O passado era algo interessante no qual se pensar. Ela não acreditava ser possível julgar alguém pelo seu passado, não acreditava por três muito pensados motivos.
O primeiro, é que pra ela todo mundo muda, um mínimo que vai se acumulando, todos os dias. Quando ela se deita no colchão macio e abraça o edredom sabe que não é completamente a mesma pessoa que acordou naquele dia de manhã.
O segundo, é que ela pensava convictamente que sim, como dizia a frase, somos o que fazemos, certamente; porém, não o que fizemos. Quando vira passado? Vira quando a gente deixa virar, quando deixamos pra trás, dizendo adeus sem nem perceber, para o hábito, um costume, aquela característica ou quaisquer coisa que se tinha e não carrega mais na bagagem da vida.
E o terceiro, é que no passado existem erros, geralmente mais que acertos, já que é o começo, e no começo de tudo, é sempre quando se aprende e consequentemente que se cai. Não podemos julgar que os outros sejam seus erros, pois quando eles não o fazem mais, não é o que eles são mas sim uma experiência que um dia só aconteceu. A gente não pode julgar que uma mulher de 20 anos é o seu erro dos 15, ou que um homem de 30 seja seu erro dos 28.
E ela não dizia tudo isso generalizando que o passado era algo ruim, sua infância foi, na verdade, bem divertida, mas sim que a gente tem que se adaptar, e não abandonar o que já devia ser passado é ser passado pra trás. A vida molda quem a gente é a cada instante, a gente só tem que deixar.
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