frequentamos consecutivamente, menos mal faremos, voluntaria ou involuntariamente, para os demais com quem a gente convive e para cada um de nós.
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